-- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 12 de setembro de 1998

EFEITOS DA CRISE XVIII
BC pára fuga de dólar, mas reservas caem

O mercado financeiro nacional, depois das turbulências da quinta-feira, recuperou-se ontem e fechou em alta. A fuga de dólares foi parcialmente contida, mas as reservas nacionais sofreram perdas elevadas. Ajudou na recuperação das bolsas o anúncio de que o FMI criou uma linha de crédito de R$ 15 bilhões para o Brasil.

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) teve hoje forte recuperação. A Bolsa paulista fechou em alta de 13,4%. Ontem, a Bovespa teve sua pior queda (15,82%) desde o Plano Collor, com o pregão chegando a ser suspenso por duas vezes. Nos EUA, a Bolsa de Nova York também registrou forte alta. O Dow Jones fechou com ganho de 179,96 pontos (2,36%), totalizando 7.795,5 pontos. 25 linhas.

O Banco Central informou oficialmente que as reservas externas estão situadas hoje em US$ 52 bilhões pelos câmbios comercial e flutuante. A saída de dólares registrada no dia anterior havia sido de US$ 1,8 bilhão. O choque de juros decretado ontem pelo governo visa estancar essa fuga de recursos. 25 linhas.

Responsável pelas ações do Banco Central (BC) no mercado de câmbio, a chefe do Departamento de Operações das Reservas Internacionais (Depin), Maria do Socorro de Carvalho, respirava um pouco mais aliviada com a recepção do mercado à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a Taxa de Assistência do BC (Tban) de 29,75% para 49,75%. O mercado reagiu de forma bastante positiva a elevação dos juros e estamos vivendo um dia ótimo, disse Socorro em entrevista concedida no final do dia à Agência Estado.

Os principais sintomas de aprovação apontados pela chefe do Depin foram a queda da cotação do dólar no mercado futuro, a elevação dos preços dos papéis da dívida externa brasileira e a forte subida da bolsa de valores brasileiras. O bom desempenho do mercado, segundo Socorro, ainda foi sustentado pelas informações de uma ajuda financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial (Bird) e dos 7 países mais desenvolvidos do mundo às economias da América Latina. "Não posso confirmar se isto é verdade, mas a notícia ajudou o mercado", comentou.

Apesar da calmaria, a economia real continuou sofrendo os efeitos da crise das bolsas. Em Minas Gerais, a Fiat anunciou ontem que vai reduzir a produção de 2.100 carros/dia para 1.800 carros/dia da próxima segunda-feira até o dia 16 de outubro. O terceiro turno ficará suspenso e 2.500 funcionários entrarão em licença remunerada. A empresa diz que objetivo é adequar a produção à demanda.


     

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