-- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 12 de julho de 1998

PERSONAGEM
Tremendão do Pajeú sonha em criar o museu da Jovem Guarda

por GIOVANNI SÁ
Especial para o JC

SERRA TALHADA - Imagine estar no túnel do tempo e poder ouvir as primeiras músicas gravadas por ídolos da MPB como Roberto Carlos, Jerry Adriani, Vandérlea ou Golden Boys. E mais. Manusear vasto material bibliográfico e ainda por cima poder assistir filmes com cenas inéditas do período da Jovem Guarda.

Essa possibilidade, um deleite para os amantes dos anos 60, transformou-se no ofício de vida do metalúrgico Zacarias Cabral da Silva, 44 anos, que guarda em sua residência 5.500 discos de vinil em perfeito estado e não abre mão de concretizar um antigo sonho: inaugurar, neste município, o primeiro museu da Jovem Guarda do Nordeste.

"Poder de fogo" para tornar o Museu da Jovem Guarda um fato concreto, Zacarias garante ter. Além dos 5.500 discos de vinil, o colecionador apresenta como relíquia, por exemplo, a primeira música gravada por Roberto Carlos ("Fora de Tom"), os primeiros discos dos The Fevers, Renato e seus Blues Caps além de mais de 50 livros sobre o movimento, revistas, fotografias e recortes de jornais."A idéia é fundar uma biblioteca para pesquisa. Existem também fitas cassetes e vídeos com imagens da Jovem Guarda", enfatiza. A proposta é montar o museu na própia casa.

Sua vontade, no entanto, esbarra na falta de apoio para estruturar o espaço. Enquanto corre atrás da necessária ajuda financeira, Zacarias da Silva tem que se contentar em ver o seu acervo encaixotado. Seus discos apenas são remexidos quando aparecem alguns curiosos, ou aos domingos, no momento em que ele apresenta o "Sempre Jovem Guarda" programa semanal veiculado pela Rádio Cultura. É geralmente durante o programa que Zacarias demonstra o quanto conhece sobre aquele movimento da MPB. "Tudo começou com os discos de Roberto Carlos", recorda.

AMIZADES - A fascinação deste sertanejo, que morou por 23 anos no Rio de Janeiro, lhe rendeu grandes amizades e, com elas, fotos consideradas "históricas" que já integram o acervo do museu. Entre as preferidas, as que registram o colecionador ao lado de artistas como Roberto Carlos, Vanusa, Marcus Antônio (já falecido), Pelé, Tostão, Rivelino e a do ex-Beatle George Harrison. A esposa de Zacarias, Maria Aparecida Teodora, 26 anos, que prefere um estilo mais atual, como o dos Raimundo e Gabriel o Pensador, sabe bem o que é conviver com um apaixonado pela Jovem Guarda. "Ele mal me deixa pegar nas capas dos discos. É muito ciumento com tudo isto", assegura.

Como qualquer fã que vivenciou os sucessos dos anos 60, Zacarias não deseja apenas ficar com o museu. No próximo ano 2000 a Jovem Guarda completará 35 anos. O colecionador garante que a data não passará em branco. "Já tenho pronto um livro que contém toda a biografia do movimento. Até lá, foi lançar o livro", garante. Para quem foi seduzido por melodias doces e românticas, um sonho a mais não faz muita diferença. Este romântico inveterado diz que não abdicará de seus desejos. Para isso, espera contar com a ajuda dos milhares de fãs da Jovem Guarda espalhados pelo país.


 

 

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