- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 12 de setembro de 1998


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Regina Pitóscia

Bolsa de São Paulo sobe 13,40%

A vistosa valorização das Bolsas de Valores deu um toque de aparente afrouxamento da tensão que vinha permeando os negócios no mercado financeiro desde o início da fuga de capitais do País. A Bolsa de São Paulo fechou com valorização de 13,40%, a maior desde a alta de 25,62%, de 10 de março de 1995, estimulada principalmente pelos rumores de que o País poderia receber ajuda financeira do exterior. O socorro viria do Tesouro norte-americano e de outros países integrantes do grupo dos países mais desenvolvidos (G-7).

O comportamento do fluxo de dólares, contudo, não correspondeu às expectativas para um dia em que esteve em vigor o novo nível de juros na economia. Na noite de quinta-feira, o Banco Central elevou o piso de juros indicado pela Taxa de Assistência aos Bancos (TBAN) de 29,75% para 49,75%, deixando claro que, em caso de continuidade de evasão de dólares, o governo poderia mover o piso até esse nível. A elevação é possível, mas, por enquanto, o BC indicou que o piso é menor. Logo pela manhã, o BC transmitiu ao mercado que estaria repassando ou tomando recursos do sistema pela taxa de 39,75%.

O saldo cambial negativo do dia na soma das movimentações dos câmbios comercial e flutuante, pelas contas do mercado, chegou a US$ 1,300 bilhão, que não é pouco, embora inferior ao de aproximadamente US$ 2 bilhões do dia anterior.

O mercado de ações reagiu positivamente às especulações de concessão de empréstimo-ponte pelos países do G-7, que, coincidentemente têm reunião neste fim de semana e na segunda-feira. Reforçaram a expectativa de ajuda as declarações do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michel Candessus, de que o fundo está pronto para ajudar países da América Latina.

Os comentários estimularam compras de investidores que não resistiram aos baixos preços das ações, até para não ser surpreendidos com fatos novos positivos no fim de semana. A preocupação, no entanto, é que a fragilidade política do presidente norte-americano, Bill Clinton, com a revelação do relatório sobre o affair Monica Lewinsky, atrapalhe a articulação de um programa de socorro financeiro ao Brasil.

Analistas explicam que a forte alta das Bolsas domésticas é resultado da combinação de preços aviltados com expectativa de ajuda financeira internacional ao País. Daí por que ela pode ter sido circunstancial, sem indicar uma reversão de tendência ou início de uma onda de valorização.

A Bolsa de Nova York fechou com alta de 2,36% ou avanço de 179,96 pontos.

Ouro
Fechamento: R$ 11,35
Variação: alta de 0,18%

O ouro movimentado na BM&F fechou com valorização de 0,18%, cotado por por R$ 11,35 o grama. O volume negociado foi de 559 kg. No mercado de Nova York, na Comex, a onça-troy de ouro (31,104 gramas) foi cotada por US$ 294,40 nos contratos para vencimento em outubro.

Dólar
Fechamento: R$ 1,320
Variação: alta de 1,54%

A cotação do dólar no mercado paralelo continua registrando altas sucessivas e acentuadas. Ontem, ao ser negociado por R$ 1,280, na compra, e por R$ 1,320, o black computou valorização de 1,54%. A cotação do comercial abriu em baixa, mas se recuperou e fechou com alta de 0,01%. Nesse mercado, o dólar estava sendo comprado por R$ 1,178 e vendido por R$ 1,179. O ágio foi ampliado de 10,23%, na quinta-feira, para 11,95%.

 
 

 

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