-- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 12 de setembro de 1998

EFEITOS DA CRISE XVII
Taxa para desconto de duplicata aumenta

O conselho dos especialistas em crédito bancário para as empresas é que façam o mesmo que bancos, factorings e operadoras de câmbio fizeram ontem: sinal fechado para qualquer negócio. Os bancos agora deixaram de descontar duplicatas de empresas, a curto prazo, e praticam taxas cada vez maiores.

Na Finacap Consultoria Financeira, o desconto de duplicatas para 30 dias variou entre 2,6% a 3,57% para grandes empresas, e, até 4,3% para pequenas empresas. No Excell/Econômico, o desconto para duplicatas foi de 4,2%. No Itaú, a taxa de ontem para tentasse obter dinheiro vendendo suas duplicatas era entre 3,2 a 4,6% ao mês. No Bandepe, a taxa máxima chegou a 5,8%. Há um mês, a média de desconto de duplicata não passava de 3% ao mês.

"O mercado financeiro está fechado, ninguém está oferecendo dinheiro, é como se os supermercados fechassem para balanço e remarcação de preços. Nosso movimento nesta sexta-feira (ontem) foi informar aos clientes sobre a crise", disse Luís de França, consultor do Bandepe. Ele aconselhou as empresas a evitarem contratos de empréstimos a todo custo. "Quem pegar dinheiro emprestado com a taxa pré-fixada de hoje (ontem) vai se abraçar com uma bomba", comentou. As taxas médias para empréstimos em Crédito Direto ao Consumidor já passam dos 5,5% nos bancos consultados.

HOT MONEY - Duplicata é uma dívida assumida por uma nota promissória que o cobrador repassa ao banco ou factoring, descontando a taxa oferecida do valor final. Se um empresário tem um crédito de R$ 1 mil, por exemplo, para receber com 30 dias, o banco fica com o papel antes do vencimento e cobra R$ 46, no caso do Itaú, à taxa de 4,6%, para depois cobrar na data do vencimento.

Descontar duplicatas é comum para empresas sem dinheiro em caixa financiarem suas operações mais imediatas ou dívidas. Outro serviço rápido é o hot money, "dinheiro quente" em inglês, valor emprestado a curto prazo, para pagamento numa só parcela. Na Finacap, a taxa bateu os 5,8%, mesmo índice do Itaú. No Excell, foi de 4,5%, mas nenhum dos três emprestou via hot money, ontem. No Bank of Boston, o crédito pessoal - uma forma de ter dinheiro através de pessoa física - chegou a 112,9 % ao ano, 6,5% ao mês.


     

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