- - - -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 09 de julho de 1998

PROJETO
Um parque que vai dar o que falar

por SÉRGIO ROBERTO LIMA

No ano 2000, quando o Brasil inteiro estiver comemorando os 500 anos de seu descobrimento, Pernambuco vai ganhar uma obra que promete provocar bastante discussão em torno do feito de Pedro Álvares Cabral. O motivo será o Parque Vicente Pinzón, que será construído no município do Cabo, entre as praias de Enseada e Calhetas. Foi exatamente ali, em 26 de janeiro de 1500 - três meses, portanto, antes de Cabral - onde, segundo estudos mais recentes, o navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzón aportou no Brasil.

A idéia da criação do parque foi do empresário Antonio Camelo, um apaixonado pelas histórias de navegações. Quase todas as atrações do complexo de diversão lembrará Vicente Pinzón e sua descoberta não-oficial. No ponto mais alto da área, por exemplo, que tem 60 metros de altura, será edificada uma réplica do farol que existe na cidade espanhola de Palos, terra-natal de Pinzón e que, além de ter a função de caixa-d'água, servirá de mirante. De lá, será possível avistar as praias de Piedade, Boa Viagem e os contornos dos morros de Olinda, que, na época de Pinzón, não passavam logicamente de um mar de Mata Atlântica.

"Dez dos 16 hectares da área serão reservados para o cultivo da Mata Atlântica", diz o empresário Antonio Camelo. Uma parte dessa área está totalmente degradada e a intenção é fazer um reflorestamento para, juntamente com os trechos ainda preservados, servir para caminhadas dos turistas mais apaixonados por aventura. "Outra parte servirá só para estudos da flora e da fauna da região".

A principal atração do Parque Vicente Pinzón será uma réplica em tamanho natural da caravela Nina, na qual Pinzón chegou ao Brasil. A construção terá 6,8 metros de largura por 22 de comprimento e o único meio para chegar até ela será um teleférico de 250 metros de comprimento. Ali funcionará um museu onde os visitantes poderão saber detalhes da vida do patrono do parque, além de conhecer "os descobrimentos" do Brasil e outras incursões marítimas pelo mundo.

Mas não será apenas a cultura espanhola que servirá de tema para as atrações do parque. O traço de pernambucanidade estará numa praça de eventos simulando uma típica praça de cidade de interior rodeada por pequenas casas. Cada uma delas representará um dos principais municípios do estado, com venda de artesanato, comidas típicas e distribuição de material de divulgação.

O arquiteto que comandará as obras do parque é Álvaro Moreira, outro apaixonado pelas navegações. Em uma viagem a Barcelona, na Espanha, ele visitou o Museu Marítimo da cidade. É lá onde está a réplica da nau de Vicente Pinzón e onde funciona uma biblioteca com obras sobre as principais descobertas marítimas do mundo. Para ter detalhes da vida de Vicente Pinzón, ele se debruçou sobre dezenas de livros, mapas antigos e plantas de navios da época de ouro das navegações espanholas e lusitanas.

O arquiteto lembra que os parques são áreas muito importantes para uma cidade. "O homem pré-histórico já tinha uma idéia de parque, quando reservava uma área específica para as caçadas, outra para os cultos religiosos etc. E nós somos carentes em parques", explica Álvaro Moreira, citando o Parque Ibirapuera,em São Paulo, e o Parque Güel, em Barcelona, criação de Gaudi.

A aventura do arquiteto e de Antonio Camelo agora é tentar algum apoio financeiro para conseguir pelo menos uma parte da quantia de R$ 1 milhão previsto para a construção do parque. "Estamos agendando reuniões com representantes do governo espanhol", adianta o empresário. A previsão é que o parque seja inaugurado exatamente na data em que Pinzón chegou ao Cabo.


     

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