ESPECIAL / AI5
Sindicatos
"amarrados", ACO
resistindoCom os sindicatos
desarticulados - sob
intervenção, líderes presos,
trabalhadores com medo de
participar - a Ação Católica
Operária (ACO) foi uma entidade
de resistência que teve papel
fundamental na organização dos
trabalhadores durante a ditadura.
"Com o AI-5, a ACO fazia o
papel dos sindicatos", diz
João Francisco, militante
operário da indústria têxtil,
preso e torturado pelos
militares, em 1972.
Atuando em
diversos Estados, a ACO de
Pernambuco teve atuação forte
graças ao apoio do arcebispo de
Recife e Olinda, Dom Hélder
Câmara. A entidade tinha ação
predominante nos meios
operários. "A ACO tinha
certa liberdade por ser ligada à
Igreja e usou isso de forma muito
firme", lembra o padre
Reginaldo Veloso.
A ACO, no
entanto, não foi poupada de
tudo, sendo invadida e tendo o
padre Romano - seu coordenador -
detido, em 1973. Os militares
queriam cópias de documentos
produzidos pela entidade. A ACO
lançou diversos documentos, como
o "Nordeste: homem
proibido", de repercussão
internacional.
Outro alvo da
repressão foi a Federação dos
Trabalhadores na Agricultura
(Fetape). Ao contrário dos
sindicatos rurais, que sofreram
intervenções, a Fetape
conseguiu manter seus dirigentes,
mas com atuação limitada.
"Foi uma agonia desgraçada.
Qualquer mobilização era
vigiada", lembra o
ex-presidente da Fetape, José
Rodrigues, que em 68 atuava em
Bom Jardim. "Durante o AI-5
as lutas eram mais no campo
individual das causas
trabalhistas", diz o
ex-deputado Romeu da Fonte, um
dos advogados ligados à
federação, responsáveis pelo
trabalho formiguinha junto aos
trabalhadores.