POLÍTICA MONETÁRIA II
Economistas
dizem que corte nas taxas não
livra País da recessãoRIO - A nova
rodada de redução dos juros
não livra a economia brasileira
da recessão esperada para o
primeiro trimestre de 1999. Com o
piso dos juros em 29% ao ano, o
País volta ao patamar vigente em
março deste ano, quando a Taxa
Básica do Banco Central (TBC)
baixou de 34,5% para 28%. Naquela
ocasião, a produção industrial
começou a se recuperar. Efeito
semelhante, contudo, não deve
ser observado agora, uma vez que
o desaquecimento econômico é
mais intenso.
"O
primeiro trimestre está
comprometido porque o cenário
ainda é muito instável. Além
disso, há dúvidas sobre a
capacidade de o Banco Central
atuar na nova TBC já a partir de
hoje", diz o economista
Aloísio Campelo, da Fundação
Getúlio Vargas (FGV). O
economista Luciano Coutinho, da
Unicamp, reconhece que o BC deve
ter uma postura conservadora em
relação aos juros, mas acredita
que a TBC poderia estar de três
a quatro pontos percentuais
abaixo do novo nível.
"Qualquer
piso acima de 27% ao ano é
excesso de cuidado", disse
Coutinho, considerado um crítico
da atual política econômica. O
decano da PUC-RJ, Luiz Roberto
Cunha, avalia que a equipe
econômica não teria outra
alternativa em relação aos
juros: "Foi um
conservadorismo necessário, num
momento difícil. Ainda não
recuperamos a credibilidade
externa e temos grande
vulnerabilidade interna. Afinal,
o ajuste fiscal está
atrasado".
CRISE -
Com o agravamento das saídas de
dólares do País, a partir do
final de agosto, em consequência
da crise da Rússia, a solução
encontrada pelo Banco Central
para estancar a fuga de dinheiro
foi tornar mais caros os
empréstimos que os bancos
estavam tomando junto ao próprio
BC para comprar as divisas.
Assim, na reunião do dia 2 de
setembro, o Copom decidiu excluir
as linhas que tinham encargos
pela TBC.
Estas linhas de
assistência passaram, então, a
ser atualizadas exclusivamente
pela Tban. Ainda naquele dia, a
Tban foi elevada de 25,75% ao ano
para 29,75%. No dia 10 de
setembro - numa reunião extra -
o Copom puxou a Tban para 49,75%
ao ano. Uma última tentativa de
conter as saídas de dinheiro que
permaneciam elevadas. Desde
aquela época, a taxa efetiva de
juros passou a ser definida no
overnight. No início de
novembro, esta taxa estava em
torno de 42% e no dia 11 daquele
mês, em nova reunião, o Copom
fixou a Tban em 42,25%. A TBC,
por sua vez, continuou inoperante
e foi mantida em 19%.
BANDAS -
A primeira sinalização do
retorno ao sistema de banda com a
reativação da TBC foi dada no
dia 2 passado. Naquele dia, o
Banco Central anunciou a
criação do Depósito
Voluntário Remunerado (DVR). O
DVR vigora a partir de hoje -
portanto um dia depois da
reunião do Copom - e a
remuneração corresponde a TBC
menos 0,25 ponto porcentual.
Segundo
admitiram fontes do próprio BC,
"nunca se pensou em oferecer
remuneração de 19% menos
0,25". Um sinal claro de que
já havia a intenção de retomar
o sistema de bandas.