ARTIGO
Qualidade
total no agribusinesspor VICENTE OLIVEIRA*
A partir do
início dos anos 90, com a
globalização e a abertura do
mercado, três ordens de fatores
vem compelindo as cadeias
produtivas do agribusiness
brasileiro a encarar a
implantação de programas de
qualidade total como
indispensáveis ao planejamento
estratégico de suas atividades.
Aqui compreendida simplesmente
como os atributos de atendimento
pleno das expectativas dos
clientes e a incessante busca da
superação de seus níveis, a
qualidade total antes considerada
numa visão estreita como estando
relacionada apenas com o produto
final, isto é na órbita
interativa "da porteira para
fora", veio se incorporar
como elemento de vital
importância à gestão
agroindustrial, obrigando que da
"porteira para dentro"
a empresa agrícola assumisse uma
postura gerencial e uma doutrina
de condução do negócio.
O primeiro dos
fatores aludidos como propulsor
deste novo contexto foi sem
dúvida a concorrência direta de
produtos importados com maior
valor agregado e preços mais
reduzidos, que passaram a
disputar os mercados de
commodities e produtos
agroindustriais no Brasil.
Produtos como o arroz uruguaio,
os derivados lácteos argentinos,
ou os vinhos alemães, entre
outros exemplos atestam não
apenas a vigorosa eficiência das
cadeias produtivas desses bens
nos países mencionados, como
também uma nítida preocupação
com a qualidade em todas as fases
do processo produtivo.
Uma segunda
ordem de fator é o encurtamento
da distância entre "o
produtor rural e as prateleiras,
isto é, as exigências de
atendimento das necessidades e
desejos do consumidor final são
repassadas com rapidez à rede de
distribuição, que por sua vez
pressiona as indústrias de
beneficiamento, e estas por seu
turno aos produtores rurais dos
quais adquirem seus produtos.
Assim, hortícolas produzidos sem
a presença de agrotóxicos
carnes com reduzido teor de
colesterol, frutas sem sementes
etc., são exemplos de como o
consumidor final interage de
frente para trás nas cadeias do
agribusiness impondo seus
reclamos de preferência e
satisfação até ao produtor
rural.
Tal quadro
requer então deste agente
econômico um
"compromisso" de
alinhamento tecnológico
(produtos e serviços gerados
corretamente, sem defeitos, e por
processos inovadores ou em
aperfeiçoamento constante)
permanente com as principais
tendências do mercado
consumidor, de modo a poder
proporcionar uma pronta e rápida
resposta aos desafios colocados
pela cadeia produtiva em que
estiver inserido.
O terceiro e
último dos fatores
condicionantes diz respeito ao
esforço desenvolvido pelas
cadeias produtivas na busce da
diferenciação do produto como
forma de obtenção de melhores
preços, notadamente nas faixas
de consumo das classes de renda
mais elevadas da sociedade. Sob
esse aspecto o mercado oferece
fartos exemplos, tais como:
alimentos pré-cozidos e de
fácil serviço à mesa, carnes
industrializadas com cortes
especiais, leites tipo longa
vida, sucos de frutas prontos
para beber etc.
O resultado
final é que o conceito de
parceria passou a ser
indissociável do processo de
gestão agroindustrial e,
portanto, a qualidade técnica e
gerencial dos recursos humanos
envolvidos neste. A busca da
qualidade total no processo em
todas as fases da cadeia
produtiva tornou-se, então, uma
decorrência natural das
exigências de qualidade do
produto.
* Vicente
Oliveira, economista e
administrador de empresas, é
Consultor de Mercado da COONAP
(Cooperativa de Trabalho
Múltiplo de Apoio às
Organizações de Autopromoção)