SUCESSÃO/NORDESTE
Campanha
tem início tumultuado no
MaranhãoAgência Estado
SÃO LUÍS -
A campanha eleitoral no Maranhão
deverá ser uma das mais
complicadas do País. Um dia
depois de ter sido autorizada
legalmente, a propaganda de
campanha já foi levada à
Justiça. Mesmo longe do Estado,
a governadora Roseana Sarney
(PFL) alegou, por intermédio de
seus advogados, que estava sendo
caluniada pelo seu principal
adversário, o senador Epitácio
Cafeteira (PPB).
Roseana ganhou.
Os cartazes que acusam a
governadora de pagar R$ 33
milhões por uma rodovia nunca
feita foram todos retirados, a
mando do Tribunal Regional
Eleitoral (TRE). No despacho, o
juiz Roberto Carvalho Veloso
determinou que, em caso de
desobediência, o PPB deve pagar
multa de R$ 19 mil por dia.
Cafeteira jura que não foi dele
a idéia de espalhar a propaganda
negativa contra Roseana. Mas, na
campanha, a história desta
estrada, no centro do Estado do
Maranhão, deverá ser a mais
explorada.
A governadora
do Maranhão só deverá voltar
ao cargo e iniciar a campanha em
agosto. Ela permanece internada
em São Paulo, recuperando-se de
uma cirurgia de retirada do
útero, do ovário e das trompas.
Ela ia ter alta na sexta-feira
(10), mas apresentou problemas de
aderências no intestino e teve
que continuar internada. Em um
recado pelo jornal O Estado do
Maranhão, de propriedade de sua
família, Roseana avisou que vai
ficar longe neste mês porque
considera que os primeiros dias
da campanha servirão apenas para
um longo bate-boca com os
adversários. Os problemas de
saúde da governadora, no
entanto, só aumentaram o clima
emocional de uma eleição
historicamente muito acirrada.
Epitácio
Cafeteira resolveu atacar a
governadora assim mesmo. Além de
insistir na acusação do
pagamento por uma estrada jamais
feita, ele pretende questionar o
próprio tratamento de saúde
feito por Roseana. "Tudo
não passou de uma jogada de
marketing", afirmou o
senador. Para aumentar a
confusão, o ex-deputado Ricardo
Murad (PDT), irmão de Jorge
Murad, o marido de Roseana,
candidato a senador na
coligação com Cafeteira,
anunciou que também vai
questionar a operação feita
pela cunhada.
O Maranhão tem
quatro candidatos ao Governo do
Estado. Roseana Sarney é apoiada
por uma aliança de 13 partidos:
PFL, PMDB, PTB, PCdoB, PSL, PST,
PSC, PL, PAN, PSDC, PRTB, PSD e
PRP. Epitácio Cafeteira tem o
apoio de sete: PPB, PSDB, PDT,
PMN, PRN, PSB e PTdoB. Domingos
Dutra, do PT, conta apenas com a
adesão do PCB. E Marcos Silva,
do PSTU, não tem nenhum outro
partido a ajudá-lo.
As coligações
feitas no Maranhão diferem de
quase todas as dos demais
Estados, além das nacionais, de
sustentação das candidaturas a
presidente da República de
Fernando Henrique e de Luiz
Inácio Lula da Silva. O PSDB, do
presidente Fernando Henrique,
está coligado com o PPB de
Cafeteira, ao lado do PDT e do
PSB, que apóiam Lula. O PCdoB,
outro partido aliado de Lula, no
Maranhão está com PFL, de
Roseana e de FHC.
O PT ficou
sozinho com o PCB. O candidato
petista é o vice-prefeito de
São Luís, o ex-deputado
Domingos Dutra. A curiosidade é
que Dutra não conversa com o
prefeito, o brizolista Jackson
Lago, aliado de Cafeteira. Há
quatro meses Dutra não só se
nega a dirigir a palavra a Lago,
mas também o acusa de
irregularidades. Em resposta, o
prefeito cortou as verbas do
vice. Dutra está à míngua.
Hoje, a Vice-Prefeitura tem só
um aparelho telefônico
funcionando.
Por causa da
briga com o prefeito, o PT
proibiu seus integrantes de
participar do Governo de Jackson
Lago. Todos os que ocupavam
qualquer tipo de cargo tiveram de
renunciar. Quem não o fizesse
até a véspera da final da Copa
da França seria sumariamente
expulso. Só Domingos Dutra vai
ficar na Prefeitura. "Eu
renunciei ao cargo de deputado
federal para salvar o Jackson
Lago", disse ele.
"Agora, não renuncio
mais."
Como é
vice-prefeito, Domingos Dutra
não precisa
desincompatibilizar-se, embora
seja candidato ao cargo de
governador. A candidata a vice de
Cafeteira é Clay Lago, médica,
mulher do prefeito brizolista. O
vice rejeita qualquer
possibilidade de seguir o caminho
do parceiro PCdoB e ir para os
braços de Roseana. "Ela é
a legítima representante da
oligarquia do senador José
Sarney", afirmou.