PROJETO
Um
parque que vai dar o que falarpor SÉRGIO ROBERTO
LIMA
No ano 2000,
quando o Brasil inteiro estiver
comemorando os 500 anos de seu
descobrimento, Pernambuco vai
ganhar uma obra que promete
provocar bastante discussão em
torno do feito de Pedro Álvares
Cabral. O motivo será o Parque
Vicente Pinzón, que será
construído no município do
Cabo, entre as praias de Enseada
e Calhetas. Foi exatamente ali,
em 26 de janeiro de 1500 - três
meses, portanto, antes de Cabral
- onde, segundo estudos mais
recentes, o navegador espanhol
Vicente Yáñez Pinzón aportou
no Brasil.
A idéia da
criação do parque foi do
empresário Antonio Camelo, um
apaixonado pelas histórias de
navegações. Quase todas as
atrações do complexo de
diversão lembrará Vicente
Pinzón e sua descoberta
não-oficial. No ponto mais alto
da área, por exemplo, que tem 60
metros de altura, será edificada
uma réplica do farol que existe
na cidade espanhola de Palos,
terra-natal de Pinzón e que,
além de ter a função de
caixa-d'água, servirá de
mirante. De lá, será possível
avistar as praias de Piedade, Boa
Viagem e os contornos dos morros
de Olinda, que, na época de
Pinzón, não passavam
logicamente de um mar de Mata
Atlântica.
"Dez dos
16 hectares da área serão
reservados para o cultivo da Mata
Atlântica", diz o
empresário Antonio Camelo. Uma
parte dessa área está
totalmente degradada e a
intenção é fazer um
reflorestamento para, juntamente
com os trechos ainda preservados,
servir para caminhadas dos
turistas mais apaixonados por
aventura. "Outra parte
servirá só para estudos da
flora e da fauna da
região".
A principal
atração do Parque Vicente
Pinzón será uma réplica em
tamanho natural da caravela Nina,
na qual Pinzón chegou ao Brasil.
A construção terá 6,8 metros
de largura por 22 de comprimento
e o único meio para chegar até
ela será um teleférico de 250
metros de comprimento. Ali
funcionará um museu onde os
visitantes poderão saber
detalhes da vida do patrono do
parque, além de conhecer
"os descobrimentos" do
Brasil e outras incursões
marítimas pelo mundo.
Mas não será
apenas a cultura espanhola que
servirá de tema para as
atrações do parque. O traço de
pernambucanidade estará numa
praça de eventos simulando uma
típica praça de cidade de
interior rodeada por pequenas
casas. Cada uma delas
representará um dos principais
municípios do estado, com venda
de artesanato, comidas típicas e
distribuição de material de
divulgação.
O arquiteto que
comandará as obras do parque é
Álvaro Moreira, outro apaixonado
pelas navegações. Em uma viagem
a Barcelona, na Espanha, ele
visitou o Museu Marítimo da
cidade. É lá onde está a
réplica da nau de Vicente
Pinzón e onde funciona uma
biblioteca com obras sobre as
principais descobertas marítimas
do mundo. Para ter detalhes da
vida de Vicente Pinzón, ele se
debruçou sobre dezenas de
livros, mapas antigos e plantas
de navios da época de ouro das
navegações espanholas e
lusitanas.
O arquiteto
lembra que os parques são áreas
muito importantes para uma
cidade. "O homem
pré-histórico já tinha uma
idéia de parque, quando
reservava uma área específica
para as caçadas, outra para os
cultos religiosos etc. E nós
somos carentes em parques",
explica Álvaro Moreira, citando
o Parque Ibirapuera,em São
Paulo, e o Parque Güel, em
Barcelona, criação de Gaudi.
A aventura do
arquiteto e de Antonio Camelo
agora é tentar algum apoio
financeiro para conseguir pelo
menos uma parte da quantia de R$
1 milhão previsto para a
construção do parque.
"Estamos agendando reuniões
com representantes do governo
espanhol", adianta o
empresário. A previsão é que o
parque seja inaugurado exatamente
na data em que Pinzón chegou ao
Cabo.