JUSTIÇA
Decisão
sobre habeas-corpus sai hojeA decisão sobre o
pedido de habeas-corpus em favor
do empresário Oscar Aracaty
Rocha de Lima será anunciada,
hoje, às 13h30, no Tribunal de
Justiça de Pernambuco. O juiz
Odilon de Oliveira Neto, relator
do processo, decidirá se o
acusado aguardará julgamento
preso ou em liberdade. O
habeas-corpus foi impetrado pelos
advogados do empresário, Bóris
e Eduardo Trindade, no final da
tarde da última terça-feira,
horas depois de Aracaty ter sido
preso por policiais civis, no
campus da Universidade Católica
de Pernambuco (Unicap). O acusado
aguarda a decisão no Presídio
Aníbal Bruno. Segundo
informações, ele demonstrou
estar confiante de que o seu
pedido de soltura será acatado
pela Justiça.
Aracaty é
acusado de assassinar o travesti
Ednorílson Oliveira de Araújo,
conhecido como "Sera",
no dia 2 de outubro de 1984, no
bairro de Boa Viagem. No mês
passado, o juiz Antônio Carlos
Alves da Silva decretou a prisão
preventiva do empresário,
atendendo pedido do Ministério
Público. O julgamento do acusado
já foi desmarcado várias vezes,
na maioria delas, porque Oscar
Aracaty não comparece ao júri,
alegando problemas de saúde.
Ontem, pela
manhã, o empresário recebeu a
visita do pai, Osmar Salvado de
Lima, que foi levar roupa e
objetos de higiene pessoal para o
filho. O acusado passou
praticamente o dia inteiro dentro
da cela. Segundo o diretor do
Aníbal Bruno, capitão Roberto
Galindo, Aracaty já foi
informado pelos familiares do
resultado do vestibular da
Unicap, onde ele conseguiu uma
vaga no curso de administração.
Por causa do
dia de visitas, o empresário foi
transferido para o pavilhão L,
onde ficam trancados os presos
que são réus primários.
"Caso não seja solto, ele
deverá ficar nesse pavilhão
porque ele não tem experiência
de presídio. Como ele é uma
pessoa com boas condições
financeiras, queremos evitar que
os presos tentem extorqui-lo em
troca de favores ou de
proteção", explicou o
Galindo.
Arredio com a
imprensa, Oscar Aracaty mandou um
recado para os repórteres que
tentaram conversar com ele,
ontem, no Aníbal Bruno.
"Diga a eles que eu tomei um
remédio e só vou acordar quando
for para sair do presídio",
avisou a um dos policiais. O
acusado é um dos proprietários
da empresa de vigilância
Preserve. Na época do crime, ele
alegou que foi vítima de
assalto. O assassinato foi
testemunhado por vários
travestis que faziam ponto na
Avenida Antônio Falcão, em Boa
Viagem.