EFEITOS DA CRISE IX
Compra
de dólar cresceu em casas de
câmbio do PaísO dólar sumiu, ontem,
em várias capitais do País,
como resposta à crise de
insegurança na economia
nacional. No Recife, nas
operadoras Nortecâmbio, Câmbio
Arcada, Brasicor, e Anacor -
todas na área turística e
"dolarizada" de Boa
Viagem - ninguém estava
vendendo, só comprando. Poucos
clientes apareceram para
sacrificar seus dólares, depois
de 12% de valorização no
paralelo, na última
quinta-feira.
Quem vendesse,
receberia R$ 1,35 por cada dólar
e, se desejasse comprar, pagaria
R$ 1,45. "Acho que sou o
único hoje em Boa Viagem com
dólar para vender, a R$ 1,45.
Mas tive que mandar trazer a
moeda de São Paulo",
comenta um doleiro de Boa viagem,
que não quis revelar seu nome.
A crise no
mercado internacional fez
aumentar o movimento nas casas de
câmbio de São Paulo em 25%, na
avaliação de alguns cambistas.
Mas nem todas as casas estiveram
dispostas a vender ou comprar a
moeda por causa da instabilidade
do mercado. "Há muita
especulação também, e hoje
(ontem) não estamos nem
operando", dizia um
funcionário da Cattoni, na
Avenida São Luís.
No Rio de
Janeiro, a corrida por dólares
se concentrou no mercado de
dólar turismo. A procura foi
grande nas casas de câmbios
credenciadas pelo Banco Central,
com filas nas agências do Banco
do Brasil. No câmbio paralelo, a
procura diminuiu em relação ao
dia anterior. A cotação elevada
da moeda americana, que abriu o
dia valendo R$ 1,45, espantou os
compradores. O dólar turismo
encerrou o dia sendo vendido a R$
1,1791, 12,6% menos que a
cotação de R$ 1,35 do
fechamento do dólar paralelo no
Rio.