MODA
Mulher
nordestina lembrada em desfilepor JOÃO LUIZ VIEIRA
e
PHELIPE RODRIGUES
E eis que
Eduardo Ferreira fez escola.
Dinho Batista "leu" o
sumário de alguma das pesquisas
antropológicas utilizadas pelo
conterrâneo, em sua incessante
busca (geralmente acertada) de
uma identidade estilística, e
tentou o mesmo impacto na
abertura do terceiro dia de
Recife Fashion Shopping. Até a
cabeça de boi, a própria
logomarca de Eduardo Ferreira,
aparece, explicitamente. Não foi
sugestão, a carcaça em si abriu
o desfile. Tsc, tsc. Mais
detalhes adiante.
Antes de Dinho
Batista, mais uma palestra: O
Mercado da Moda no Mundo.
Interessante pela abordagem,
continua deixando a platéia em
estilo "Nem aí".
Minutos depois, o que o povo
queria ver: roupa. Até agora, as
brincadeirinhas de passarela
tinham sido, digamos,
controladas. O estilista Dinho
Batista veio de homenagem à
mulher nordestina, com chitas,
palha de coco, ráfia, sisal.
Derramou-se em homenagens foi a
Eduardo Ferreira, isso sim.
O desfile, é
preciso admitir, teve atmosfera
(claro), e a trilha instrumental
(Bicho de Sete Cabeças, de
Geraldo Azevedo) ajudou a dar um
clima assim feira de interior, ou
de Peixinhos mesmo. Atirando para
todos os lados, acabou acertando
numa belíssima trama de fitas de
cetim (experimentada em saias e
tops). Superefeito e superusual.
Também apresentou peças em
ráfia e crochê que merecem
nosso aplauso.
Verão, ou
mesmo inverno, sem óculos
escuros, não passa. A Oculum
mostrou o que há de hi-tech nos
modelos lançados,
simultaneamente, no Primeiro
Mundo. A maioria traz
referências dos 60 e 70, com
muito Jackie O para as meninas e
Ray Ban reformulado para rapazes.
Armações vermelhas são
destaque.
Mais uma vez, o
índigo puro aparece nas calças,
que vai dar o tom populacho da
estação, com todo o mundo na
rua usando a mesma coisa. É
preciso ter o cuidado de
personalizar o visual, com
acessórios tipo "marca
registrada" para não correr
o risco de ser mais um (uma) no
batalhão de ovelhinhas clonadas.
A Blu-K, nessa área, não trouxe
qualquer autenticidade, com o
mesmo corte e costuras aparentes
de todas as outras. Afinal pode
ser ótima a cópia de um
agasalho de ginástica, sem
braços, com sobreposição em
tom contrastante. Até porque o
original custa bem caro.
A Dress é a
tradução local de Donna Karan,
com muito chamois sintético nos
vestidos e blusas inteiriços,
sequinhos, sem detalhes. O
comprimento no joelho e as
calças corsário vêm dos
desfiles internacionais, que não
funcionam bem para o tamanho da
mulher brasileira. A roupa de
noite é out fashioned, com saias
longas e esvoaçantes dando uma
cara 80 ao look. Hoje é o
último dia, apareça. No quarto
andar do edifício-garagem do
Shopping Center Recife, a partir
das 18h.