-- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 12 de julho de 1998

CANGAÇO
ECT revela história sobre Lampião

Sessenta anos após a sua morte, a história de Lampião pelo Sertão nordestino ainda não foi de toda contada. Um documento recentemente encontrado nos arquivos da Empresa de Correios e Telégrafos reforça esta tese. O material, na verdade um processo onde estão registrados roubos de malas postais ocorridos entre os anos de 1926/27, indica, por exemplo, que na década de 20 o bando de Virgulino Ferreira da Silva já era formado por mais de cem homens. A revelação acabou surpreendendo até mesmo as netas de Lampião, Sandra e Vera Ferreira, que vêm reunindo o acervo referente ao avô no Museu Memorial de Sergipe (Universidade de Tiradentes), na cidade de Aracaju.

O documento, apesar de ser um relato técnico, foi recebido como uma contribuição substancial por Sandra Ferreira. "Havia uma grande dúvida entre os pesquisadores se naquela época (1926) Lampião já tinha um grupo tão grande", avalia. Essa revelação, no entanto, poderia ter deixado de se tornar pública caso não fosse o toque do acaso. "Estava em um bar na rua Sete de Setembro, quando comecei a escutar a conversa das pessoas que estavam na mesa ao lado. Eram três funcionários dos Correios que falavam de processos, entre eles, um sobre Lampião", disse o artista plástico, Luís Pessoa. Apesar dos esforços, ele não conseguiu os originais (hoje com o historiador Frederico Pernambucano de Melo) mas a cópia liberada pela ECT acabou sendo cedida ao museu sergipano.

O documento resgatado, em suas 86 folhas, mostra também o temor causado pelo bando de Lampião na população sertaneja. No processo de número 3.350, de março de 1927, o agente dos Correios de Jatobá alertava à polícia, via telégrafo, para o pânico causado por Lampião "que ameaçava cometer depredação a esta cidade". Em outro caso, ao comentar o roubo de 346$500, o administrador da localidade de Villa Bella, Benvindo Loreto, assegurava que a região estava "infestada por aquele bando sinistro" (no caso, o de Lampião).

CANGAÇO - Dentro das comemorações dos 60 anos da morte de Virgulino Ferreira da Silva, morto numa emboscada no dia 28 de julho, na Fazenda de Angicos, Sergipe, será realizado naquele estado, o I Seminário sobre a História do Cangaço. O evento acontecerá entre os dias 24 e 28 deste mês e trabalhará o cangaço enquanto movimento social. Pessoas consideradas referências históricas do cangaço, como Sila, Adília, Candeeiro (ex-cangaceiros), Expedita Ferreira, filha de Lampião e Maria Bonita, historiadores e ex-volantes participarão dos debates.


 

 

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