TRANSPORTE
Kombeiros
protestam contra apreensãoDurante todo o dia de
ontem, a Polícia Rodoviária
Federal (PRF) e o Comando da
Policial da Região Metropolitana
do Recife (CPRM) estiveram
fiscalizando a circulação de
veículos que fazem o transporte
alternativo no estado. Em
Pontezinha, no Cabo de Santo
Agostinho, dezenas de motoristas
que tiveram os seus veículos
apreendidos protestaram contra a
medida judicial que exige a
fiscalização e a retirada desse
tipo de transporte das ruas nas
cidades onde não for legalizado.
"Até os
veículos de placa branca estão
sendo recolhidos", protestou
o motorista Marcos Antônio do
Nascimento, que teve a sua Kombi
retida no posto da PRF de
Pontezinha. Outro kombeiro
inconformado era o alagoano
Antônio Romão, que trazia um
grupo de turistas ao Recife.
"Mesmo legalizado, o meu
veículo ficou preso",
reclamou. De acordo com o
assessor de comunicação da PRF,
Éder Rommel, a operação de
fiscalização deve continuar
durante os próximos dias.
"Só estamos apreendendo os
veículos que estiverem com
pendências", garantiu. No
Cabo, duas viaturas da PRF
circularam durante toda a manhã
de ontem pela BR-101, em busca de
transportes irregulares.
Segundo o
presidente do Sindicato dos
Condutores Autônomos em
Transporte Alternativo
(Sindkombi), Amauri Soares, a
categoria entrou com um pedido de
suspensão da liminar junto ao
Tribunal Regional Federal (TRF).
"Agora a questão é apenas
judicial. A nossa orientação é
para que todos os motoristas
deixem de rodar enquanto não
resolvermos a questão",
argumentou. Os kombeiros prometem
diversas mobilizações durante o
dia de hoje. "Cerca de cem
mil motoristas estarão
protestando em todo o estado, mas
de forma pacífica".
A medida
judicial, expedida pelo juiz da
10ª Vara de Justiça Federal,
Edvaldo Batista da Silva Júnior,
está baseada no novo Código de
Trânsito Brasileiro (CTB). A
liminar exige a fiscalização
ostensiva do transporte
alternativo em todo o estado,
coibindo-o nos municípios onde
não é regularizado. Caso a
determinação não seja
cumprida, o Estado, a União e a
Empresa Metropolitana de
Transportes Urbanos (EMTU) devem
pagar multas diárias de R$ 10
mil.
A liminar
resultou de uma ação impetrada
pelo Sindicato das Empresas de
Transporte Público de
Passageiros (Setrans), que alega
o prejuízo do transporte
público por conta das Kombis de
aluguel. "Essa medida só
favorece aos donos das empresas
de ônibus e prejudica a
sociedade e pais de família que
precisam trabalhar", afirma
Amauri Soares.