EXPLICAÇÕES
"Seleção
ficou traumatizada com a crise de
Ronaldinho"PARIS - O diretor
do Castelo de Grande Romaine em
Lésigny (região parisiense),
onde ficou concentrada a
Seleção Brasileira durante o
Mundial, deu ontem
esclarecimentos sobre "a
confusão geral" que reinou
no estabelecimento, após o
mal-estar de Ronaldinho, momentos
antes da final Brasil x França,
domingo passado, no Stade de
France, quando a Seleção fez um
primeiro tempo horrível e acabou
levando dois gols que
praticamente liquidaram o jogo a
favor dos franceses que chegaram
aos 3x0 no segundo tempo.
"Houve um
desespero geral, com gritarias
que acordaram todos os jogadores
que faziam a sesta",
declarou Paul Chevalier, em
entrevista à rádio France-Info.
"Aparentemente, Ronaldo teve
uma crise de epilepsia. Não
soubemos muita coisa. Isso criou
um ambiente horrível na equipe e
acabou tendo reflexos no
gramado."
O diretor do
estabelecimento onde a Seleção
Brasileira residiu de 22 de maio
a 13 de julho conta em detalhes o
que aconteceu na tarde de
domingo: "Eu estava no meu
escritório e pensei que tivesse
havido uma intrusão no hotel,
já que toda a equipe de
segurança, os policiais do GIGN
(Grupo de Intervenção da
Gendarmeria Nacional)... etc,
todo mundo correu para o quarto
de Ronaldo. Eu fiquei no
escritório porque da minha
janela podia ver que já havia
muita gente no quarto de Ronaldo.
Ouvi a palavra morte várias
vezes."
Para Chevalier,
não existe dúvida de que os
jogadores brasileiros ficaram
traumatizados com o que aconteceu
com Ronaldo. "Houve, de
fato, uma crise, uma crise. Os
nervos de Ronaldo não suportaram
tanta pressão. Ele é jovem e
sofre muita pressão. Ele soube
administrar a tensão durante
toda a Copa do Mundo, mas teve
esse momento de fraqueza e toda
equipe ficou traumatizada",
comentou.
"Normalmente,
os brasileiros saíam batucando
alegres e descontraídos. Mas
quando eles deixaram o hotel,
entre 18 horas e 18 horas e meia,
para o Stade de France, havia um
grande silêncio no ônibus. Nós
do hotel que já os conhecíamos,
compreendemos logo que a união
não existia mais, que eles
tinham perdido a Copa."