-- - - -- - - -- - - -- - - - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 12 de setembro de 1998

CHILE
Manifestantes atacam embaixada brasileira

SANTIAGO - A embaixada do Brasil no Chile foi atacada com pedras e bombas incendiárias ontem numa manifestação de repúdio ao golpe militar que há 25 anos instalou no poder o general Augusto Pinochet (1973-1990).

A fachada do prédio recebeu o impacto de pelo menos dois coquetéis molotov e os vidros de várias de suas janelas foram destroçados pelas pedradas. Os atacantes faziam parte de uma coluna encabeçada por dirigentes comunistas que se dirigia ao túmulo do ex-presidente Salvador Allende, que morreu durante o violento golpe de Pinochet a 11 de setembro de 1973.

A polícia, por volta do meio-dia (13H00 de Brasília) montou uma guarda reforçada junto à embaixada, a pedido do embaixador brasileiro, Gilberto Coutinho.

A marcha de homenagem a Salvador Allende, no 25º aniversário de sua morte, começou nas proximidades da embaixada, à beira da Alameda Bernardo O'Higgins, principal avenida de Santiago.

Mal iniciada a caminhada, composta por 2.000 pessoas, piquetes e carros antimotins dos carabineiros jogaram gases lacrimogêneos e jatos de água quando o grupo tentou se aproximar do palácio presidencial de La Moneda.

Os manifestantes responderam com bombas incendiárias e pedradas e, no meio do confronto, encapuzados estenderam o ataque à embaixada brasileira. A situação em torno da sede diplomática foi dramática, antes da chegada de policiais protetores.

Os manifestantes continuaram em seguida sua marcha até o cemitério no qual se acha o túmulo de Allende, onde a polícia prosseguiu lançando gases lacrimogêneos contra eles.

Depois do golpe militar, o governo brasileiro do general Médici foi o primeiro em todo o mundo que reconheceu oficialmente o governo do general Pinochet, que se converteria no mais prolongado da história do Chile.

Nos últimos tempos, o jornal do Partido Comunista, El Siglo, criticou as autoridades brasileiras, assim como a chancelaria de Santiago, por causa da prisão em São Paulo de cinco esquerdistas chilenos detidos na década dos anos 80. O grupo, de quatro homens e uma mulher exilados na época de Pinochet, aparece implicado no seqüestro do empresário Abílio Diniz na cidade de São Paulo.


 
 

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