-- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 12 de setembro de 1998

EFEITOS DA CRISE II
Caixa dificulta acesso à carta de crédito

BRASÍLIA - A Caixa Econômica Federal suspendeu temporariamente todas as operações de crédito na área comercial e está orientando as pessoas interessadas no financiamento habitacional a aguardarem a estabilização do mercado. Isso significa que estão interrompidos todos os empréstimos à pessoa física para compra de carro ou eletrodoméstico ou mesmo financiamentos pessoais para pagar dívidas no cheque especial. Essa decisão foi adotada um dia depois de o Governo Federal aumentar as taxas de juros de 29,75% para 49,75% ao ano.

A intenção do Governo Federal, com o aumento dos juros, foi evitar uma fuga maior de capital estrangeiro do Brasil. A suspensão do crediário adotada pela Caixa Econômica Federal é uma tentativa de proteger os mutuários e a própria instituição da inadimplência. Com as altas taxas de juros, não é recomendável o aumento de dívidas.

Os empréstimos da carteira imobiliária não serão interrompidos, mas os gerentes vão recomendar cautela porque a TR (Taxa Referencial), que é calculada pela média das taxas pagas pelos bancos nos CDBs (Certificados de Depósito Bancário), tende a subir. A perspectiva é que a TR, que estava projetada em 1,2% para 30 dias, deverá chegar a 2% ao mês.

O impacto do aumento dessa taxa sobre os contratos imobiliários do SFH (Sistema Financeiro da Habitação) será no saldo devedor. É que ele é corrigido a cada mês, diferentemente das prestações. Pelo contrato de comprometimento de renda, a correção é mensal ou trimestral. Já pelo sistema de equivalência salarial, o reajuste ocorre na data-base da categoria do mutuário.

LIMITE - O aumento das taxas de juros vai limitar o volume de financiamentos para a casa própria, na avaliação do diretor de Crédito Imobiliário e Poupança do Banco Real, Antonio Luiz Candal. Ele explica que a alta das taxas de juros aumenta o risco de crédito e que isso levará as instituições a aumentarem a seletividade na aprovação dos financiamentos.

Candal diz que ainda é cedo para avaliar o tamanho desse impacto no volume de financiamento. "A alta de juros tem impacto positivo para quem tem aplicações e negativo para quem tem uma dívida. São os dois lados dos juros".

IMÓVEIS - O presidente do Secovi (Sindicato da Habitação de São Paulo), Walter Lafemina, disse que o momento não é apropriado para vender imóveis por causa da alta nas taxas de juros. Segundo ele, a expectativa é de redução no volume de vendas do setor imobiliário. Ele afirma que o trabalhador vai ficar preocupado com o seu emprego e hesitará em fazer um investimento neste momento de crise. Ele acredita que essas taxas de juros deverão ficar elevadas nos próximos 60 dias e quem puder deve evitar comercializar imóveis.

Lafemina disse que o vendedor apressado talvez precise baixar os preços para interessar os investidores de alta renda. O momento é propício para aplicações nas cadernetas de poupança, mas a correção pela Taxa Referencial deverá acarretar maior desembolso por parte do mutuário do Sistema Financeiro da Habitação.


     

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes