- - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 17 de dezembro de 1998

POLÍTICA MONETÁRIA II
Economistas dizem que corte nas taxas não livra País da recessão

RIO - A nova rodada de redução dos juros não livra a economia brasileira da recessão esperada para o primeiro trimestre de 1999. Com o piso dos juros em 29% ao ano, o País volta ao patamar vigente em março deste ano, quando a Taxa Básica do Banco Central (TBC) baixou de 34,5% para 28%. Naquela ocasião, a produção industrial começou a se recuperar. Efeito semelhante, contudo, não deve ser observado agora, uma vez que o desaquecimento econômico é mais intenso.

"O primeiro trimestre está comprometido porque o cenário ainda é muito instável. Além disso, há dúvidas sobre a capacidade de o Banco Central atuar na nova TBC já a partir de hoje", diz o economista Aloísio Campelo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O economista Luciano Coutinho, da Unicamp, reconhece que o BC deve ter uma postura conservadora em relação aos juros, mas acredita que a TBC poderia estar de três a quatro pontos percentuais abaixo do novo nível.

"Qualquer piso acima de 27% ao ano é excesso de cuidado", disse Coutinho, considerado um crítico da atual política econômica. O decano da PUC-RJ, Luiz Roberto Cunha, avalia que a equipe econômica não teria outra alternativa em relação aos juros: "Foi um conservadorismo necessário, num momento difícil. Ainda não recuperamos a credibilidade externa e temos grande vulnerabilidade interna. Afinal, o ajuste fiscal está atrasado".

CRISE - Com o agravamento das saídas de dólares do País, a partir do final de agosto, em consequência da crise da Rússia, a solução encontrada pelo Banco Central para estancar a fuga de dinheiro foi tornar mais caros os empréstimos que os bancos estavam tomando junto ao próprio BC para comprar as divisas. Assim, na reunião do dia 2 de setembro, o Copom decidiu excluir as linhas que tinham encargos pela TBC.

Estas linhas de assistência passaram, então, a ser atualizadas exclusivamente pela Tban. Ainda naquele dia, a Tban foi elevada de 25,75% ao ano para 29,75%. No dia 10 de setembro - numa reunião extra - o Copom puxou a Tban para 49,75% ao ano. Uma última tentativa de conter as saídas de dinheiro que permaneciam elevadas. Desde aquela época, a taxa efetiva de juros passou a ser definida no overnight. No início de novembro, esta taxa estava em torno de 42% e no dia 11 daquele mês, em nova reunião, o Copom fixou a Tban em 42,25%. A TBC, por sua vez, continuou inoperante e foi mantida em 19%.

BANDAS - A primeira sinalização do retorno ao sistema de banda com a reativação da TBC foi dada no dia 2 passado. Naquele dia, o Banco Central anunciou a criação do Depósito Voluntário Remunerado (DVR). O DVR vigora a partir de hoje - portanto um dia depois da reunião do Copom - e a remuneração corresponde a TBC menos 0,25 ponto porcentual.

Segundo admitiram fontes do próprio BC, "nunca se pensou em oferecer remuneração de 19% menos 0,25". Um sinal claro de que já havia a intenção de retomar o sistema de bandas.


     

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