EFEITOS DA CRISE XVIII
BC
pára fuga de dólar, mas
reservas caemO mercado financeiro
nacional, depois das
turbulências da quinta-feira,
recuperou-se ontem e fechou em
alta. A fuga de dólares foi
parcialmente contida, mas as
reservas nacionais sofreram
perdas elevadas. Ajudou na
recuperação das bolsas o
anúncio de que o FMI criou uma
linha de crédito de R$ 15
bilhões para o Brasil.
A Bovespa
(Bolsa de Valores de São Paulo)
teve hoje forte recuperação. A
Bolsa paulista fechou em alta de
13,4%. Ontem, a Bovespa teve sua
pior queda (15,82%) desde o Plano
Collor, com o pregão chegando a
ser suspenso por duas vezes. Nos
EUA, a Bolsa de Nova York também
registrou forte alta. O Dow Jones
fechou com ganho de 179,96 pontos
(2,36%), totalizando 7.795,5
pontos. 25 linhas.
O Banco Central
informou oficialmente que as
reservas externas estão situadas
hoje em US$ 52 bilhões pelos
câmbios comercial e flutuante. A
saída de dólares registrada no
dia anterior havia sido de US$
1,8 bilhão. O choque de juros
decretado ontem pelo governo visa
estancar essa fuga de recursos.
25 linhas.
Responsável
pelas ações do Banco Central
(BC) no mercado de câmbio, a
chefe do Departamento de
Operações das Reservas
Internacionais (Depin), Maria do
Socorro de Carvalho, respirava um
pouco mais aliviada com a
recepção do mercado à decisão
do Comitê de Política
Monetária (Copom) de elevar a
Taxa de Assistência do BC (Tban)
de 29,75% para 49,75%. O mercado
reagiu de forma bastante positiva
a elevação dos juros e estamos
vivendo um dia ótimo, disse
Socorro em entrevista concedida
no final do dia à Agência
Estado.
Os principais
sintomas de aprovação apontados
pela chefe do Depin foram a queda
da cotação do dólar no mercado
futuro, a elevação dos preços
dos papéis da dívida externa
brasileira e a forte subida da
bolsa de valores brasileiras. O
bom desempenho do mercado,
segundo Socorro, ainda foi
sustentado pelas informações de
uma ajuda financeira do Fundo
Monetário Internacional (FMI),
do Banco Mundial (Bird) e dos 7
países mais desenvolvidos do
mundo às economias da América
Latina. "Não posso
confirmar se isto é verdade, mas
a notícia ajudou o
mercado", comentou.
Apesar da
calmaria, a economia real
continuou sofrendo os efeitos da
crise das bolsas. Em Minas
Gerais, a Fiat anunciou ontem que
vai reduzir a produção de 2.100
carros/dia para 1.800 carros/dia
da próxima segunda-feira até o
dia 16 de outubro. O terceiro
turno ficará suspenso e 2.500
funcionários entrarão em
licença remunerada. A empresa
diz que objetivo é adequar a
produção à demanda.