-- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 12 de setembro de 1998

EFEITOS DA CRISE VIII
Bancos deixam de ofertar crédito com receio de perdas no mercado

Os bancos pararam ontem de emprestar dinheiro - a atividade que justifica há mais de trezentos anos a existência dessas instituições, que hoje comandam a economia do mundo, enfrentando países em guerras de especulação. Após a divulgação do Governo Federal, na última quinta-feira, de que iria pagar 49,75% de juros ao ano, 3,43% ao mês, as instituições preferiram adotar cautela enquanto os especuladores internacionais continuam retirando divisas do País.

"Para obter crédito diante de tal situação, só as empresas com muita tradição no mercado. Ainda assim, a ordem é emprestar pouco a muitos clientes e garantir o recebimento, evitando a inadimplência", justificou Emanuel Ferreira, gerente de contas do Banco Itaú, onde as taxas foram aumentadas em 0,5% para todos os produtos, ontem. Com isso, o Crédito Direto ao Consumidor (CDC), chegou a 6,4% ao mês, que dá 112,4% ao ano. O cheque especial oscila entre 8,6% e 10,9% ao mês, que pode projetar uma taxa anual de 124%. E o empréstimo sobre cheque a ser descontado, em geral uma operação de alguns dias, atingiu a taxa de 14,5% ao mês.

"Sabemos que vai aumentar a procura dos clientes nas empresas de factorings, onde as exigências de cadastro para empréstimos são menores. Da contabilidade de varejo, os bancos hoje estão contando com a prestação de serviços ao cliente, deixando os investimentos financeiros para as altas contas", revelou o gerente do HSBC/Bamerindus, Edson Nogueira. Na agência só havia valor definido para desconto de duplicatas (2,46%/mês), e qualquer empréstimo ou investimento teria que passar por consulta da mesa do banco, em São Paulo.

EM ALTA - Foram duas sexta-feiras seguidas de grandes alterações nos juros oficiais que mexeram com as perspectivas dos bancos sobre o negócio principal deles, emprestar dinheiro a juros. Na sexta-feira, dia 4, o Governo Federal trocou da Taxa Básica (TBC), de 19% ao ano, para a Tban (Taxa Bancária), de 29,75% ao ano. Com isso, os banco começaram a lastrear suas taxas de empréstimos e captação de dinheiro pela variação dos CDI (Certificados de Depósitos Interbancários), que dão uma taxa de mercado, de acordo com a necessidade de cada banco emprestar a outro banco, grandes volumes de dinheiro.

"Os CDI lastrearam os empréstimos, e cresceu de 2,13% na quinta, dia 3 de setembro, para 3,2 % na quinta, dia 10. Para todos foi mais seguro acompanhar as taxas que espelham as relações comerciais entre bancos", revelou Luís de França, do Bandepe. O caminho deve ser o mesmo, a partir da próxima semana, só que desta vez, a taxa oficial é de 49,75%, que deve elevar a taxa dos CDI. "A taxa vai subir mais, porque há necessidade de captação de recursos no mercado", explicou.


     

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