- -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 10 de setembro de 1998

SAN SEBASTIÁN II
Charme neoclássico na costa espanhola

Depois da siesta, é hora de subir ao Monte Urgull. O sol, que aqui se põe no mar, já está um pouco mais baixo. Isto significa luz suave, ótima para fotografia. De cima do Urgull, além do Castilho de la Mota, há uma bela visão da baía da cidade e do porto. Para chegar lá, o melhor é seguir a pé - não dá para ir muito longe de carro e não existe funicular. Há muitas vias de acesso ao topo. Se quiser conhecer antes um pouco da parte velha da cidade, siga pela rua 31 de agosto, onde há a Paróquia de San Vicente - construção mais antiga da cidade, erguida em 1507.

Do lado da igreja, há a Plaza Zuloaga, onde ficam alguns cinemas da cidade e uma escada de acesso ao Monte Urgull. Siga em frente e explore o morro, pois há diversas ruínas do Castilho de La Mota, últimos resquícios da Idade Média donostiarra.

San Sebastian conserva muito pouco de sua época medieval, pois sofreu diversas invasões e conseqüentes incêndios. Ao todo, foram 17, e o primeiro deles aconteceu em 1266. Mas o mais conhecido de todos foi o de 31 de agosto de 1813, durante a Guerra da Independência, quando as tropas do Duque de Wellington botaram fogo na cidade. Das 660 casas existentes, 590 foram ao chão. Há relatos de que muitos soldados ingleses foram enterrados nos arredores do castelo, durante as lutas contra Napoleão e nas Guerras Carlistas. La Mota servia como fortificação e masmorra para soldados inimigos e ladrões. Dentro, há um museu que conta um pouco da história do forte. Perto do Castilho, vê-se o Cristo de La Mota, com 30 metros de altura. Não faltam belos mirantes.

Outro bom ponto para tirar fotos é o Monte Igueldo. Possui uma bela vista da Ilha de Santa Clara e da praia de Ondarreta. Em cima funciona um parque de diversões. Onde hoje se observa uma torre, havia um antigo farol. Tem um funicular - procure a Plaza Funicular - e acesso para carro. Outro monte, mais desabitado, é o Ulía. Lá se localiza o campo de tiro e a Pena del Ballenero, ponto onde antigamente se procurava por baleias.

Setembro, em San Sebastian, é marcado por diversas competições. No início do mês, acontece o campeonato de regatas, mobilizando toda a sociedade. No entanto, os esportes mais exóticos e típicos dos donostiarras envolvem força e habilidade com o machado. Os aizkolaris são os cortadores de troncos de árvores, que se apresentam em meio a apostas da população. De posse de um machado, ganha aquele que cortá-lo mais rápido. Há também o arrijasoketa, jogo em que os participantes devem levantar a pedra mais pesada. Os dois eventos acontecem na Plaza Trinidad, próximo à rua 31 de agosto. Como não há data certa para a competição, informe-se na oficina de turismo.

BELLE ÉPOQUE - Apesar da cidade não abrigar muitos monumentos do período medieval, ela possui diversos palácios e casarios de estilo neoclássico. A maioria deles foi erguida no final do século 19 e no início do 20. San Sebastian ficou conhecida como cidade nobre no período da Belle Époque, com presença, no verão, de personalidades da corte espanhola, principalmente da Rainha Maria Cristina.

Entre os palácios mais antigos está o Ayete (1878), onde a rainha regente Maria Cristina se hospedou várias vezes, antes da construção do Palácio Miramar, perto de La Concha. Foi nesta época que surgiu a vocação de Donostia para os cassinos. O primeiro deles foi o Gran Casino, que atraiu diversas personalidades internacionais e, aliado ao turismo, conseguiu eleger San Sebastian como cidade da moda.

No entanto, em 1924 o jogo foi proibido, só voltando a ser liberado com a elaboração da nova constituição espanhola, após a queda do ditador Franco. Hoje, o antigo palácio abriga a prefeitura da cidade e o Nuevo Casino del Kursaal de San Sebastian fica no Hotel de Londres y de Inglaterra.

O Rio Urumea, que divide a cidade, é outro símbolo donostiarra. Nele, há as três pontes que ligam partes de San Sebastian: Maria Cristina (réplica da ponte parisiense Alejandro III), Santa Catalina e Kursaal. A mais antiga delas é a de Santa Catalina e sua construção à base de pedra data de 1870. Experimentou diversas mudanças e sua última modificação aconteceu em 1926. Quando baixa a maré, é possível ver a primitiva fundação de madeira. Já na ponte Kursaal, a mais nova, observa-se o encontro do rio com o Mar Cantábrico. Quando ele está de ressaca, é possível ver um belo espetáculo das ondas se quebrando contra a ponte. (M.S.)


     

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes