JC NAS
RUAS
Luce
Pereira
Sem
lenço e sem documento
Hoje a lei que
estabelece gratuidade na
concessão de certidões de
nascimento e óbito para
famílias carentes faz quatro
meses. Mas desdentados,
descamisados, sem-teto e sem-nada
não têm muito o que comemorar
em relação ao assunto. Nos
cartórios do interior, por
exemplo, funcionários olham para
cada um deles como se vissem a
receita escoando pelo ralo. E
logo fecham a cara, porque dali a
minutos vão cometer, em alto e
bom som, mais um pecado contra a
lei - ignorá-la sem cerimônia,
anunciando que os documentos
continuam a custar o que sempre
custaram. Em outras palavras,
não há o que cumprir, porque
não há quem cobre devidamente.
A Corregedoria Geral do Estado
até orienta para que os
queixosos denunciem, mas falta
cidadania à clientela
esfarrapada, que continua
cabisbaixa, aceitando as
irregularidades como se elas,
sim, fossem a lei. Aliás, criar
leis no Brasil tornou-se um
exercício vão. Não há quem
queira levá-las a sério,
sobretudo quando obediência
significa queda nos lucros. Mas
não se tem notícias de grandes
cartórios falidos depois da
gratuidade. Só de empresários
do ramo que sabem espernear um
bocado para defender seus
interesses.
Mais
aumentos. E abusivos
Esta semana o
Procon começou a receber um
número maior de vítimas de
aumentos abusivos praticados por
operadoras de planos de saúde.
Agora, a moda entre essas
empresas é aplicar a
determinação da circular 44/98,
da Susepe, para faturar mais em
cima dos usuários, inclusive
daqueles que já não têm onde
cair mortos.
Mas as coisas
não são tão simples assim. O
Procon diz que a medida é ilegal
porque o texto da circular não
foi publicado no D.O da União e,
portanto, não pode entrar em
vigor. Acha que a matéria
precisa ser melhor esclarecida
pelo governo, pois está sendo
tratada por Medida Provisória,
lei e circular. Caos completo.
Proibido
seguir
Somente os
daltônicos enxergaram, essa
semana, o verde do sinal que
orienta o trânsito no cruzamento
da Avenida N.S do Carmo com Rua
do Imperador. Apenas o vermelho
estava funcionando, para
desespero de motoristas menos
pacientes. Foto Leopoldo Nunes.
Em
baixa
O patriotismo
entrou em queda livre desde
sexta-feira. Vendedores penaram
para convencer motoristas a levar
as bandeirinhas por R$ 1,50. Não
adiantou: os estoques boiaram.
Entulhos
Caso o Brasil
seja penta, moradores de Sítio
do Cardoso devem olhar onde
pisam. Na euforia da vitória,
podem tropeçar nos entulhos
deixados por uma empresa
contratada pela Emlurb.
Fé
cega
E a Emlurb
aposta tanto na vitória do
Brasil sobre a França, que diz
no material sobre o esquema
reforçado de limpeza, amanhã,
na Praia de Boa Viagem: "O
horário, de 6 às 9h, foi
escolhido de forma a não
atrapalhar as comemorações nem
os banhistas". Amém.
Posse
A primeira
diretoria da Associação de
Empresários e Proprietários de
Imóveis do Bairro do Recife, que
toma posse no próximo dia 22,
vai dar trabalho à prefeitura.
Terá carta branca para organizar
e cobrar tudo o que tiver fora
dos eixos no bairro mais
paparicado da cidade.
Sem
pressa
Pacientes de
hospitais públicos e privados
reclamam que os médicos não se
empenham em fazer com que exames
sejam realizados no tempo devido:
assinam a requisição e deixam o
barco correr. O Cremepe poderá
ser procurado por insatisfeitos.
Assembléia
Aliás,
terça-feira (14) é dia de
médico do serviço público
esquecer as frustrações dos
pacientes e partir para cuidar da
saúde do próprio bolso. A
categoria faz assembléia, às
19h, na sede do sindicato, para
brigar por aumento salarial.
E-mail
luce@jc.com.br
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