EDUCAÇÃO II
Exames
seriados têm uma boa aceitaçãoA decisão do Conselho
Nacional de Educação (CNE) de
aceitar os exames seriados como
forma de ingresso às
universidades, além do
vestibular, está sendo bem
aceita. Estudantes, dirigentes de
escolas e faculdades argumentam
que se trata de uma solução
justa. Ao adotar os exames
seriados, o processo seletivo
será feito com a aplicação de
provas ao final de cada ano do
ensino médio.
A diretora
pedagógica do Colégio Boa
Viagem, Maria Aparecida da Costa,
lembra que algumas faculdades do
país interpretaram mal a
abertura criada pela Lei de
Diretrizes e Bases da Educação,
que desde o final de 96 passou a
permitir formas alternativas ao
exame pré-universitário.
Para Aparecida,
o vestibular e os exames seriados
são as melhores formas de
seleção do momento. Como nem
sempre o programa das disciplinas
tem tratamento igual nas escolas,
ela observa que o ingresso
mediante a análise do histórico
escolar poderia gerar equívocos.
Faculdades de outros estados
estavam adotando essa análise de
histórico e até mesmo convênio
com escolas de nível médio para
preenchimento de suas vagas.
Para o
coordenador do Colégio Radier,
Marcelo Barreto, toda alternativa
que sirva para democratizar a
entrada dos estudantes nas
faculdades é válida.
"Resta saber quais serão os
critérios que vão ser
tomados", ressalta.
O coordenador
do Diretório Acadêmico de
Medicina da UFPE, Rodrigo Cariri,
considera um avanço a inclusão
do exame seriado como forma de
ingresso às universidades.
Segundo ele, "o sistema vai
acabar com a máfia dos
cursinhos", na medida em que
a avaliação será feita a cada
ano.
A professora
Ivânia Melo, diretora da
Associação de Ensino Superior
de Olinda, também concorda com a
posição do CNE. Entretanto,
sugere que os exames seriados
tenham um modelo único,
elaborado pelo próprio
Ministério da Educação.
Alguns
estudantes questionam o exame
seriado, por acharem que irá
privilegiar os alunos das escolas
particulares. "Os que podem
pagar vão se preparam melhor
todos os anos, e nós, como
sempre, teremos menos acesso às
universidades públicas",
comenta o estudante do Instituto
de Educação de Pernambuco, Luiz
Henrique Ferreira, 19 anos.
"Acho que
será mais fácil para os que
estudam nas escolas públicas.
Terão três anos para cobrar dos
professores que cumpram os
programas e assim poderão fazer
os exames mais preparados",
diz o estudante do Colégio
Radier, Agnaldo Júnior, 17 anos.