TENDÊNCIAS
Rios,
Pontes e Joint Venturespor JAIRSON VITORINO
jairson@mundi.com.br
Globalização.
Todo mundo usa esta palavra, para
ser moderno, chique ou demonstrar
que domina o que há de mais
atual no mercado, nas artes ou no
meio acadêmico. Confesso que só
há pouco tempo percebi o
significado por inteiro desta
palavra já tão gasta (seria
até melhor que usássemos
sinônimos de vez em quando:
internacionalização, por
exemplo).
Explico-me:
através do programa Softex,
submeti-me em janeiro a um
festival de apresentações no
noroeste da Inglaterra para
empresas dos mais variados
tamanhos e origens. Visitei
incubadoras, órgãos
financiadores, empresas e
universidades. Em cada um destes
lugares levava minha pastinha e
ia falando sobre o que está
ocorrendo no Nordeste do Brasil
com a indústria de Software.
Falava de todas as nossas
iniciativas neste setor desde o
começo desta década até chegar
a minha própria empresa e ao
nosso primeiro CD-ROM. Vez por
outra perguntas, algumas
observações e sugestões.
Nenhum interesse concreto. Até
que topei, em Liverpool, na minha
última apresentação, com dois
distintos senhores: Steve Downes
e Dougal Paver. Eles formavam a
Paver Downes Limited, e
trabalhavam com grandes empresas
desenvolvendo estratégias de
marketing e material promocional
para seus clientes.
Logo que
cheguei no Brasil, recebi várias
correspondências deles, e logo
uma proposta ousada (pelo menos
nós aqui no Brasil a achamos):
aqueles ingleses lá de Liverpool
queriam estabelecer conosco, do
outro lado do atlântico, uma
nova empresa que combinaria
nossas expertises e prestaria
serviços a clientes interessados
em nossos mercados. Para não
alongar a conversa, desde então
estamos costurando o namoro, e
acho que vai dar mesmo em
casamento, ou tecnicamente:
formaremos uma Joint Venture.
Assim, quando
convidaram-me para escrever este
artigo, pensei em resumir esta
experiência, arriscando-me a
arrancar bocejos de alguns, para
sair um pouco do nosso feijão
com arroz:
internet-software-hardware.
Queria falar um pouco de
negócios, e de uma classe
especial de negócios: negócios
com estrangeiros, mais
precisamente da terra do Big Ben
ou dos Beatles, como queiram.
Não dá pra
escrever um manual prático de
comércio exterior, mas dá pra
resumir rapidamente o começo
desta odisséia, e das
oportunidades que se seguirão,
para nós e para todos os outros
empreendedores pernambucanos
(não somente na área preferida
de Steve Jobs). Steve Jobs é
fundador da Apple, desligado da
empresa, e agora de volta a casa,
tão ou mais interessante que o
outro, aquele da Microsoft.
Para começar
é preciso um pouco de sorte.
Não pense que na primeira
empresa que você entrar o
pessoal irá se entusiasmar com
suas idéias e investir tempo e
dinheiro convidando-o para
parceiro. No entanto, você pode
ajudar a sorte, se tiver um
excelente inglês, for
convincente, munir-se de
argumentos concretos e de farta
documentação sobre a sua
empresa: vale um bom plano de
negócios, artigos na imprensa,
um produto ou protótipo, ou até
uma tese de mestrado. Se você
for um empresário na área de
software, pode dispor do Softex
para fazer alguns contatos
iniciais (e agora pode contar
comigo também, mande um
e-mail!).
Talvez você
esteja pensando que esta é uma
história de sucesso (parcial,
deixemos claro) em um milhão. Na
verdade, escrevo estas linhas
exatamente para provar o
contrário. Como um matemático,
estou contribuindo para
demonstrar um teorema que muitas
pessoas deste estado vem
acreditando desde muito tempo
atrás: que Pernambuco é capaz
de gerar empreendimentos de
nível internacional e que falta
apenas o compromisso e a crença
do governo e da sociedade em
geral nas centenas de
empreendedores da cidade para
voarmos bem mais alto.
Jairson
Vitorino é diretor da Mundi
Multimídia, empresa integrante
da Unit