URBANISMO
Lixões
estão com dias contados no
interiorpor CLÁUDIA PARENTE
A imagem
desagradável de lixões a céu
aberto, na entrada de grande
parte das cidades do interior do
Estado, deve desaparecer dentro
de pouco tempo, para a
tranqüilidade das populações
destes lugares. A Companhia
Pernambucana de Meio Ambiente
(CPRH) está intensificando,
desde o início deste ano, a
fiscalização nos municípios e
autuando prefeituras indiferentes
ao problema da limpeza pública.
Atualmente, não existe nenhum
aterro sanitário no Estado. Os
lixões de Aguazinha e da
Muribeca, na Região
Metropolitana do Recife, estão
sendo recuperados,
ambientalmente, para esta
finalidade.
"Estamos
autuando todas as prefeituras de
municípios que já foram
vistoriados de 1994 para cá e
não tomaram nenhuma providência
para erradicar os lixões",
avisa Ademir Amorim dos Santos,
da Unidade de Recursos Sólidos e
Esgotos da CPRH. Amorim explica
que, depois de avaliar a
situação de cada município, o
órgão envia um relatório às
prefeituras, contendo sugestões
técnicas para implantação de
um aterro sanitário ou
controlado no lugar. Se, na
próxima visita ao município
constatar-se descaso com o
problema detectado, as
prefeituras serão autuadas e as
cópias desse documento,
encaminhadas ao Ministério
Público, que poderá
processá-las.
Em Salgueiro,
onde o lixão está localizado
às margens da BR-116, a 4Km da
cidade, as exigências da CPRH
não encontram oposição por
parte da prefeitura. "O
ponto fraco do nosso sistema de
limpeza pública é a existência
desse lixão na entrada da
cidade", reconhece o
prefeito Paulo Afonso Sampaio.
Ele afirma que pretende seguir as
orientações do órgão e que
já está providenciando a
desapropriação de um terreno de
5 hectares para implantar um
aterro. "Só não fizemos
isso antes porque não há
dotação no orçamento de 1998
para este tipo de obra e não
dispomos de outros
recursos", explicou.
Para
municípios que alegam falta de
recursos para instalar os aterros
sanitários - o custo é alto,
tendo em vista a necessidade de
tratamento de gases e líquidos e
separação de materiais - a
Companhia oferece a alternativa
dos aterros controlados, situados
em um buraco ou área plana, onde
o lixo é compactado e coberto
por uma camada de barro
semanalmente. Nessas condições,
uma parte do lixo é transformada
naturalmente em adubo e o terreno
pode ser reaproveitado para a
agricultura. "Nossa meta é
retirar todos os lixões
localizados próximos às
cidades, aos rios e a qualquer
área habitada", informa
Ademir Amorim, acrescentando que
cidades próximas também podem
unir-se e fazer um aterro comum.
Quase todos os municípios da
Zona da Mata já foram
vistoriados e, em outubro, os
trabalhos continuarão no Sertão
do Estado.