PROJETO II
O
outro lado do descobrimento do
BrasilQuem descobriu o Brasil?
Se a resposta era óbvia há
alguns anos, hoje já não é
dita com tanta convicção. Boa
parte dos historiadores chegam
mesmo a não ter mais dúvidas de
que os livros escolares estão
errados e houve outros
"descobrimentos do
Brasil" antes do oficial.
Na verdade, de
acordo com o historiador Sérgio
Buarque de Holanda, a menção ao
nome Brasil já vinha muito, mas
muito antes de 1500, quando os
Celtas contavam lendas se
referindo a uma "terra de
delícias" (não poderia
haver premonição mais
acertada!). Provado mesmo, no
entanto, só a referência a uma
tal de Ilha Brasil em mapas de
1339.
Mas o
comentário feito antes de 1500,
provavelmente se referindo a
terras tupiniquins, que mais
está causando frisson atualmente
é a do navegador espanhol
Vicente Yáñez Pinzón. Ele
partiu do Porto de Palos em
novembro de 1499 e, depois de
dois meses navegando, avistou um
ponto escuro que, mais de perto,
ele descreveu como "um dorso
de pedra". Para livrar a nau
das rochas, ele ancorou num local
mais confiável - a praia de
Calhetas.
Aliás, quem se
dispuser a folhear algum
dicionário de espanhol arcaico
vai descobrir que
"galheta" significa
"porto seguro". Os
baianos que nos perdoem, mas é
isso mesmo: o primeiro porto
seguro do Brasil está a 33
quilômetros do Recife.
O problema é
que, quando Pinzón retornou à
Espanha para comunicar o que
havia encontrado, lembraram-no de
que essas terras estavam a menos
de 370 léguas a oeste do
arquipélago de Cabo Verde. Era a
essa distância que passava uma
linha imaginária criada pelo
Tratado de Tordesilhas, assinado
em 1494 por Espanha e Portugal.
As regras eram: qualquer grão de
areia a oriente da linha de
Tordesilhas era conquista
lusitana. E esse era o caso do
Cabo de Santo Agostinho. Ou Santa
Maria da Consolação, como
batizou Pinzón.(S.R.L.)