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JOSÉ
PAULO KUPFER
A
missão impossível dos devedores
A redução, um
tanto inesperada do IOF de 15%
para 6%, nos financiamentos a
pessoas físicas, pode ser apenas
um primeiro - e talvez ainda
tímido - passo para tentar
reverter, ainda que parcialmente,
a inadimplência, efeito
colateral danoso da manutenção
duradoura de taxas de juros
elevadas.
Fenômeno que
tipicamente ocorre em ondas, a
inadimplência aumentou de forma
consistente nos quatro anos do
Plano Real. Dados da Associação
Comercial de São Paulo indicam
um aumento de 354% na
inadimplência observada no
comércio da capital paulista, a
partir de 1º de julho de 1994
até o final do primeiro semestre
de 1998.
Do lado das
empresas, até que, nos últimos
meses, a evolução dos atrasos
nos pagamentos vem ocorrendo num
ritmo menos alucinado. Segundo os
especialistas em análise de
crédito, longe de significar um
desafogo na capacidade de cobrir
compromissos financeiros, a
redução no ritmo de atrasos nos
pagamentos parece resultado da
retranca em que resolveram jogar
os gatos escaldados que emprestam
e os que tomam emprestado.
Aumentou muito o rigor das
instituições financeiras na
avaliação e aprovação de
créditos, da mesma maneira que
tem crescido a inibição dos
potenciais candidatos a
empréstimos.
Mas do lado das
pessoas de carne e bolso, a
situação continua feia. Estudos
da Serasa, que opera o maior
banco de dados creditícios da
América Latina, apontam um
avanço notável nos índices de
inadimplência, no caso de
empréstimos ou financiamentos
pessoais. A participação das
pessoas físicas no total de
títulos protestados, por
exemplo, cresceu ao longo dos
quatro anos do Plano Real,
passando de 18,4%, em julho de
1994, para 30,3%, em 1998.
Também a
participação dos cheques sem
fundo no total dos cheques
compensados tem crescido. Em
1994, para cada mil cheques
compensados, 1,3 voltou por falta
de fundos. Em 97, a relação já
pulara, numa média trimestral,
para 7 cheques devolvidos em cada
mil e agora atingiu, também com
base na média dos trimestres, o
recorde de 9,9 cheques sem fundos
para cada mil compensados.
O fato, na
avaliação dos técnicos da
Serasa, se deve à queda do
salário real depois dos
primeiros tempos do plano de
estabilização e ao desemprego,
combinados com a explosão dos
cheques pré-datados e
descontrole nos orçamentos
domésticos. Mas é claro que o
principal motivo para a
prevalência de índices de
inadimplência tão elevados é o
próprio nível das taxas de
juros.
Para os
tomadores finais, as melhores
taxas ainda se encontram na faixa
de 100% ao ano. Como a inflação
está em queda, girando a menos
de 5% ao ano, fica quase
impossível imaginar como
empresas e pessoas conseguem
reunir os recursos necessários
para cobrir os empréstimos nos
prazos negociados.
Peso do
câmbio
Economistas do
Citibank colocaram as tendências
observadas das exportações
brasileiras nas equações de um
modelo econométrico e
concluíram que uma
desvalorização do real apenas
suficiente para corrigir
defasagens cambiais - e não
acelerá-las competitivamente -
produziria impacto modesto na
receita em dólares oriundas de
exportações de produtos
manufaturados. Segundo o estudo,
uma desvalorização da taxa de
câmbio real de 15% resultaria
num aumento de apenas 3% nas
exportações de manufaturados, o
que significaria menos de 2% de
expansão das exportações
totais.
Pobreza
Com o selo da
Comissão Econômica para a
América Latina (Cepal),
organismo vinculado à ONU, acaba
de ser publicado um estudo sobre
a situação social da região,
com resultados pouco animadores.
De acordo com o documento, na
primeira metade dos anos 90, o
número de pobres e indigentes na
área declinou apenas de 41% para
39% da população total. O
relatório conclui que, na
América Latina, uma em cada seis
famílias - mais de 15% delas -
não conseguiria satisfazer suas
necessidades básicas de
alimentação, mesmo que
consumisse toda a renda com
comida.
Avanço
Com a compra,
esta semana, por US$ 2,1
bilhões, de 40% do Banco Real
pelo ABN Amro Bank, maior banco
holandês e um dos mais ativos em
âmbito global, com antiga e
forte presença no mercado
brasileiro, sobe para 23% do
total de ativos do sistema
bancário brasileiro em poder de
estrangeiros. Em 1994, o montante
não passava de 5,5%. Correm na
praça previsões de que o
percentual chegará a 40% do
total de ativos já em 2000.
Torcida
Viva o futebol
brasileiro!
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