EFEITOS DA CRISE V
Consumidor
deve evitar compras a créditoO momento exige cautela
e o consumidor deve evitar a
compra a crédito, pois os juros
devem subir, apesar de já
estarem em patamares muito altos.
Essa é opinião de comerciantes
e economistas que avaliaram os
reflexos do aumento das taxas de
juros anunciado na última
quinta-feira pelo Banco Central.
Se optar por fazer uma compra com
diversas parcelas, o consumidor
vai verificar, na ponta do
lápis, que o custo final da
mercadoria ficará bem acima do
preço à vista, mesmo que as
financeiras ainda não tenham
definido as suas novas taxas.
De acordo com o
presidente da Federação das
Câmaras de Dirigentes Lojistas
(FCDL), Paulo Maranhão, as taxas
do mercado, que estavam em uma
média de 7% a 8% ao mês,
deverão passar para algo em
torno de 10% a 11%. "Se a
situação já preocupava muito o
varejo, agora, esse temor
aumentou", explica. Ele
ainda afirma que o tipo de medida
que foi tomada pelo Governo
Federal desestimulam o cliente.
O lojista,
segundo Maranhão, também vai
passar por dificuldades pois
antes os bancos cobravam taxas de
3% a 3,5% para descontar
duplicatas. Na semana passada,
esse percentual pulou para 5% e a
expectativa é que suba para 6%.
Segundo o presidente, é difícil
que esse custo não seja
repassado, pelo menos em parte,
para o consumidor. O
proprietário das Casas Marajá,
Slaibe Hatem, reforça essa tese.
Para as compras em até dez
meses, através do cheque
pré-datado, a Marajá cobrava um
juro de 2,9%. Ele acredita que, a
partir dessa semana, terá que
aumentar esse juro para 3,9%.
"Mesmo assim, teremos que
bancar uma parte do custo do
dinheiro, pois do contrário a
elevação teria que ser maior e
o consumidor iria fugir do
mercado", afirma o
empresário.
CRÉDITO -
Entre as opções para os
consumidores que não têm
dinheiro suficiente em caixa e
precisam comprar algum produto,
que não seja supérfluo, o ideal
é procurar as empresas que
ofereçam crédito sem juros.
Isso acontece nas lojas que podem
bancar o crédito, ou conseguem
um prazo maior junto aos
fornecedores, e dividem as
compras em até três vezes pelo
mesmo preço de à vista. Para
quem não tem tanta urgência uma
alternativa seria poupar o
dinheiro até ter o suficiente
para comprar à vista.
O diretor da
Finacap, Murilo Lacerda, aponta
que nesse momento, o consumidor
dever aguardar um pouco tanto
para comprar, como para tomar
empréstimos ou realizar
investimentos. Ele acredita que
os juros não devem ser mantidos
em patamares elevados durante
muito tempo pois o custo para o
Governo Federal administrar a
dívida pública seria muito alto
também.
Para quem
compra no cartão de crédito
também impera a indefinição
sobre os futuros aumentos nos
juros. Isso só vai acontecer na
próxima semana, quando as
administradoras precisarem
recorrer ao mercado financeiro
para captar recursos para sua
manutenção. Aí é que as
coisas serão definidas.
Para quem
compra no cartão de uma só vez,
nada muda. Para quem for usar o
crédito rotativo, é esperar
para ver. E o usuário que está
pensando em atrasar o pagamento
da sua fatura é melhor ter
cuidado; os juros do atraso só
são pagos no próximo vencimento
e até lá eles já serão
maiores.