- - - -- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - --Jornal do Commercio - Recife, 16 de julho de 1998

EXPLICAÇÕES
"Seleção ficou traumatizada com a crise de Ronaldinho"

PARIS - O diretor do Castelo de Grande Romaine em Lésigny (região parisiense), onde ficou concentrada a Seleção Brasileira durante o Mundial, deu ontem esclarecimentos sobre "a confusão geral" que reinou no estabelecimento, após o mal-estar de Ronaldinho, momentos antes da final Brasil x França, domingo passado, no Stade de France, quando a Seleção fez um primeiro tempo horrível e acabou levando dois gols que praticamente liquidaram o jogo a favor dos franceses que chegaram aos 3x0 no segundo tempo.

"Houve um desespero geral, com gritarias que acordaram todos os jogadores que faziam a sesta", declarou Paul Chevalier, em entrevista à rádio France-Info. "Aparentemente, Ronaldo teve uma crise de epilepsia. Não soubemos muita coisa. Isso criou um ambiente horrível na equipe e acabou tendo reflexos no gramado."

O diretor do estabelecimento onde a Seleção Brasileira residiu de 22 de maio a 13 de julho conta em detalhes o que aconteceu na tarde de domingo: "Eu estava no meu escritório e pensei que tivesse havido uma intrusão no hotel, já que toda a equipe de segurança, os policiais do GIGN (Grupo de Intervenção da Gendarmeria Nacional)... etc, todo mundo correu para o quarto de Ronaldo. Eu fiquei no escritório porque da minha janela podia ver que já havia muita gente no quarto de Ronaldo. Ouvi a palavra morte várias vezes."

Para Chevalier, não existe dúvida de que os jogadores brasileiros ficaram traumatizados com o que aconteceu com Ronaldo. "Houve, de fato, uma crise, uma crise. Os nervos de Ronaldo não suportaram tanta pressão. Ele é jovem e sofre muita pressão. Ele soube administrar a tensão durante toda a Copa do Mundo, mas teve esse momento de fraqueza e toda equipe ficou traumatizada", comentou.

"Normalmente, os brasileiros saíam batucando alegres e descontraídos. Mas quando eles deixaram o hotel, entre 18 horas e 18 horas e meia, para o Stade de France, havia um grande silêncio no ônibus. Nós do hotel que já os conhecíamos, compreendemos logo que a união não existia mais, que eles tinham perdido a Copa."


     

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