SAN SEBASTIÁN II
Charme
neoclássico na costa espanholaDepois da siesta, é
hora de subir ao Monte Urgull. O
sol, que aqui se põe no mar, já
está um pouco mais baixo. Isto
significa luz suave, ótima para
fotografia. De cima do Urgull,
além do Castilho de la Mota, há
uma bela visão da baía da
cidade e do porto. Para chegar
lá, o melhor é seguir a pé -
não dá para ir muito longe de
carro e não existe funicular.
Há muitas vias de acesso ao
topo. Se quiser conhecer antes um
pouco da parte velha da cidade,
siga pela rua 31 de agosto, onde
há a Paróquia de San Vicente -
construção mais antiga da
cidade, erguida em 1507.
Do lado da
igreja, há a Plaza Zuloaga, onde
ficam alguns cinemas da cidade e
uma escada de acesso ao Monte
Urgull. Siga em frente e explore
o morro, pois há diversas
ruínas do Castilho de La Mota,
últimos resquícios da Idade
Média donostiarra.
San Sebastian
conserva muito pouco de sua
época medieval, pois sofreu
diversas invasões e
conseqüentes incêndios. Ao
todo, foram 17, e o primeiro
deles aconteceu em 1266. Mas o
mais conhecido de todos foi o de
31 de agosto de 1813, durante a
Guerra da Independência, quando
as tropas do Duque de Wellington
botaram fogo na cidade. Das 660
casas existentes, 590 foram ao
chão. Há relatos de que muitos
soldados ingleses foram
enterrados nos arredores do
castelo, durante as lutas contra
Napoleão e nas Guerras
Carlistas. La Mota servia como
fortificação e masmorra para
soldados inimigos e ladrões.
Dentro, há um museu que conta um
pouco da história do forte.
Perto do Castilho, vê-se o
Cristo de La Mota, com 30 metros
de altura. Não faltam belos
mirantes.
Outro bom ponto
para tirar fotos é o Monte
Igueldo. Possui uma bela vista da
Ilha de Santa Clara e da praia de
Ondarreta. Em cima funciona um
parque de diversões. Onde hoje
se observa uma torre, havia um
antigo farol. Tem um funicular -
procure a Plaza Funicular - e
acesso para carro. Outro monte,
mais desabitado, é o Ulía. Lá
se localiza o campo de tiro e a
Pena del Ballenero, ponto onde
antigamente se procurava por
baleias.
Setembro, em
San Sebastian, é marcado por
diversas competições. No
início do mês, acontece o
campeonato de regatas,
mobilizando toda a sociedade. No
entanto, os esportes mais
exóticos e típicos dos
donostiarras envolvem força e
habilidade com o machado. Os
aizkolaris são os cortadores de
troncos de árvores, que se
apresentam em meio a apostas da
população. De posse de um
machado, ganha aquele que
cortá-lo mais rápido. Há
também o arrijasoketa, jogo em
que os participantes devem
levantar a pedra mais pesada. Os
dois eventos acontecem na Plaza
Trinidad, próximo à rua 31 de
agosto. Como não há data certa
para a competição, informe-se
na oficina de turismo.
BELLE
ÉPOQUE - Apesar da cidade
não abrigar muitos monumentos do
período medieval, ela possui
diversos palácios e casarios de
estilo neoclássico. A maioria
deles foi erguida no final do
século 19 e no início do 20.
San Sebastian ficou conhecida
como cidade nobre no período da
Belle Époque, com presença, no
verão, de personalidades da
corte espanhola, principalmente
da Rainha Maria Cristina.
Entre os
palácios mais antigos está o
Ayete (1878), onde a rainha
regente Maria Cristina se
hospedou várias vezes, antes da
construção do Palácio Miramar,
perto de La Concha. Foi nesta
época que surgiu a vocação de
Donostia para os cassinos. O
primeiro deles foi o Gran Casino,
que atraiu diversas
personalidades internacionais e,
aliado ao turismo, conseguiu
eleger San Sebastian como cidade
da moda.
No entanto, em
1924 o jogo foi proibido, só
voltando a ser liberado com a
elaboração da nova
constituição espanhola, após a
queda do ditador Franco. Hoje, o
antigo palácio abriga a
prefeitura da cidade e o Nuevo
Casino del Kursaal de San
Sebastian fica no Hotel de
Londres y de Inglaterra.
O Rio Urumea,
que divide a cidade, é outro
símbolo donostiarra. Nele, há
as três pontes que ligam partes
de San Sebastian: Maria Cristina
(réplica da ponte parisiense
Alejandro III), Santa Catalina e
Kursaal. A mais antiga delas é a
de Santa Catalina e sua
construção à base de pedra
data de 1870. Experimentou
diversas mudanças e sua última
modificação aconteceu em 1926.
Quando baixa a maré, é
possível ver a primitiva
fundação de madeira. Já na
ponte Kursaal, a mais nova,
observa-se o encontro do rio com
o Mar Cantábrico. Quando ele
está de ressaca, é possível
ver um belo espetáculo das ondas
se quebrando contra a ponte. (M.S.)