- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 13 de dezembro de 1998

ESPECIAL / AI5
Dorany abre um bar. Liberato vira corretor

As cassações mudaram a vida de muita gente em Pernambuco. Políticos até então vistos como profissionais tiveram de uma hora para outra de conseguir um meio de sobrevivência. Outros, tiveram muitas dificuldades para exercer suas profissões. "Chegou a um ponto, depois de ser cassado, que eu achava que era leproso", lembra o advogado Dorany Sampaio. "Muita gente deixou de falar comigo, muita gente deixou de me cumprimentar e me procurar como advogado. Sabiam que eu era bom, mas temiam que o juiz misturasse as coisas", conta.

Casado e pai de duas filhas, Dorany diz que não teve dúvidas em procurar um meio para sustentar a família. Abriu, no Cais de Santa Rita, um inusitado restaurante, denominado de A Feijoada. "O forte era mesmo a feijoada, mas tinha comida regional". Sobreviveu graças ao apoio dos donos da Pitu, que patrocinaram o restaurante com cartazes e mesas, e do apoio que teve também de radialistas amigos, que faziam propaganda gratuita do restaurante no rádio e televisão. "Foram três anos de trabalho direto", lembra. Mas não tão fáceis: a polícia gostava de ficar na porta do restaurante, amedrontando seus fregueses. "Diziam para as pessoas que eu era comunista, que não valia nada".

Cansado da difamação e passado o pior momento da repressão em Pernambuco, Dorany voltou à advocacia. "A lepra havia acabado, mas havia ainda gente que não me cumprimentava". Ele revela, hoje, que não guarda mágoas. "Apenas apaguei elas de minha memória".

Sílvio Pessoa, na época arenista, também teve de mudar de vida depois da cassação. "Mas me preparei para isso. Me preparei também para enfrentar as pessoas que atravessavam a rua para não cruzar comigo. Foram muitas as decepções, mas também foram muitas e emocionantes as manifestações de solidariedade". Longe do Parlamento, voltou para a advocacia.

Liberato Costa Júnior foi outro que também teve de partir para outro ramo. "Se tivesse ficado na corretagem de imóveis, teria ganho muito dinheiro na vida", diz, sem arrependimento, hoje, aos 80 anos e oito mandatos de vereador, um de deputado estadual e um ano como prefeito do Recife. Mas antes de se decidir qual profissão abraçar, passou seis meses em Itamaracá. "Ouvindo meus amigos pescadores".

Ficou como corretor de 1970 a 82. "Ganhei dinheiro pela primeira vez vendendo loteamentos e apartamentos". Mas, no início, teve de viver do salário da mulher, diretora de colégio, e de favor em casa da irmã.


     

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