POLÍTICA MILITAR
Justiça
suspende nomeação de oficiaisO desembargador do
Tribunal de Justiça de
Pernambuco (TJPE) Waldemir Lins
concedeu, ontem, uma liminar
impedindo a promoção de
oficiais militares que seria
realizada pelo Comando Geral da
Polícia Militar de Pernambuco
(PMPE) no próximo dia 25 de
dezembro. A liminar foi concedida
a uma comissão de dez militares,
atendendo mandado de segurança
impetrado no dia 24 do mês
passado. O documento solicitava a
anulação do ato do governador
Miguel Arraes, que permitia a
promoção de oficias da PM.
Esses oficiais estariam sendo
beneficiados com a reativação
de seis órgãos da Polícia
Militar, extintos no ano passado
após terem sido considerados
inoperantes.
Além da
liminar que impede o Governo do
Estado de nomear os novos postos,
o Ministério Público de
Pernambuco também solicitou ao
Comando-Geral da PM que seja
interrompido o processo de
promoção de oficiais. Em
ofício encaminhado na última
segunda-feira (14) ao
comandante-geral da Polícia
Militar, coronel Gustavo José
Monteiro Guimarães, o promotor
de justiça Francisco Sales pede
a suspensão da nomeação de
seis coronéis, quatro majores,
um capitão e um tenente.
Segundo
informações, para que os
oficiais ficassem aptos à
promoção, o governador Miguel
Arraes teria editado dois atos
administrativos, reduzindo o
período mínimo que o militar
deve passar em cada posto antes
de ser promovido (interstício) e
o tempo de serviço exercendo
funções como policial junto à
tropa (serviço arregimentado).
AFASTAMENTO -
Em protesto à nomeação de
novos postos na Casa Militar, os
coronéis Severino José do Carmo
Barbosa, Iran Pereira dos Santos
e José Ivo de Freitas,
integrantes da Comissão de
Promoção de Oficiais da
Polícia Militar (COPM),
solicitaram, no último dia 10 de
dezembro, o seu afastamento da
COPM - responsável em indicar ao
governador os oficiais a serem
promovidos.
"Não
concordamos com os nomes
indicados, muito menos com a
forma como esse processo está
sendo conduzido", justificou
um tenente-coronel, porta-voz do
grupo, que pediu para não ser
identificado. Outro fato que
levou três membros do COPM a se
desligarem do grupo foi a
exoneração de um dos seis
integrantes da comissão, o
coronel Pero Vaz Caminha da
Silva, ocorrido no início deste
mês.
Durante o
processo de escolha dos militares
a serem promovidos, Caminha da
Silva teria se posicionado contra
as nomeações, assim como os
outros três coronéis que
pediram o afastamento do grupo.
"Como a comissão é
composta de seis militares e não
haveria empate na votação dos
indicados à promoção, o
comandante-geral decidiu então
exonerar um dos integrantes da
COPM", explicou o porta-voz
do grupo. "É estranho que
essas nomeações aconteçam
justamente no fim do mandato.
Pior ainda são os artifícios
utilizados para que isso
aconteça", completou.