- -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 10 de setembro de 1998

SAN SEBASTIÁN
Um poético cenário que lembra a Belle Époque

por MARCELO SOARES
Especial para o JC

Uma cidade margeada por uma bela baía, praias e um cenário que lembra a Belle Époque. Assim é San Sebastian - ou Donostia -, localizada no norte da Espanha, e que, no período de 17 a 26 setembro, vai abrigar o 46º Festival Internacional de Cine. Apresentada como "capital turística do País Vasco" (pronuncia-se "Basco"), a cidade é conhecida pelas iguarias à base de pescados, pela beleza de seus sítios e pelo importante senso de nacionalidade de seu povo.

San Sebastian é capital da província de Guipúzcoa - um dos três estados que formam a Comunidade Vasca. Os historiadores ainda não sabem precisar bem a origem deste povo, que hoje em dia faz parte do Estado da Espanha. Mas os primeiros registros da cidade datam do ano mil da era Cristã. Um povoado de pescadores habitava o sopé do monte Urgull e tirava seu sustento do Mar Cantábrico. Até o século passado, a pesca a baleias era uma das principais atividades dos donostiarras. O comércio na Baixa Idade Media surgiu com a emigração de franceses, principalmente da região da Gasconha - sudoeste da França.

A princípio, o povoado chamava-se Itzurum (lugar rodeado de água), mas logo os peregrinos a caminho de Santiago de Compostela renomearam-no: San Sebastian. A vasqueização do nome surgiu depois. Don Bastia, em Euskera (Língua Vasca), era o mesmo que San Sebastian. O tempo transformou Don Bastia em Donostia.

A PRAIA - Parte da história donostiarra está na ilha e nos três montes que formam a inspiradora baía da cidade. Logo pela manhã, o viajante pode observar parte desta bela paisagem na praia de Onckirreta ou na de la Concha (foto abaixo). As duas, que ficam lado a lado, não têm mais de dois quilômetros de extensão, e em uma hora é possível percorrê-las. Mesmo no mês de setembro, o clima é bastante agradável, podendo chegar até 30 graus centígrados.

Pegando a avenida de La Libertad, logo se chega ao Passeio de la Concha, espécie de calçadão onde os donostiarras observam a praia a uma altura de três metros. Descendo à areia por uma das ladeiras, o visitante pode ver o principal cartão postal da cidade: o Monte Igueldo do lado esquerdo, a Ilha de Santa Clara ao meio e o Monte Urgull à direita (foto acima). No final do Passeio de la Concha e já terminando a praia de Ondarreta, há um caminho que leva ao sopé do Monte Igueldo, e El Peine del Viento, obra do escultor donostiarra Eduardo Chillida.

A idéia de criar a escultura Pente de Vento nasceu durante a infância do autor, quando sentava nas pedras e imaginava um filtro mágico capaz de pentear o vento. Acabou por concretizar o sonho surrealista com a obra, a qual penteia o vento, as ondas e o céu.

Antes de uma subida ao Monte Urgull, é bom comprar um mapa e almoçar no porto, onde se presencia a chegada dos pescados diretamente para os restaurantes. Caracóis ao molho de agrião e o filé de linguado ao txakolí (vinho branco de gosto azedo) são alguns pratos que vale provar. Uma tapa (tira-gosto) como entrada? Peça um patê "caliente" de setas (cogumelos). Mas lembre que os preços são mais caros que no resto da Espanha, um dos países da Europa Ocidental onde, em geral, há refeições mais baratas.


     

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