EFEITOS DA CRISE VIII
Bancos
deixam de ofertar crédito com
receio de perdas no mercadoOs bancos pararam ontem
de emprestar dinheiro - a
atividade que justifica há mais
de trezentos anos a existência
dessas instituições, que hoje
comandam a economia do mundo,
enfrentando países em guerras de
especulação. Após a
divulgação do Governo Federal,
na última quinta-feira, de que
iria pagar 49,75% de juros ao
ano, 3,43% ao mês, as
instituições preferiram adotar
cautela enquanto os especuladores
internacionais continuam
retirando divisas do País.
"Para
obter crédito diante de tal
situação, só as empresas com
muita tradição no mercado.
Ainda assim, a ordem é emprestar
pouco a muitos clientes e
garantir o recebimento, evitando
a inadimplência",
justificou Emanuel Ferreira,
gerente de contas do Banco Itaú,
onde as taxas foram aumentadas em
0,5% para todos os produtos,
ontem. Com isso, o Crédito
Direto ao Consumidor (CDC),
chegou a 6,4% ao mês, que dá
112,4% ao ano. O cheque especial
oscila entre 8,6% e 10,9% ao
mês, que pode projetar uma taxa
anual de 124%. E o empréstimo
sobre cheque a ser descontado, em
geral uma operação de alguns
dias, atingiu a taxa de 14,5% ao
mês.
"Sabemos
que vai aumentar a procura dos
clientes nas empresas de
factorings, onde as exigências
de cadastro para empréstimos
são menores. Da contabilidade de
varejo, os bancos hoje estão
contando com a prestação de
serviços ao cliente, deixando os
investimentos financeiros para as
altas contas", revelou o
gerente do HSBC/Bamerindus, Edson
Nogueira. Na agência só havia
valor definido para desconto de
duplicatas (2,46%/mês), e
qualquer empréstimo ou
investimento teria que passar por
consulta da mesa do banco, em
São Paulo.
EM ALTA -
Foram duas sexta-feiras seguidas
de grandes alterações nos juros
oficiais que mexeram com as
perspectivas dos bancos sobre o
negócio principal deles,
emprestar dinheiro a juros. Na
sexta-feira, dia 4, o Governo
Federal trocou da Taxa Básica
(TBC), de 19% ao ano, para a Tban
(Taxa Bancária), de 29,75% ao
ano. Com isso, os banco
começaram a lastrear suas taxas
de empréstimos e captação de
dinheiro pela variação dos CDI
(Certificados de Depósitos
Interbancários), que dão uma
taxa de mercado, de acordo com a
necessidade de cada banco
emprestar a outro banco, grandes
volumes de dinheiro.
"Os CDI
lastrearam os empréstimos, e
cresceu de 2,13% na quinta, dia 3
de setembro, para 3,2 % na
quinta, dia 10. Para todos foi
mais seguro acompanhar as taxas
que espelham as relações
comerciais entre bancos",
revelou Luís de França, do
Bandepe. O caminho deve ser o
mesmo, a partir da próxima
semana, só que desta vez, a taxa
oficial é de 49,75%, que deve
elevar a taxa dos CDI. "A
taxa vai subir mais, porque há
necessidade de captação de
recursos no mercado",
explicou.