- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 09 de setembro de 1998

ANO 2.000 III
Problema começou nos anos 70, para economizar uso de memória

Os exagerados profetizam o caos; os cautelosos alertam para a necessidade de se agir rápido; os descansados esperam que alguém descubra a fórmula mágica para o fim do bug do milênio. Mas, afinal, quem ou o que é esse "Bicho Papão virtual"? Se os computadores não entenderem que houve uma mudança de século, cartões de crédito não funcionarão; companhias de água, luz e telefone cobrarão contas pelo consumo de cem anos; nomes serão protestados por dívidas centenárias, aviões que acabaram de pousar constarão nas torres de controle como se estivessem com um século de atraso, entre inúmeros outros transtornos.

Tudo começou nos anos 70. Cada megabayte de memória custava 10 mil dólares - hoje, custa poucos centavos - e a capacidade dos computadores era limitada. Por isso, programadores - ainda empregando a linguagem Cobol - eliminavam o 'mil novecentos' dos campos de data e mantinham apenas os dois últimos dígitos, dispensando a utilização de 2 bytes - que, teoricamente, correspondem a um período de 65.536 anos.

O problema, que ficou conhecido como "bug do milênio" (bug significa inseto em inglês), provém da incapacidade de os programas instalados nos computadores distinguirem o ano 2000 do ano 1900, utilizando somente os dois últimos dígitos para contar. Ou seja, no dia 1º de janeiro de 2000 as máquinas podem ficar confusas e entender 1998 como 98, 1999 como 99 e 2000, que matematicamente deveria ser interpretado como 100, como 00.

O conserto do equívoco, que virou padrão e foi passado para todas as cópias de dados e softwares de hoje, envolve esforço e dinheiro das empresas - entre US$ 300 bilhões e US$ 600 bilhões em todo o mundo - , que passam a procurar por serviços dos analistas e programadores. Esses profissionais têm menos de dois anos para percorrer bancos de dados de computadores, localizar comandos defeituosos e acrescentar os dois dígitos que faltam. É uma batalha contra o tempo. Um programa complexo chega a exigir 40 horas de trabalho. Até que a tarefa se complete, muita gente deve perder o sono e as economias.


 

 

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