-- - - -- - - -- - - -- - - - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 12 de setembro de 1998

SEXGATE
Relatório pede impeachment de Clinton

WASHINGTON - O Congresso norte-americano divulgou ontem o explosivo relatório do promotor especial Kenneth Starr, que conclui que o presidente Bill Clinton cometeu, com o romance com Monica Lewinsky, uma série de delitos "que podem justificar sua destituição".

O informe acusa o presidente de perjúrio, obstrução da justiça, indução a falso testemunho e abuso de poder. Além disso, fornece detalhes muito íntimos de sua relação com a ex-estagiária da Casa Branca.

Em 1974, depois do escândalo de Watergate, o então presidente Richard Nixon foi acusado de três "crimes" que motivaram sua renúncia. Depois de oito meses de investigação, Starr concluiu que o 42º. presidente dos Estados Unidos "mentiu sob juramento" sobre sua relação com Monica Lewinksy dia 17 de janeiro, quando foi ouvido, como parte do caso Paula Jones, que também entrou com uma ação contra o chefe de Estado por assédio sexual.

"Mentiu sob juramento" outra vez dia 17 de agosto, ante o Grande Júri (encarregado de decidir se processa ou não o suspeito) que investiga o escândalo Lewinsky.

Segundo o informe de 445 páginas, Clinton mentiu a seus assessores, "sabendo que eles repetiriam suas mentiras ante o Grande Júri". Clinton, prossegue o informe, "tentou bloquear a justiça" ao pedir a Monica Lewinsky que lhe devolvesse os presentes que ele lhe havia dado; o promotor havia pedido a Lewinsky que os entregasse como provas.

Para afirmar que Clinton teve "dez encontros sexuais" com a jovem californiana de 25 anos, tal como ela afirma, Starr não hesita em apresentar detalhes que vão da luxúria à sordidez.

Descreve jogos sexuais com um xaruto e precisa que isso acontecia muito perto da Sala Oval, o centro de poder da Casa Branca.

A presidência publicou um contra-ataque de 73 páginas horas antes de o informe Starr ter sido divulgado pela Internet. Nesse texto, os advogados do presidente refutam ponto por ponto as principais acusações do promotor.

Destacam que "o grave erro" cometido por Clinton é de natureza privada e não justifica uma destituição. Acusam Starr de querer "envergonhar o presidente e enganar o público apresentando um documento que não é senão um testemunho parcial e não muito sério de comportamento sexual".

Para redigir esse texto, os advogados se basearam em vazamentos na imprensa e em seu conhecimento geral do dossiê. O Congresso, dominado pelos adversários republicanos de Bill Clinton, não enviou ao Executivo uma cópia do informe antes de divulgá-lo publicamente.

Horas antes, Clinton participou de uma transmissão ao vivo pela televisão com 125 líderes religiosos do país, para tentar limitar os danos. Pela primeira vez pediu perdão a Monica Lewinsky e à família dela. Mas não chegou a sensibilizar nem os parlamentares e nem a imprensa.


 
 

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes