SEXGATE
Relatório
pede impeachment de ClintonWASHINGTON - O
Congresso norte-americano
divulgou ontem o explosivo
relatório do promotor especial
Kenneth Starr, que conclui que o
presidente Bill Clinton cometeu,
com o romance com Monica
Lewinsky, uma série de delitos
"que podem justificar sua
destituição".
O informe acusa
o presidente de perjúrio,
obstrução da justiça,
indução a falso testemunho e
abuso de poder. Além disso,
fornece detalhes muito íntimos
de sua relação com a
ex-estagiária da Casa Branca.
Em 1974, depois
do escândalo de Watergate, o
então presidente Richard Nixon
foi acusado de três
"crimes" que motivaram
sua renúncia. Depois de oito
meses de investigação, Starr
concluiu que o 42º. presidente
dos Estados Unidos "mentiu
sob juramento" sobre sua
relação com Monica Lewinksy dia
17 de janeiro, quando foi ouvido,
como parte do caso Paula Jones,
que também entrou com uma ação
contra o chefe de Estado por
assédio sexual.
"Mentiu
sob juramento" outra vez dia
17 de agosto, ante o Grande Júri
(encarregado de decidir se
processa ou não o suspeito) que
investiga o escândalo Lewinsky.
Segundo o
informe de 445 páginas, Clinton
mentiu a seus assessores,
"sabendo que eles repetiriam
suas mentiras ante o Grande
Júri". Clinton, prossegue o
informe, "tentou bloquear a
justiça" ao pedir a Monica
Lewinsky que lhe devolvesse os
presentes que ele lhe havia dado;
o promotor havia pedido a
Lewinsky que os entregasse como
provas.
Para afirmar
que Clinton teve "dez
encontros sexuais" com a
jovem californiana de 25 anos,
tal como ela afirma, Starr não
hesita em apresentar detalhes que
vão da luxúria à sordidez.
Descreve jogos
sexuais com um xaruto e precisa
que isso acontecia muito perto da
Sala Oval, o centro de poder da
Casa Branca.
A presidência
publicou um contra-ataque de 73
páginas horas antes de o informe
Starr ter sido divulgado pela
Internet. Nesse texto, os
advogados do presidente refutam
ponto por ponto as principais
acusações do promotor.
Destacam que
"o grave erro" cometido
por Clinton é de natureza
privada e não justifica uma
destituição. Acusam Starr de
querer "envergonhar o
presidente e enganar o público
apresentando um documento que
não é senão um testemunho
parcial e não muito sério de
comportamento sexual".
Para redigir
esse texto, os advogados se
basearam em vazamentos na
imprensa e em seu conhecimento
geral do dossiê. O Congresso,
dominado pelos adversários
republicanos de Bill Clinton,
não enviou ao Executivo uma
cópia do informe antes de
divulgá-lo publicamente.
Horas antes,
Clinton participou de uma
transmissão ao vivo pela
televisão com 125 líderes
religiosos do país, para tentar
limitar os danos. Pela primeira
vez pediu perdão a Monica
Lewinsky e à família dela. Mas
não chegou a sensibilizar nem os
parlamentares e nem a imprensa.