-- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 12 de setembro de 1998

EFEITOS DA CRISE XX
Sem crédito, FMI já promete socorrer economias latinas

WASHINGTON - O diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michel Camdessus, disse ontem a tarde, em comunicado distribuído à imprensa em Washington, que o Fundo está pronto a fortalecer seu apoio financeiro e ampliá-lo a outros países, se isso for necessário, para apoiar programas econômicos "fortes". Camdessus fez essa observação em relação aos efeitos da crise de confiança dos mercados quanto à situação no Brasil e outros países da América Latina.

O comunicado do FMI coincide com a preocupação das autoridades brasileiras no sentido de que os países mais desenvolvidos ajudem de forma mais clara e decisiva os países emergentes, prejudicados pela crise das bolsas mundiais.

O diretor gerente do FMI disse que a América Latina já foi atingida fortemente pela crise, especialmente com a saída de capitais de curto prazo. Segundo ele, essa volatilidade que afetou os vários países do continente parece não levar em conta os progressos que esses países tiveram em suas políticas econômicas e suas perspectivas futuras.

O economista-chefe do FMI, Stanley Fischer, reiterou os mesmos pontos citados por Camdessus. Ele não quis comentar informações de outras fontes de organismos multilaterais, sobre intensas consultas em curso para criar um mecanismo de contingência e apoio aos bancos centrais da América Latina, caso haja um agravamento da crise. Mas deixou clara a disposição do FMI de prestar assistência.

Embora o dinheiro disponível do Fundo estejam hoje em menos de US$ 10 bilhões, Fischer disse que o Fundo encontrará os recursos necessários. Citou o General Agreement to Borrow (GAB) como uma das fontes possíveis. O GAB tem, no momento, US$ 15 bilhões. Esse tipo de perigo sistêmico, segundo ele, que é o que se passa na América Latina hoje, encaixa-se nos critérios de utilização do GAB.

Ele voltou a expressar confiança nos países da região e disse que o FMI e as autoridades locais têm mantido intenso contato recentemente. Segundo Fischer, as medidas adotadas pelo Brasil na área fiscal foram positivas porque anularam os sinais de hesitação que o País vinha dando a respeito de sua disposição de defender o real. "É importante não dar esses sinais de hesitação", afirmou.


     

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