-- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 12 de setembro de 1998

EFEITOS DA CRISE V
Consumidor deve evitar compras a crédito

O momento exige cautela e o consumidor deve evitar a compra a crédito, pois os juros devem subir, apesar de já estarem em patamares muito altos. Essa é opinião de comerciantes e economistas que avaliaram os reflexos do aumento das taxas de juros anunciado na última quinta-feira pelo Banco Central. Se optar por fazer uma compra com diversas parcelas, o consumidor vai verificar, na ponta do lápis, que o custo final da mercadoria ficará bem acima do preço à vista, mesmo que as financeiras ainda não tenham definido as suas novas taxas.

De acordo com o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL), Paulo Maranhão, as taxas do mercado, que estavam em uma média de 7% a 8% ao mês, deverão passar para algo em torno de 10% a 11%. "Se a situação já preocupava muito o varejo, agora, esse temor aumentou", explica. Ele ainda afirma que o tipo de medida que foi tomada pelo Governo Federal desestimulam o cliente.

O lojista, segundo Maranhão, também vai passar por dificuldades pois antes os bancos cobravam taxas de 3% a 3,5% para descontar duplicatas. Na semana passada, esse percentual pulou para 5% e a expectativa é que suba para 6%. Segundo o presidente, é difícil que esse custo não seja repassado, pelo menos em parte, para o consumidor. O proprietário das Casas Marajá, Slaibe Hatem, reforça essa tese. Para as compras em até dez meses, através do cheque pré-datado, a Marajá cobrava um juro de 2,9%. Ele acredita que, a partir dessa semana, terá que aumentar esse juro para 3,9%. "Mesmo assim, teremos que bancar uma parte do custo do dinheiro, pois do contrário a elevação teria que ser maior e o consumidor iria fugir do mercado", afirma o empresário.

CRÉDITO - Entre as opções para os consumidores que não têm dinheiro suficiente em caixa e precisam comprar algum produto, que não seja supérfluo, o ideal é procurar as empresas que ofereçam crédito sem juros. Isso acontece nas lojas que podem bancar o crédito, ou conseguem um prazo maior junto aos fornecedores, e dividem as compras em até três vezes pelo mesmo preço de à vista. Para quem não tem tanta urgência uma alternativa seria poupar o dinheiro até ter o suficiente para comprar à vista.

O diretor da Finacap, Murilo Lacerda, aponta que nesse momento, o consumidor dever aguardar um pouco tanto para comprar, como para tomar empréstimos ou realizar investimentos. Ele acredita que os juros não devem ser mantidos em patamares elevados durante muito tempo pois o custo para o Governo Federal administrar a dívida pública seria muito alto também.

Para quem compra no cartão de crédito também impera a indefinição sobre os futuros aumentos nos juros. Isso só vai acontecer na próxima semana, quando as administradoras precisarem recorrer ao mercado financeiro para captar recursos para sua manutenção. Aí é que as coisas serão definidas.

Para quem compra no cartão de uma só vez, nada muda. Para quem for usar o crédito rotativo, é esperar para ver. E o usuário que está pensando em atrasar o pagamento da sua fatura é melhor ter cuidado; os juros do atraso só são pagos no próximo vencimento e até lá eles já serão maiores.


     

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