- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 13 de dezembro de 1998

ESPECIAL / AI5
Em 70, a Assembléia reabre. Em "silêncio"

Um ano, cinco meses e 18 dias após o seu fechamento pelo AI-5, chamado pelo governo militar de "recesso parlamentar", a Assembléia Legislativa de Pernambuco retorna às suas atividades - assim como as Assembléias nos demais Estados - no dia 1º de junho de 1970. Como primeiro ato, a eleição do deputado Carlos Veras (Arena) para a presidência, tendo apenas um único emedebista na mesa diretora: Edgar Moury Fernandes na 5ª secretaria.

Dois dias antes, o governador Nilo Coelho assina seus últimos decretos-leis com base no AI-5 antes do retorno das atividades legislativas: institui taxa de fiscalização dos serviços intermunicipais de transporte de passageiros; autoriza contratação de empréstimo de até 10 milhões de cruzeiros em favor do Departamento de Terminais Rodoviários e cria 212 cargos no quadro de serviço civil do Executivo e Tribunal de Justiça, aproveitando os servidores estáveis da administração direta e autarquias.

Alertado pelos jornais, o líder do Governo, Marco Maciel, garante que vai se preparar para responder as críticas dos deputados ao governador. Os parlamentares prometiam cobrar a prometida construção da PE-82; a criação de cargos na Secretaria da Fazenda e por ter colocado em disponibilidade funcionários do antigo DSE. "O governador Nilo Coelho pode não ter sido bom político, mas está realizando excelente administração", afirmou aos jornais Marco Maciel.

Mas as críticas acabaram não acontecendo na intensidade que os jornalistas que cobriam a Assembléia previam. O grande assunto do momento passou a ser a visita do general Emílio Médici ao Nordeste, com parada prevista no Recife. Ele iria participar de reunião do Conselho Deliberativo da Sudene, dia 6 de junho, para "ver e ouvir" a questão da seca na região. E o presidente ouviu de Nilo Coelho que havia, a seu ver, "uma conspiração contra o Nordeste". E o governador ouve de Médici a promessa de que o "Nordeste vai começar a mudar".

Na Assembléia, o retorno foi marcado pela ausência de críticas e protestos contra o AI-5 e cassação de parlamentares. O País ainda vivia sob rígida censura.


     

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