EFEITOS DA CRISE II
Caixa
dificulta acesso à carta de
créditoBRASÍLIA - A
Caixa Econômica Federal
suspendeu temporariamente todas
as operações de crédito na
área comercial e está
orientando as pessoas
interessadas no financiamento
habitacional a aguardarem a
estabilização do mercado. Isso
significa que estão
interrompidos todos os
empréstimos à pessoa física
para compra de carro ou
eletrodoméstico ou mesmo
financiamentos pessoais para
pagar dívidas no cheque
especial. Essa decisão foi
adotada um dia depois de o
Governo Federal aumentar as taxas
de juros de 29,75% para 49,75% ao
ano.
A intenção do
Governo Federal, com o aumento
dos juros, foi evitar uma fuga
maior de capital estrangeiro do
Brasil. A suspensão do
crediário adotada pela Caixa
Econômica Federal é uma
tentativa de proteger os
mutuários e a própria
instituição da inadimplência.
Com as altas taxas de juros, não
é recomendável o aumento de
dívidas.
Os empréstimos
da carteira imobiliária não
serão interrompidos, mas os
gerentes vão recomendar cautela
porque a TR (Taxa Referencial),
que é calculada pela média das
taxas pagas pelos bancos nos CDBs
(Certificados de Depósito
Bancário), tende a subir. A
perspectiva é que a TR, que
estava projetada em 1,2% para 30
dias, deverá chegar a 2% ao
mês.
O impacto do
aumento dessa taxa sobre os
contratos imobiliários do SFH
(Sistema Financeiro da
Habitação) será no saldo
devedor. É que ele é corrigido
a cada mês, diferentemente das
prestações. Pelo contrato de
comprometimento de renda, a
correção é mensal ou
trimestral. Já pelo sistema de
equivalência salarial, o
reajuste ocorre na data-base da
categoria do mutuário.
LIMITE -
O aumento das taxas de juros vai
limitar o volume de
financiamentos para a casa
própria, na avaliação do
diretor de Crédito Imobiliário
e Poupança do Banco Real,
Antonio Luiz Candal. Ele explica
que a alta das taxas de juros
aumenta o risco de crédito e que
isso levará as instituições a
aumentarem a seletividade na
aprovação dos financiamentos.
Candal diz que
ainda é cedo para avaliar o
tamanho desse impacto no volume
de financiamento. "A alta de
juros tem impacto positivo para
quem tem aplicações e negativo
para quem tem uma dívida. São
os dois lados dos juros".
IMÓVEIS -
O presidente do Secovi (Sindicato
da Habitação de São Paulo),
Walter Lafemina, disse que o
momento não é apropriado para
vender imóveis por causa da alta
nas taxas de juros. Segundo ele,
a expectativa é de redução no
volume de vendas do setor
imobiliário. Ele afirma que o
trabalhador vai ficar preocupado
com o seu emprego e hesitará em
fazer um investimento neste
momento de crise. Ele acredita
que essas taxas de juros deverão
ficar elevadas nos próximos 60
dias e quem puder deve evitar
comercializar imóveis.
Lafemina disse
que o vendedor apressado talvez
precise baixar os preços para
interessar os investidores de
alta renda. O momento é
propício para aplicações nas
cadernetas de poupança, mas a
correção pela Taxa Referencial
deverá acarretar maior
desembolso por parte do mutuário
do Sistema Financeiro da
Habitação.