PARIMÔNIO
Museu
do Estado reabre as portas com
300 novas peças em exposiçãoDepois de quatro meses
fechado para reforma, o Museu do
Estado reabre suas portas às 19h
de hoje, com uma cerimônia
informal. O público vai
encontrar 300 novas peças que
foram incorporadas ao acervo,
entre elas 196 quadros de
diversos artistas plásticos como
Brennand, Cícero Dias,
Wellington Virgolino, Burle Marx,
João Câmara e Lula Cardoso
Ayres. Os quadros faziam parte do
acervo do Bandepe, privatizado no
mês passado, e estavam
espalhados nas agências. O banco
também repassou ao museu
esculturas e peças populares.
"Vou
entregar o museu completamente
novo ao próximo governo, com o
acervo todo catalogado. Nós
recuperamos o telhado, pintamos o
prédio e restauramos peças e
móveis", diz a diretora
Tereza Costa Rêgo. Nos 12 anos
que esteve à frente do espaço
(será substituída por Sylvia
Pontual a partir de janeiro), ela
acrescentou mais de 500 peças ao
acervo. Dentre as quais, 25
fragmentos de pedras gravadas que
foram retiradas das margens do
Rio São Francisco, na região de
Petrolândia, na época da
construção da barragem de
Itaparica.
Tereza Costa
Rêgo explica que esses
fragmentos de pedras
pré-históricas, com mais de
oito mil anos, foram recuperados
de um sítio histórico na
Barreira de Itaquatiara, com
autorização do Ministério da
Cultura. O material foi doado
pela Universidade Federal de
Pernambuco (UFPE). "São
peças raras, pois não se tira
material pré-histórico do seu
local de origem, e apenas o Museu
do Estado possui", revela a
diretora. Ela destaca os três
painéis do século 18, sobre a
Batalha dos Guararapes, como o
mais importante acervo do museu.
Os painéis
(ex-votos) são de autoria
desconhecida e ficam em um dos
principais salões do prédio.
Embora pouca gente saiba, o Museu
do Estado possui a segunda maior
coleção indígena do Brasil,
com artesanato em palha, pena e
miçangas. "A coleção é
muito frágil, devido ao material
utilizado, por isso não expomos
tudo, sempre", justifica.
Para preservar a memória da
coleção indígena - as penas e
as palhas se acabam com o tempo -
Tereza Costa Rêgo pretendia
editar um livro com texto da
arqueóloga Gabriela Martin, da
UFPE, e fotos de Hélder Férrer.
O livro "Memória
Indígena" está pronto há
cerca de três anos, mas não há
dinheiro para bancar a edição.
ANEXO -
Tereza Costa Rêgo lamenta não
ter conseguido construir o anexo
do museu, que poderia abrigar o
artesanato indígena.
"Infelizmente não tivemos
dinheiro suficiente",
ressalta. O projeto do anexo
(seria construído no terreno ao
lado do museu) foi elaborado pelo
arquiteto Moisés Agamenon, mas
não pode ser executado porque a
fundação seria muito cara.
"Passava um riacho no
terreno e seria preciso muito
aterro para fazer o
alicerce". O Museu do Estado
tem 14 mil peças e funciona na
Avenida Rui Barbosa, nas Graças.