EFEITOS DA CRISE XX
Sem
crédito, FMI já promete
socorrer economias latinasWASHINGTON - O
diretor gerente do Fundo
Monetário Internacional (FMI),
Michel Camdessus, disse ontem a
tarde, em comunicado distribuído
à imprensa em Washington, que o
Fundo está pronto a fortalecer
seu apoio financeiro e ampliá-lo
a outros países, se isso for
necessário, para apoiar
programas econômicos
"fortes". Camdessus fez
essa observação em relação
aos efeitos da crise de
confiança dos mercados quanto à
situação no Brasil e outros
países da América Latina.
O comunicado do
FMI coincide com a preocupação
das autoridades brasileiras no
sentido de que os países mais
desenvolvidos ajudem de forma
mais clara e decisiva os países
emergentes, prejudicados pela
crise das bolsas mundiais.
O diretor
gerente do FMI disse que a
América Latina já foi atingida
fortemente pela crise,
especialmente com a saída de
capitais de curto prazo. Segundo
ele, essa volatilidade que afetou
os vários países do continente
parece não levar em conta os
progressos que esses países
tiveram em suas políticas
econômicas e suas perspectivas
futuras.
O
economista-chefe do FMI, Stanley
Fischer, reiterou os mesmos
pontos citados por Camdessus. Ele
não quis comentar informações
de outras fontes de organismos
multilaterais, sobre intensas
consultas em curso para criar um
mecanismo de contingência e
apoio aos bancos centrais da
América Latina, caso haja um
agravamento da crise. Mas deixou
clara a disposição do FMI de
prestar assistência.
Embora o
dinheiro disponível do Fundo
estejam hoje em menos de US$ 10
bilhões, Fischer disse que o
Fundo encontrará os recursos
necessários. Citou o General
Agreement to Borrow (GAB) como
uma das fontes possíveis. O GAB
tem, no momento, US$ 15 bilhões.
Esse tipo de perigo sistêmico,
segundo ele, que é o que se
passa na América Latina hoje,
encaixa-se nos critérios de
utilização do GAB.
Ele voltou a
expressar confiança nos países
da região e disse que o FMI e as
autoridades locais têm mantido
intenso contato recentemente.
Segundo Fischer, as medidas
adotadas pelo Brasil na área
fiscal foram positivas porque
anularam os sinais de hesitação
que o País vinha dando a
respeito de sua disposição de
defender o real. "É
importante não dar esses sinais
de hesitação", afirmou.