- - - -- - - - - - - -- - - - -- - - ---Jornal do Commercio - Recife, 17 de dezembro de 1998

EDUCAÇÃO II
Exames seriados têm uma boa aceitação

A decisão do Conselho Nacional de Educação (CNE) de aceitar os exames seriados como forma de ingresso às universidades, além do vestibular, está sendo bem aceita. Estudantes, dirigentes de escolas e faculdades argumentam que se trata de uma solução justa. Ao adotar os exames seriados, o processo seletivo será feito com a aplicação de provas ao final de cada ano do ensino médio.

A diretora pedagógica do Colégio Boa Viagem, Maria Aparecida da Costa, lembra que algumas faculdades do país interpretaram mal a abertura criada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que desde o final de 96 passou a permitir formas alternativas ao exame pré-universitário.

Para Aparecida, o vestibular e os exames seriados são as melhores formas de seleção do momento. Como nem sempre o programa das disciplinas tem tratamento igual nas escolas, ela observa que o ingresso mediante a análise do histórico escolar poderia gerar equívocos. Faculdades de outros estados estavam adotando essa análise de histórico e até mesmo convênio com escolas de nível médio para preenchimento de suas vagas.

Para o coordenador do Colégio Radier, Marcelo Barreto, toda alternativa que sirva para democratizar a entrada dos estudantes nas faculdades é válida. "Resta saber quais serão os critérios que vão ser tomados", ressalta.

O coordenador do Diretório Acadêmico de Medicina da UFPE, Rodrigo Cariri, considera um avanço a inclusão do exame seriado como forma de ingresso às universidades. Segundo ele, "o sistema vai acabar com a máfia dos cursinhos", na medida em que a avaliação será feita a cada ano.

A professora Ivânia Melo, diretora da Associação de Ensino Superior de Olinda, também concorda com a posição do CNE. Entretanto, sugere que os exames seriados tenham um modelo único, elaborado pelo próprio Ministério da Educação.

Alguns estudantes questionam o exame seriado, por acharem que irá privilegiar os alunos das escolas particulares. "Os que podem pagar vão se preparam melhor todos os anos, e nós, como sempre, teremos menos acesso às universidades públicas", comenta o estudante do Instituto de Educação de Pernambuco, Luiz Henrique Ferreira, 19 anos.

"Acho que será mais fácil para os que estudam nas escolas públicas. Terão três anos para cobrar dos professores que cumpram os programas e assim poderão fazer os exames mais preparados", diz o estudante do Colégio Radier, Agnaldo Júnior, 17 anos.


     

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