SAN SEBASTIÁN
Um
poético cenário que lembra a
Belle Époquepor MARCELO SOARES
Especial para o JC
Uma cidade
margeada por uma bela baía,
praias e um cenário que lembra a
Belle Époque. Assim é San
Sebastian - ou Donostia -,
localizada no norte da Espanha, e
que, no período de 17 a 26
setembro, vai abrigar o 46º
Festival Internacional de Cine.
Apresentada como "capital
turística do País Vasco"
(pronuncia-se "Basco"),
a cidade é conhecida pelas
iguarias à base de pescados,
pela beleza de seus sítios e
pelo importante senso de
nacionalidade de seu povo.
San Sebastian
é capital da província de
Guipúzcoa - um dos três estados
que formam a Comunidade Vasca. Os
historiadores ainda não sabem
precisar bem a origem deste povo,
que hoje em dia faz parte do
Estado da Espanha. Mas os
primeiros registros da cidade
datam do ano mil da era Cristã.
Um povoado de pescadores habitava
o sopé do monte Urgull e tirava
seu sustento do Mar Cantábrico.
Até o século passado, a pesca a
baleias era uma das principais
atividades dos donostiarras. O
comércio na Baixa Idade Media
surgiu com a emigração de
franceses, principalmente da
região da Gasconha - sudoeste da
França.
A princípio, o
povoado chamava-se Itzurum (lugar
rodeado de água), mas logo os
peregrinos a caminho de Santiago
de Compostela renomearam-no: San
Sebastian. A vasqueização do
nome surgiu depois. Don Bastia,
em Euskera (Língua Vasca), era o
mesmo que San Sebastian. O tempo
transformou Don Bastia em
Donostia.
A PRAIA -
Parte da história donostiarra
está na ilha e nos três montes
que formam a inspiradora baía da
cidade. Logo pela manhã, o
viajante pode observar parte
desta bela paisagem na praia de
Onckirreta ou na de la Concha
(foto abaixo). As duas, que ficam
lado a lado, não têm mais de
dois quilômetros de extensão, e
em uma hora é possível
percorrê-las. Mesmo no mês de
setembro, o clima é bastante
agradável, podendo chegar até
30 graus centígrados.
Pegando a
avenida de La Libertad, logo se
chega ao Passeio de la Concha,
espécie de calçadão onde os
donostiarras observam a praia a
uma altura de três metros.
Descendo à areia por uma das
ladeiras, o visitante pode ver o
principal cartão postal da
cidade: o Monte Igueldo do lado
esquerdo, a Ilha de Santa Clara
ao meio e o Monte Urgull à
direita (foto acima). No final do
Passeio de la Concha e já
terminando a praia de Ondarreta,
há um caminho que leva ao sopé
do Monte Igueldo, e El Peine del
Viento, obra do escultor
donostiarra Eduardo Chillida.
A idéia de
criar a escultura Pente de Vento
nasceu durante a infância do
autor, quando sentava nas pedras
e imaginava um filtro mágico
capaz de pentear o vento. Acabou
por concretizar o sonho
surrealista com a obra, a qual
penteia o vento, as ondas e o
céu.
Antes de uma
subida ao Monte Urgull, é bom
comprar um mapa e almoçar no
porto, onde se presencia a
chegada dos pescados diretamente
para os restaurantes. Caracóis
ao molho de agrião e o filé de
linguado ao txakolí (vinho
branco de gosto azedo) são
alguns pratos que vale provar.
Uma tapa (tira-gosto) como
entrada? Peça um patê
"caliente" de setas
(cogumelos). Mas lembre que os
preços são mais caros que no
resto da Espanha, um dos países
da Europa Ocidental onde, em
geral, há refeições mais
baratas.