EDUCAÇÃO
Aluno
médio não assimila bem a escola
modernaSÃO PAULO -
Além de aprender pouco no ensino
médio (o antigo 2º grau), os
estudantes não estão
conseguindo desenvolver a
capacidade para aplicar esses
parcos conhecimentos na vida
real, aquela que ocorre, por
exemplo, no trabalho. O resultado
do primeiro Exame Nacional de
Ensino Médio, o Enem, divulgado
ontem pelo Ministério da
Educação, mostra que os
estudantes têm mais facilidade
para lidar com os conteúdos
tradicionais transmitidos pelas
escolas, como ler e escrever,
fazer contas ou entender um
gráfico. Mesmo assim, o
desempenho nessa competência
básica, que o Enem chama de
"domínio das
linguagens", ficou com nota
média 42 (numa escala de 0 a
100).
O exame mostra,
porém, que as notas pioram
quando as questões exigem uma
aplicação mais prática das
linguagens básicas aprendidas na
escola (português, matemática,
ciências, arte). Por exemplo, a
competência para construir
argumentações consistentes, que
exige a articulação dessas
várias linguagens, teve a menor
nota média do exame: 37. O
fracasso do ensino médio
tradicional também fica evidente
com outras notas: a prova de
conhecimentos gerais teve média
40; a de redação ficou com 46.
HABILIDADES -
Mais do que testar a capacidade
do aluno de acumular
informações, como ocorre nos
vestibulares, o Enem se propõe a
avaliar as competências e
habilidades que ele adquiriu
durante toda sua escolarização.
"O exame avalia a capacidade
do indivíduo de desenvolver
determinadas operações mentais
que ele deveria ter aprendido ao
longo do 2º grau. Essa prova vai
na direção das novas teorias
cognitivas, das inteligências
múltiplas, para aquilo que deve
ser a educação atual", diz
Maria Helena Guimarães de
Castro, presidente do Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais.