ANO 2.000 II
Bug
do ano 2000 não preocupa a Chesfpor HERCÍLIA GALINDO
hercilia@jc.com.br
As empresas
brasileiras, segundo uma pesquisa
mundial conduzida pelo Gartner
Group, estão mais de 12 meses
atrasadas no esforço para a
atualização de seus sistemas
contra o "bug do
milênio" em relação às
corporações nos Estados Unidos.
O dado é preocupante mas muitas
estão despertando para a
gravidade do problema e não
medem esforços para superá-lo.
A Companhia Hidro Elétrica do
São Francisco (Chesf) é uma das
empenhadas em entrar no século
XXI sem vestígios do fantasma
digital.
Afinal, a
companhia, que faz parte do grupo
Eletrobrás, é responsável pela
produção, transporte e
comercialização de energia
elétrica para oito estados
nordestinos (Alagoas, Bahia,
Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio
Grande do Norte e Sergipe). Se
algo desse errado, quando o
relógio batesse a meia noite no
dia 31 de dezembro de 1999, mais
de 38 milhões de pessoas
poderiam ser vítimas de um
blecaute. Os prejuízos seriam
incalculáveis.
Para evitar a
interferência do bug, a Chesf
vem desenvolvendo e implementando
uma série de ferramentas para
identificar e atualizar os
programas e linhas de código que
seriam afetados com a chegada do
ano 2000, tanto na parte
administrativa da empresa quanto
na produção e transmissão de
energia. A Hidrelétrica de
Xingó, administrada pela Chesf,
foi a primeira no País a
concluir a preparação para o
ano 2000.
Concluída no
ano passado, essa estação de
energia, toda digitalizada e em
rede, com computadores da Sun
Microsystems, teve suas linhas de
código atualizadas pela empresa
Siemens. "A aparelhagem
ainda se encontrava na garantia,
por isso, não tivemos custo
adicional algum", explica
Benedito Parente, da
Superintendência de Tecnologia
da Informação da Chesf.
Ele garante
ainda que as demais
hidrelétricas, por possuírem
equipamento mais antigo - que
não explora muito os sistemas
digitais, onde as datas são
pouco utilizadas - não sofrerão
com a intromissão do bug. Pelo
menos não muito. A Chesf, junto
com o Governo Federal,
representado pelo Ministério das
Minas e Energia através da
Eletrobrás, está fazendo um
levantamento de todos os
programas e linhas de código que
precisam ser modificados em mais
16 usinas e 74 subestações de
energia.
Ainda esta
semana, a companhia estará
avaliando o relatório para tomar
as providências necessárias.
Antonio Carlos de Souza,
superintendente de Tecnologia da
Informação da Chesf, espera que
os custos de todo o processo não
ultrapassem a faixa dos R$ 600
mil. "Podemos garantir aos
consumidores que a possibilidade
de blecaute está totalmente
extinta na região. Até julho do
próximo ano todos os trabalhos
preventivos estarão
concluídos", esclarece.