- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 09 de setembro de 1998

EDUCAÇÃO
Computador ajuda internas da Fundac

por FABÍOLA BLAH
fabiolav@yahoo.com

Doze meninas, com idade variando entre 12 e 18 anos e grau de escolaridade da pré-alfabetização até a 5ª série. Elas compõem a primeira turma feminina do curso de informática pedagógica oferecido às menores carentes internas, numa parceria da Fundac (Fundação de Apoio ao Adolescente e à Criança), Unicef (Fundo das Nações Unidas para Infância) e o Iteci. "Através do computador, queremos dar subsídio pedagógico às meninas", afirma Simone Menezes, representante do Iteci e coordenadora de informática educativa.

O programa foi encaminhado em outubro do ano passado para o Unicef. Orçado em R$ 30 mil, o projeto foi implantado inicialmente no presídio masculino de Paratibe, onde 50 meninos participaram das aulas, no primeiro semestre desse ano. Desde agosto, porém, as aulas também estão sendo oferecidas às meninas, divididas em três turmas. "Elas vão aprender a trabalhar no Word, Excel e Power Point, a princípio para se familiarizar com o micro. Depois, será confeccionado um diário, onde contarão suas experiências pessoais e lembranças de amigos e família", diz a professora Micheline Corrêa.

Todas as alunas são internas do Centro de Ressocialização Santa Luzia (Ceral), que funciona desde 1989 como uma casa de apoio às menores que cometeram algum tipo de infração. As turmas foram divididas segundo o grau de escolaridade das meninas. "Como não há uniformidade total, colocamos juntas as alunas que mais se aproximam entre si", diz a pedagoga Dione Sotero. Na segunda etapa das aulas, serão utilizados softwares educacionais, para complementar o ensino de língua portuguesa, matemática e estudos sociais.

"Todas as adolescentes frequentam a escola e poderão melhorar seu desempenho a partir do conhecimento adquirido aqui", acredita Dione Sotero. O objetivo é proporcionar um ambiente familiar, para que as meninas se reintegrem ao convívio em sociedade. Diversas atividades contribuem para isso, além das aulas propriamente ditas: cursos de dança, tapeçaria, bijuteria, pintura e corte e costura são oferecidos às menores, intencionando desenvolver a criatividade.

"A informática não poderia ficar de fora. O mercado de trabalho de hoje exige conhecimentos básicos de computação e é nossa obrigação prepará-las para isso", diz Tânia Adrião, coordenadora técnica do Ceral. As próprias menores reconhecem essa necessidade. F.P., uma das alunas, diz que gosta de trabalhar no micro. "Estou aprendendo a mexer no computador para depois poder trabalhar com isso", afirma. Realização profissional é o principal desejo delas. "Quando eu sair daqui, vou fazer outros cursos e depois procurar um emprego que mexa com informática", diz J.L, 15 anos.


 

 

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes