ESPECIAL / AI5
Em
70, a Assembléia reabre. Em
"silêncio"Um ano, cinco meses e 18
dias após o seu fechamento pelo
AI-5, chamado pelo governo
militar de "recesso
parlamentar", a Assembléia
Legislativa de Pernambuco retorna
às suas atividades - assim como
as Assembléias nos demais
Estados - no dia 1º de junho de
1970. Como primeiro ato, a
eleição do deputado Carlos
Veras (Arena) para a
presidência, tendo apenas um
único emedebista na mesa
diretora: Edgar Moury Fernandes
na 5ª secretaria.
Dois dias
antes, o governador Nilo Coelho
assina seus últimos
decretos-leis com base no AI-5
antes do retorno das atividades
legislativas: institui taxa de
fiscalização dos serviços
intermunicipais de transporte de
passageiros; autoriza
contratação de empréstimo de
até 10 milhões de cruzeiros em
favor do Departamento de
Terminais Rodoviários e cria 212
cargos no quadro de serviço
civil do Executivo e Tribunal de
Justiça, aproveitando os
servidores estáveis da
administração direta e
autarquias.
Alertado pelos
jornais, o líder do Governo,
Marco Maciel, garante que vai se
preparar para responder as
críticas dos deputados ao
governador. Os parlamentares
prometiam cobrar a prometida
construção da PE-82; a
criação de cargos na Secretaria
da Fazenda e por ter colocado em
disponibilidade funcionários do
antigo DSE. "O governador
Nilo Coelho pode não ter sido
bom político, mas está
realizando excelente
administração", afirmou
aos jornais Marco Maciel.
Mas as
críticas acabaram não
acontecendo na intensidade que os
jornalistas que cobriam a
Assembléia previam. O grande
assunto do momento passou a ser a
visita do general Emílio Médici
ao Nordeste, com parada prevista
no Recife. Ele iria participar de
reunião do Conselho Deliberativo
da Sudene, dia 6 de junho, para
"ver e ouvir" a
questão da seca na região. E o
presidente ouviu de Nilo Coelho
que havia, a seu ver, "uma
conspiração contra o
Nordeste". E o governador
ouve de Médici a promessa de que
o "Nordeste vai começar a
mudar".
Na Assembléia,
o retorno foi marcado pela
ausência de críticas e
protestos contra o AI-5 e
cassação de parlamentares. O
País ainda vivia sob rígida
censura.