EFEITOS DA CRISE VI
Financeiras
definirão novas taxasAlgumas financeiras do
mercado paralisaram suas
atividades durante a sexta-feira,
enquanto os seus diretores se
matavam em frente às
calculadoras para definir uma
nova taxa de juro tanto para as
vendas a crédito do varejo como
para os empréstimos pessoais. A
previsão é que na próxima
segunda-feira, ou no máximo na
terça, as filiais de todo o
país já tenham uma definição.
Por enquanto fica só a
expectativa e a controvérsia em
relação à proporção do
aumento.
Para o diretor
da Finacap, Murilo Lacerda, as
financeiras não deverão
aparecer com grandes aumentos,
pois o patamar dos juros
praticados no mercado, em média
8%, já está muito alto. Segundo
ele, nem reduções gradativas
promovidas pelo Banco Central,
nem a diminuição do Imposto
sobre Operações Financeiras
(IOF) conseguiram derrubar os
juros do varejo nos meses que
antecederam à crise russa.
Por isso, o
novo aumento não teria grandes
influências já que as empresas
tiveram ganhos que não foram
repassados ao consumidor. Além
disso, Lacerda aposta que a taxa
referencial ficará em 49,75% por
um breve período e que algumas
novas medidas em nível mundial
vão favorecer essa diminuição.
Por outro lado,
o consultor Osni Garcia de Lima,
da Ernst & Young, aposta em
um aumento mais considerável dos
juros. Para ele, todo o custo do
capital será repassado para as
taxas.
Osni também
acredita que a concorrência
entre financeiras e lojistas
servirão como parâmetro para a
definição desses juros. Ou
seja, aquele empresário que
tiver fluxo de caixa suficiente
para suprir suas necessidades e
não registrar altos índices de
inadimplência poderão sair
ganhando nessa briga.