CONTAS PÚBLICAS
Evasão
quebra receita de ICMS e
compromete folha de dezembroO Estado de Pernambuco
teme não ter receita suficiente
para pagar os salários de
dezembro do funcionalismo
público. O receio surgiu com a
previsão de queda na
arrecadação de ICMS no setor de
bebidas, estimada em R$ 45
milhões, a partir de dezembro.
Este valor equivale a mais de
duas vezes os repasses
orçamentários aos poderes
Legislativo e Judiciário, que
assim como o pagamento dos
servidores, estão vinculados à
receita própria do Estado.
Assim, a queda da arrecadação
compromete a previsão de
pagamento.
O problema é
decorrente da concessão de
decisões judiciais
possibilitando aos contribuintes
utilizarem créditos fiscais,
não recolhendo a substituição
tributária, como determina o
Artigo 150 da Constituição
Federal e suas leis
complementares. Pela
legislação, criada há dois
anos, na distribuição de
mercadorias como bebidas,
cigarros, medicamentos e
combustíveis devem antecipar o
recolhimento do imposto a ser
pago na comercialização do
produto.
Segundo o
diretor de Administração
Tributária da Secretaria da
Fazenda de Pernambuco, José
Cruz, a evasão tem origem em
créditos fiscais irregulares,
que terminam implicando em perda
de recursos para o Estado. De
1997 a novembro deste ano, o
Estado já perdeu cerca de R$ 38
milhões - três repasses ao
Judiciário - com o setor de
bebidas. A Secretaria da Fazenda
questiona uma concessão tão
alta de liminares, que deveriam
ser emitidas apenas em casos de
direito líquido e certo. De
acordo com levantamento da
secretaria, este ano foram
encaminhadas 204 liminares ao
Fisco Estadual, pouco mais de uma
por dia.
De acordo com
José Cruz, as decisões
conseguidas por empresas cometas
- que funcionam durante pouco
tempo - é outra grande fonte de
evasão da receita tributária.
"De uma maneira geral, essas
empresas abrem, utilizam-se de
brechas legais para conseguir
determinações suspendendo o
recolhimento dos impostos e após
algum tempo fecham as portas,
deixando a dívida sem pagamento.
Hoje, temos 200 mil contribuintes
cadastrados, onde apenas 80 mil
são ativos", explica.