-- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 12 de julho de 1998


JC NAS RUAS
Luce Pereira

Sem lenço e sem documento

Hoje a lei que estabelece gratuidade na concessão de certidões de nascimento e óbito para famílias carentes faz quatro meses. Mas desdentados, descamisados, sem-teto e sem-nada não têm muito o que comemorar em relação ao assunto. Nos cartórios do interior, por exemplo, funcionários olham para cada um deles como se vissem a receita escoando pelo ralo. E logo fecham a cara, porque dali a minutos vão cometer, em alto e bom som, mais um pecado contra a lei - ignorá-la sem cerimônia, anunciando que os documentos continuam a custar o que sempre custaram. Em outras palavras, não há o que cumprir, porque não há quem cobre devidamente. A Corregedoria Geral do Estado até orienta para que os queixosos denunciem, mas falta cidadania à clientela esfarrapada, que continua cabisbaixa, aceitando as irregularidades como se elas, sim, fossem a lei. Aliás, criar leis no Brasil tornou-se um exercício vão. Não há quem queira levá-las a sério, sobretudo quando obediência significa queda nos lucros. Mas não se tem notícias de grandes cartórios falidos depois da gratuidade. Só de empresários do ramo que sabem espernear um bocado para defender seus interesses.

Mais aumentos. E abusivos

Esta semana o Procon começou a receber um número maior de vítimas de aumentos abusivos praticados por operadoras de planos de saúde. Agora, a moda entre essas empresas é aplicar a determinação da circular 44/98, da Susepe, para faturar mais em cima dos usuários, inclusive daqueles que já não têm onde cair mortos.

Mas as coisas não são tão simples assim. O Procon diz que a medida é ilegal porque o texto da circular não foi publicado no D.O da União e, portanto, não pode entrar em vigor. Acha que a matéria precisa ser melhor esclarecida pelo governo, pois está sendo tratada por Medida Provisória, lei e circular. Caos completo.

Proibido seguir

Somente os daltônicos enxergaram, essa semana, o verde do sinal que orienta o trânsito no cruzamento da Avenida N.S do Carmo com Rua do Imperador. Apenas o vermelho estava funcionando, para desespero de motoristas menos pacientes. Foto Leopoldo Nunes.

Em baixa

O patriotismo entrou em queda livre desde sexta-feira. Vendedores penaram para convencer motoristas a levar as bandeirinhas por R$ 1,50. Não adiantou: os estoques boiaram.

Entulhos

Caso o Brasil seja penta, moradores de Sítio do Cardoso devem olhar onde pisam. Na euforia da vitória, podem tropeçar nos entulhos deixados por uma empresa contratada pela Emlurb.

Fé cega

E a Emlurb aposta tanto na vitória do Brasil sobre a França, que diz no material sobre o esquema reforçado de limpeza, amanhã, na Praia de Boa Viagem: "O horário, de 6 às 9h, foi escolhido de forma a não atrapalhar as comemorações nem os banhistas". Amém.

Posse

A primeira diretoria da Associação de Empresários e Proprietários de Imóveis do Bairro do Recife, que toma posse no próximo dia 22, vai dar trabalho à prefeitura. Terá carta branca para organizar e cobrar tudo o que tiver fora dos eixos no bairro mais paparicado da cidade.

Sem pressa

Pacientes de hospitais públicos e privados reclamam que os médicos não se empenham em fazer com que exames sejam realizados no tempo devido: assinam a requisição e deixam o barco correr. O Cremepe poderá ser procurado por insatisfeitos.

Assembléia

Aliás, terça-feira (14) é dia de médico do serviço público esquecer as frustrações dos pacientes e partir para cuidar da saúde do próprio bolso. A categoria faz assembléia, às 19h, na sede do sindicato, para brigar por aumento salarial.

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luce@jc.com.br

 
 

 

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