CANGAÇO
ECT
revela história sobre Lampião Sessenta anos após a
sua morte, a história de
Lampião pelo Sertão nordestino
ainda não foi de toda contada.
Um documento recentemente
encontrado nos arquivos da
Empresa de Correios e Telégrafos
reforça esta tese. O material,
na verdade um processo onde
estão registrados roubos de
malas postais ocorridos entre os
anos de 1926/27, indica, por
exemplo, que na década de 20 o
bando de Virgulino Ferreira da
Silva já era formado por mais de
cem homens. A revelação acabou
surpreendendo até mesmo as netas
de Lampião, Sandra e Vera
Ferreira, que vêm reunindo o
acervo referente ao avô no Museu
Memorial de Sergipe (Universidade
de Tiradentes), na cidade de
Aracaju.
O documento,
apesar de ser um relato técnico,
foi recebido como uma
contribuição substancial por
Sandra Ferreira. "Havia uma
grande dúvida entre os
pesquisadores se naquela época
(1926) Lampião já tinha um
grupo tão grande", avalia.
Essa revelação, no entanto,
poderia ter deixado de se tornar
pública caso não fosse o toque
do acaso. "Estava em um bar
na rua Sete de Setembro, quando
comecei a escutar a conversa das
pessoas que estavam na mesa ao
lado. Eram três funcionários
dos Correios que falavam de
processos, entre eles, um sobre
Lampião", disse o artista
plástico, Luís Pessoa. Apesar
dos esforços, ele não conseguiu
os originais (hoje com o
historiador Frederico
Pernambucano de Melo) mas a
cópia liberada pela ECT acabou
sendo cedida ao museu sergipano.
O documento
resgatado, em suas 86 folhas,
mostra também o temor causado
pelo bando de Lampião na
população sertaneja. No
processo de número 3.350, de
março de 1927, o agente dos
Correios de Jatobá alertava à
polícia, via telégrafo, para o
pânico causado por Lampião
"que ameaçava cometer
depredação a esta cidade".
Em outro caso, ao comentar o
roubo de 346$500, o administrador
da localidade de Villa Bella,
Benvindo Loreto, assegurava que a
região estava "infestada
por aquele bando sinistro"
(no caso, o de Lampião).
CANGAÇO -
Dentro das comemorações dos 60
anos da morte de Virgulino
Ferreira da Silva, morto numa
emboscada no dia 28 de julho, na
Fazenda de Angicos, Sergipe,
será realizado naquele estado, o
I Seminário sobre a História do
Cangaço. O evento acontecerá
entre os dias 24 e 28 deste mês
e trabalhará o cangaço enquanto
movimento social. Pessoas
consideradas referências
históricas do cangaço, como
Sila, Adília, Candeeiro
(ex-cangaceiros), Expedita
Ferreira, filha de Lampião e
Maria Bonita, historiadores e
ex-volantes participarão dos
debates.