- -- - - - - - - -- - - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 12 de setembro de 1998

URBANISMO
Lixões estão com dias contados no interior

por CLÁUDIA PARENTE

A imagem desagradável de lixões a céu aberto, na entrada de grande parte das cidades do interior do Estado, deve desaparecer dentro de pouco tempo, para a tranqüilidade das populações destes lugares. A Companhia Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH) está intensificando, desde o início deste ano, a fiscalização nos municípios e autuando prefeituras indiferentes ao problema da limpeza pública. Atualmente, não existe nenhum aterro sanitário no Estado. Os lixões de Aguazinha e da Muribeca, na Região Metropolitana do Recife, estão sendo recuperados, ambientalmente, para esta finalidade.

"Estamos autuando todas as prefeituras de municípios que já foram vistoriados de 1994 para cá e não tomaram nenhuma providência para erradicar os lixões", avisa Ademir Amorim dos Santos, da Unidade de Recursos Sólidos e Esgotos da CPRH. Amorim explica que, depois de avaliar a situação de cada município, o órgão envia um relatório às prefeituras, contendo sugestões técnicas para implantação de um aterro sanitário ou controlado no lugar. Se, na próxima visita ao município constatar-se descaso com o problema detectado, as prefeituras serão autuadas e as cópias desse documento, encaminhadas ao Ministério Público, que poderá processá-las.

Em Salgueiro, onde o lixão está localizado às margens da BR-116, a 4Km da cidade, as exigências da CPRH não encontram oposição por parte da prefeitura. "O ponto fraco do nosso sistema de limpeza pública é a existência desse lixão na entrada da cidade", reconhece o prefeito Paulo Afonso Sampaio. Ele afirma que pretende seguir as orientações do órgão e que já está providenciando a desapropriação de um terreno de 5 hectares para implantar um aterro. "Só não fizemos isso antes porque não há dotação no orçamento de 1998 para este tipo de obra e não dispomos de outros recursos", explicou.

Para municípios que alegam falta de recursos para instalar os aterros sanitários - o custo é alto, tendo em vista a necessidade de tratamento de gases e líquidos e separação de materiais - a Companhia oferece a alternativa dos aterros controlados, situados em um buraco ou área plana, onde o lixo é compactado e coberto por uma camada de barro semanalmente. Nessas condições, uma parte do lixo é transformada naturalmente em adubo e o terreno pode ser reaproveitado para a agricultura. "Nossa meta é retirar todos os lixões localizados próximos às cidades, aos rios e a qualquer área habitada", informa Ademir Amorim, acrescentando que cidades próximas também podem unir-se e fazer um aterro comum. Quase todos os municípios da Zona da Mata já foram vistoriados e, em outubro, os trabalhos continuarão no Sertão do Estado.


     

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