- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 13 de dezembro de 1998

ESPECIAL / AI5
Moura Cavalcanti foi o governador da "linha-dura"

O Golpe militar de 1964 superestimou, certamente para justificar-se, a chamada "organização esquerdista", especialmente em Pernambuco. Para os radicais de direita existiam forças treinadas, fardadas e armadas para tomar o poder e instalar uma república sindical/camponesa e marxista. Toda uma fantasia construída a partir da ação das Ligas Camponesas.

Quando o Golpe tomou o poder com extrema facilidade, pois aqui no Recife além da reação dos estudantes, que até foram metralhados ao lado da Sudene, no centro da cidade, nada mais aconteceu como reação imediata, nem no campo onde estava a suposta organização das Ligas Camponesas de Francisco Julião. A liderança tratou de buscar condições mais amplas de resistência. E assim se foram quase todos os líderes para São Paulo e Rio de Janeiro, os que cosenguiram escapar da caçada das primeiras horas.

Resistindo ficaram as organizações da Igreja Progressista de Dom Helder Câmara, e alguns núcleos de intelectuais, artistas e estudantes. Mesmo assim, isso não significa que não tenham ocorrido violências e perseguições, além de rígida censura à imprensa, que infelizmente, com o tempo, transformou-se em autocensura.

Os governos indiretos impostos pelo movimento militar, após a vigência do Ato Institucional nº 5 (AI-5), foram exercidos por homens considerados até suaves, exceto o governador Moura Cavalcanti, legítimo representante da linha dura, que mesmo assim, não passou de excessos verbais e ações isoladas contra a oposição, a exemplo dos cachorros e cavalos lançados contra uma passeata do então MDB, à frente Ulisses Guimarães.

O deputado Nilo Coelho, representante do conservadorismo rural, tinha bom trânsito em todas as áreas, e não alimentou a pressão contra estudantes e intelectuais, embora tenha sido submisso ao julgo militar. E a seguir, no auge do ato de exceção, governou o Estado um juiz do Tribunal Militar, de tradicional família de Evangélicos, o ministro Eraldo Gueiros Leite, homem de temperamento ameno e conciliador.

Nos últimos tempos do ato que significou o golpe dentro do golpe, Moura Cavalcanti, enquanto fazia demonstrações exteriores de apoio ao ato, afirmava em particular que esta era a única postura que possibilitaria o abreviamento da vigência do AI-5. A Igreja de Dom Helder, sim, sofreu tenaz perseguição, como são exemplos atentados a bomba e o assassinato de seu auxiliar, o padre Henrique, crime até hoje não esclarecido.


     

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes