CHILE
Manifestantes
atacam embaixada brasileiraSANTIAGO - A
embaixada do Brasil no Chile foi
atacada com pedras e bombas
incendiárias ontem numa
manifestação de repúdio ao
golpe militar que há 25 anos
instalou no poder o general
Augusto Pinochet (1973-1990).
A fachada do
prédio recebeu o impacto de pelo
menos dois coquetéis molotov e
os vidros de várias de suas
janelas foram destroçados pelas
pedradas. Os atacantes faziam
parte de uma coluna encabeçada
por dirigentes comunistas que se
dirigia ao túmulo do
ex-presidente Salvador Allende,
que morreu durante o violento
golpe de Pinochet a 11 de
setembro de 1973.
A polícia, por
volta do meio-dia (13H00 de
Brasília) montou uma guarda
reforçada junto à embaixada, a
pedido do embaixador brasileiro,
Gilberto Coutinho.
A marcha de
homenagem a Salvador Allende, no
25º aniversário de sua morte,
começou nas proximidades da
embaixada, à beira da Alameda
Bernardo O'Higgins, principal
avenida de Santiago.
Mal iniciada a
caminhada, composta por 2.000
pessoas, piquetes e carros
antimotins dos carabineiros
jogaram gases lacrimogêneos e
jatos de água quando o grupo
tentou se aproximar do palácio
presidencial de La Moneda.
Os
manifestantes responderam com
bombas incendiárias e pedradas
e, no meio do confronto,
encapuzados estenderam o ataque
à embaixada brasileira. A
situação em torno da sede
diplomática foi dramática,
antes da chegada de policiais
protetores.
Os
manifestantes continuaram em
seguida sua marcha até o
cemitério no qual se acha o
túmulo de Allende, onde a
polícia prosseguiu lançando
gases lacrimogêneos contra eles.
Depois do golpe
militar, o governo brasileiro do
general Médici foi o primeiro em
todo o mundo que reconheceu
oficialmente o governo do general
Pinochet, que se converteria no
mais prolongado da história do
Chile.
Nos últimos
tempos, o jornal do Partido
Comunista, El Siglo, criticou as
autoridades brasileiras, assim
como a chancelaria de Santiago,
por causa da prisão em São
Paulo de cinco esquerdistas
chilenos detidos na década dos
anos 80. O grupo, de quatro
homens e uma mulher exilados na
época de Pinochet, aparece
implicado no seqüestro do
empresário Abílio Diniz na
cidade de São Paulo.