CORTES II
Discussão
do teto de R$ 12.720,00 no país
volta para a estaca zeroBRASÍLIA - A
discussão sobre o valor do novo
teto salarial do funcionalismo
público, que seria fixado em R$
12.720, voltou à estaca zero.
Depois das reclamações do
presidente Fernando Henrique
Cardoso e dos presidentes do
Senado, Antônio Carlos
Magalhães (PFL-BA), e da
Câmara, Michel Temer (PMDB-SP),
e da desastrosa repercussão no
Congresso, ontem foi a vez de o
presidente do Supremo Tribunal
Federal (STF), ministro Celso de
Mello, mostrar-se favorável à
reabertura das negociações
entre os chefes dos três
poderes. Mello vai além e
defende a revisão da própria
reforma administrativa,
promulgada há seis meses, o
mesmo é defendido por Antônio
Carlos, que propõe o fim do
efeito-cascata na remuneração
do Poder Judiciário.
"Já que o
presidente da República se
opõe, e os presidentes da
Câmara e do Senado entendem que
deve haver nova discussão, o STF
está inteiramente aberto ao
debate, sem restrição. Nenhuma
proposta pode ser apresentada sem
que em torno dela se forme o
consenso dos cidadãos",
afirmou o presidente do Supremo.
Surpreso com a
reação de Fernando Henrique,
Antônio Carlos e Temer, apenas
um dia depois de selado o acordo
para definição do teto, Celso
de Mello considera que todos
devem amadurecer idéias para
novo encontro em fevereiro,
depois do recesso no Judiciário
e no Legislativo. Até lá,
discutirá com os integrantes do
STF a posição que será levada
à apreciação dos demais
poderes.
"Entendo
que uma nova reflexão é um
gesto sensato, e sobretudo de
respeito à opinião dos
cidadãos, o que só fortalece a
prática democrática",
disse Mello. Ontem, as críticas
do Executivo e do Legislativo
foram o principal assunto dos
ministros do Supremo.