EFEITOS DA CRISE III
Mutuário
absorverá aumento do saldo
devedorOs mutuários do Sistema
Financeiro da Habitação (SFH)
terão que absorver o aumento das
taxas de juros, determinado ontem
pelo Governo Federal, no saldo
devedor de seus financiamentos,
segundo o superintente da Caixa,
Itamar Jardim. O repasse acontece
porque estes contratos são
corrigidos pela Taxa Referencial
(TR), que varia de acordo com a
alta ou baixa das taxas básicas
da economia. Os mutuários estão
bem lembrados da alta que
enfrentaram em outubro do ano
passado, quando, devido a crise
da Ásia, o Governo promoveu o
primeiro aumento de juros do
Plano Real.
Mais uma vez,
os atingidos serão os contratos
que estão ainda por fazer
aniversário, quando serão
reajustados. Ontem, este aumento
ficou em 0,6%, mas pode ser
maior. Isto porque a TR de hoje
será anunciada na terça-feira,
daqui a dois dias úteis, como
estabelece a regulamentação da
taxa. A expectativa é que a TR,
que no início da semana era de
0,7%, fique em torno de 2%.
Os compradores
de imóvel através do sistema de
autofinanciamento, ou seja,
direto com o incorporador, não
serão atingidos pelo aumento dos
juros. Estes contratos são
reajustados com juros mensais de
1% e pelo Índice Nacional da
Construção Civil (INCC), sem a
incidência da TR. "Esta
alta dos juros não muda nada
para os incorporadores e nem
poderia mudar, uma vez que a
construção de imóveis tem sido
feita sem empréstimos
bancários", explica o
vice-presidente do Sindicato da
Indústria da Construção Civil
(Sinduscon), Antônio Carrilho.
A expectativa
dos empresários é que, nos
próximos meses, o INCC tenha um
resultado negativo, semelhante a
uma deflação, provocado por uma
baixa nos preços dos insumos da
construção. Se a hipótese se
confirmar, os contratos
corrigidos por este índice
poderão ter seus valores
reduzidos.