PERSONAGEM
Tremendão
do Pajeú sonha em criar o museu
da Jovem Guardapor GIOVANNI SÁ
Especial para o JC
SERRA
TALHADA - Imagine estar no
túnel do tempo e poder ouvir as
primeiras músicas gravadas por
ídolos da MPB como Roberto
Carlos, Jerry Adriani, Vandérlea
ou Golden Boys. E mais. Manusear
vasto material bibliográfico e
ainda por cima poder assistir
filmes com cenas inéditas do
período da Jovem Guarda.
Essa
possibilidade, um deleite para os
amantes dos anos 60,
transformou-se no ofício de vida
do metalúrgico Zacarias Cabral
da Silva, 44 anos, que guarda em
sua residência 5.500 discos de
vinil em perfeito estado e não
abre mão de concretizar um
antigo sonho: inaugurar, neste
município, o primeiro museu da
Jovem Guarda do Nordeste.
"Poder de
fogo" para tornar o Museu da
Jovem Guarda um fato concreto,
Zacarias garante ter. Além dos
5.500 discos de vinil, o
colecionador apresenta como
relíquia, por exemplo, a
primeira música gravada por
Roberto Carlos ("Fora de
Tom"), os primeiros discos
dos The Fevers, Renato e seus
Blues Caps além de mais de 50
livros sobre o movimento,
revistas, fotografias e recortes
de jornais."A idéia é
fundar uma biblioteca para
pesquisa. Existem também fitas
cassetes e vídeos com imagens da
Jovem Guarda", enfatiza. A
proposta é montar o museu na
própia casa.
Sua vontade, no
entanto, esbarra na falta de
apoio para estruturar o espaço.
Enquanto corre atrás da
necessária ajuda financeira,
Zacarias da Silva tem que se
contentar em ver o seu acervo
encaixotado. Seus discos apenas
são remexidos quando aparecem
alguns curiosos, ou aos domingos,
no momento em que ele apresenta o
"Sempre Jovem Guarda"
programa semanal veiculado pela
Rádio Cultura. É geralmente
durante o programa que Zacarias
demonstra o quanto conhece sobre
aquele movimento da MPB.
"Tudo começou com os discos
de Roberto Carlos", recorda.
AMIZADES -
A fascinação deste sertanejo,
que morou por 23 anos no Rio de
Janeiro, lhe rendeu grandes
amizades e, com elas, fotos
consideradas
"históricas" que já
integram o acervo do museu. Entre
as preferidas, as que registram o
colecionador ao lado de artistas
como Roberto Carlos, Vanusa,
Marcus Antônio (já falecido),
Pelé, Tostão, Rivelino e a do
ex-Beatle George Harrison. A
esposa de Zacarias, Maria
Aparecida Teodora, 26 anos, que
prefere um estilo mais atual,
como o dos Raimundo e Gabriel o
Pensador, sabe bem o que é
conviver com um apaixonado pela
Jovem Guarda. "Ele mal me
deixa pegar nas capas dos discos.
É muito ciumento com tudo
isto", assegura.
Como qualquer
fã que vivenciou os sucessos dos
anos 60, Zacarias não deseja
apenas ficar com o museu. No
próximo ano 2000 a Jovem Guarda
completará 35 anos. O
colecionador garante que a data
não passará em branco.
"Já tenho pronto um livro
que contém toda a biografia do
movimento. Até lá, foi lançar
o livro", garante. Para quem
foi seduzido por melodias doces e
românticas, um sonho a mais não
faz muita diferença. Este
romântico inveterado diz que
não abdicará de seus desejos.
Para isso, espera contar com a
ajuda dos milhares de fãs da
Jovem Guarda espalhados pelo
país.