ANO 2.000 III
Problema
começou nos anos 70, para
economizar uso de memóriaOs exagerados profetizam
o caos; os cautelosos alertam
para a necessidade de se agir
rápido; os descansados esperam
que alguém descubra a fórmula
mágica para o fim do bug do
milênio. Mas, afinal, quem ou o
que é esse "Bicho Papão
virtual"? Se os computadores
não entenderem que houve uma
mudança de século, cartões de
crédito não funcionarão;
companhias de água, luz e
telefone cobrarão contas pelo
consumo de cem anos; nomes serão
protestados por dívidas
centenárias, aviões que
acabaram de pousar constarão nas
torres de controle como se
estivessem com um século de
atraso, entre inúmeros outros
transtornos.
Tudo começou
nos anos 70. Cada megabayte de
memória custava 10 mil dólares
- hoje, custa poucos centavos - e
a capacidade dos computadores era
limitada. Por isso, programadores
- ainda empregando a linguagem
Cobol - eliminavam o 'mil
novecentos' dos campos de data e
mantinham apenas os dois últimos
dígitos, dispensando a
utilização de 2 bytes - que,
teoricamente, correspondem a um
período de 65.536 anos.
O problema, que
ficou conhecido como "bug do
milênio" (bug significa
inseto em inglês), provém da
incapacidade de os programas
instalados nos computadores
distinguirem o ano 2000 do ano
1900, utilizando somente os dois
últimos dígitos para contar. Ou
seja, no dia 1º de janeiro de
2000 as máquinas podem ficar
confusas e entender 1998 como 98,
1999 como 99 e 2000, que
matematicamente deveria ser
interpretado como 100, como 00.
O conserto do
equívoco, que virou padrão e
foi passado para todas as cópias
de dados e softwares de hoje,
envolve esforço e dinheiro das
empresas - entre US$ 300 bilhões
e US$ 600 bilhões em todo o
mundo - , que passam a procurar
por serviços dos analistas e
programadores. Esses
profissionais têm menos de dois
anos para percorrer bancos de
dados de computadores, localizar
comandos defeituosos e
acrescentar os dois dígitos que
faltam. É uma batalha contra o
tempo. Um programa complexo chega
a exigir 40 horas de trabalho.
Até que a tarefa se complete,
muita gente deve perder o sono e
as economias.