- - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - Jornal do Commercio - Recife, 12 de setembro de 1998

MODA
Mulher nordestina lembrada em desfile

por JOÃO LUIZ VIEIRA e
PHELIPE RODRIGUES

E eis que Eduardo Ferreira fez escola. Dinho Batista "leu" o sumário de alguma das pesquisas antropológicas utilizadas pelo conterrâneo, em sua incessante busca (geralmente acertada) de uma identidade estilística, e tentou o mesmo impacto na abertura do terceiro dia de Recife Fashion Shopping. Até a cabeça de boi, a própria logomarca de Eduardo Ferreira, aparece, explicitamente. Não foi sugestão, a carcaça em si abriu o desfile. Tsc, tsc. Mais detalhes adiante.

Antes de Dinho Batista, mais uma palestra: O Mercado da Moda no Mundo. Interessante pela abordagem, continua deixando a platéia em estilo "Nem aí". Minutos depois, o que o povo queria ver: roupa. Até agora, as brincadeirinhas de passarela tinham sido, digamos, controladas. O estilista Dinho Batista veio de homenagem à mulher nordestina, com chitas, palha de coco, ráfia, sisal. Derramou-se em homenagens foi a Eduardo Ferreira, isso sim.

O desfile, é preciso admitir, teve atmosfera (claro), e a trilha instrumental (Bicho de Sete Cabeças, de Geraldo Azevedo) ajudou a dar um clima assim feira de interior, ou de Peixinhos mesmo. Atirando para todos os lados, acabou acertando numa belíssima trama de fitas de cetim (experimentada em saias e tops). Superefeito e superusual. Também apresentou peças em ráfia e crochê que merecem nosso aplauso.

Verão, ou mesmo inverno, sem óculos escuros, não passa. A Oculum mostrou o que há de hi-tech nos modelos lançados, simultaneamente, no Primeiro Mundo. A maioria traz referências dos 60 e 70, com muito Jackie O para as meninas e Ray Ban reformulado para rapazes. Armações vermelhas são destaque.

Mais uma vez, o índigo puro aparece nas calças, que vai dar o tom populacho da estação, com todo o mundo na rua usando a mesma coisa. É preciso ter o cuidado de personalizar o visual, com acessórios tipo "marca registrada" para não correr o risco de ser mais um (uma) no batalhão de ovelhinhas clonadas. A Blu-K, nessa área, não trouxe qualquer autenticidade, com o mesmo corte e costuras aparentes de todas as outras. Afinal pode ser ótima a cópia de um agasalho de ginástica, sem braços, com sobreposição em tom contrastante. Até porque o original custa bem caro.

A Dress é a tradução local de Donna Karan, com muito chamois sintético nos vestidos e blusas inteiriços, sequinhos, sem detalhes. O comprimento no joelho e as calças corsário vêm dos desfiles internacionais, que não funcionam bem para o tamanho da mulher brasileira. A roupa de noite é out fashioned, com saias longas e esvoaçantes dando uma cara 80 ao look. Hoje é o último dia, apareça. No quarto andar do edifício-garagem do Shopping Center Recife, a partir das 18h.


     

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