- - - -- - - - - - - -- - - - -- - - ---Jornal do Commercio - Recife, 17 de dezembro de 1998

PARIMÔNIO
Museu do Estado reabre as portas com 300 novas peças em exposição

Depois de quatro meses fechado para reforma, o Museu do Estado reabre suas portas às 19h de hoje, com uma cerimônia informal. O público vai encontrar 300 novas peças que foram incorporadas ao acervo, entre elas 196 quadros de diversos artistas plásticos como Brennand, Cícero Dias, Wellington Virgolino, Burle Marx, João Câmara e Lula Cardoso Ayres. Os quadros faziam parte do acervo do Bandepe, privatizado no mês passado, e estavam espalhados nas agências. O banco também repassou ao museu esculturas e peças populares.

"Vou entregar o museu completamente novo ao próximo governo, com o acervo todo catalogado. Nós recuperamos o telhado, pintamos o prédio e restauramos peças e móveis", diz a diretora Tereza Costa Rêgo. Nos 12 anos que esteve à frente do espaço (será substituída por Sylvia Pontual a partir de janeiro), ela acrescentou mais de 500 peças ao acervo. Dentre as quais, 25 fragmentos de pedras gravadas que foram retiradas das margens do Rio São Francisco, na região de Petrolândia, na época da construção da barragem de Itaparica.

Tereza Costa Rêgo explica que esses fragmentos de pedras pré-históricas, com mais de oito mil anos, foram recuperados de um sítio histórico na Barreira de Itaquatiara, com autorização do Ministério da Cultura. O material foi doado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). "São peças raras, pois não se tira material pré-histórico do seu local de origem, e apenas o Museu do Estado possui", revela a diretora. Ela destaca os três painéis do século 18, sobre a Batalha dos Guararapes, como o mais importante acervo do museu.

Os painéis (ex-votos) são de autoria desconhecida e ficam em um dos principais salões do prédio. Embora pouca gente saiba, o Museu do Estado possui a segunda maior coleção indígena do Brasil, com artesanato em palha, pena e miçangas. "A coleção é muito frágil, devido ao material utilizado, por isso não expomos tudo, sempre", justifica. Para preservar a memória da coleção indígena - as penas e as palhas se acabam com o tempo - Tereza Costa Rêgo pretendia editar um livro com texto da arqueóloga Gabriela Martin, da UFPE, e fotos de Hélder Férrer. O livro "Memória Indígena" está pronto há cerca de três anos, mas não há dinheiro para bancar a edição.

ANEXO - Tereza Costa Rêgo lamenta não ter conseguido construir o anexo do museu, que poderia abrigar o artesanato indígena. "Infelizmente não tivemos dinheiro suficiente", ressalta. O projeto do anexo (seria construído no terreno ao lado do museu) foi elaborado pelo arquiteto Moisés Agamenon, mas não pode ser executado porque a fundação seria muito cara. "Passava um riacho no terreno e seria preciso muito aterro para fazer o alicerce". O Museu do Estado tem 14 mil peças e funciona na Avenida Rui Barbosa, nas Graças.


     

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