EDUCAÇÃO
Computador
ajuda internas da Fundacpor FABÍOLA BLAH
fabiolav@yahoo.com
Doze meninas,
com idade variando entre 12 e 18
anos e grau de escolaridade da
pré-alfabetização até a 5ª
série. Elas compõem a primeira
turma feminina do curso de
informática pedagógica
oferecido às menores carentes
internas, numa parceria da Fundac
(Fundação de Apoio ao
Adolescente e à Criança),
Unicef (Fundo das Nações Unidas
para Infância) e o Iteci.
"Através do computador,
queremos dar subsídio
pedagógico às meninas",
afirma Simone Menezes,
representante do Iteci e
coordenadora de informática
educativa.
O programa foi
encaminhado em outubro do ano
passado para o Unicef. Orçado em
R$ 30 mil, o projeto foi
implantado inicialmente no
presídio masculino de Paratibe,
onde 50 meninos participaram das
aulas, no primeiro semestre desse
ano. Desde agosto, porém, as
aulas também estão sendo
oferecidas às meninas, divididas
em três turmas. "Elas vão
aprender a trabalhar no Word,
Excel e Power Point, a princípio
para se familiarizar com o micro.
Depois, será confeccionado um
diário, onde contarão suas
experiências pessoais e
lembranças de amigos e
família", diz a professora
Micheline Corrêa.
Todas as alunas
são internas do Centro de
Ressocialização Santa Luzia
(Ceral), que funciona desde 1989
como uma casa de apoio às
menores que cometeram algum tipo
de infração. As turmas foram
divididas segundo o grau de
escolaridade das meninas.
"Como não há uniformidade
total, colocamos juntas as alunas
que mais se aproximam entre
si", diz a pedagoga Dione
Sotero. Na segunda etapa das
aulas, serão utilizados
softwares educacionais, para
complementar o ensino de língua
portuguesa, matemática e estudos
sociais.
"Todas as
adolescentes frequentam a escola
e poderão melhorar seu
desempenho a partir do
conhecimento adquirido
aqui", acredita Dione
Sotero. O objetivo é
proporcionar um ambiente
familiar, para que as meninas se
reintegrem ao convívio em
sociedade. Diversas atividades
contribuem para isso, além das
aulas propriamente ditas: cursos
de dança, tapeçaria, bijuteria,
pintura e corte e costura são
oferecidos às menores,
intencionando desenvolver a
criatividade.
"A
informática não poderia ficar
de fora. O mercado de trabalho de
hoje exige conhecimentos básicos
de computação e é nossa
obrigação prepará-las para
isso", diz Tânia Adrião,
coordenadora técnica do Ceral.
As próprias menores reconhecem
essa necessidade. F.P., uma das
alunas, diz que gosta de
trabalhar no micro. "Estou
aprendendo a mexer no computador
para depois poder trabalhar com
isso", afirma. Realização
profissional é o principal
desejo delas. "Quando eu
sair daqui, vou fazer outros
cursos e depois procurar um
emprego que mexa com
informática", diz J.L, 15
anos.