- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 13 de dezembro de 1998

ESPECIAL / AI5
Sonhos de estudante de mudar o mundo são esfacelados pela força

Um dos setores mais fortes da sociedade civil, o movimento estudantil atuou na semi-legalidade de 1964 a 1968. Havia passeatas, mobilizações, confrontos com a polícia, prisões. Com o AI-5, os movimentos estudantis de massa desapareceram. Em Pernambuco não foi diferente. Nada era permitido. Tudo era reprimido.

Uma das primeiras vítimas do AI-5 no Estado foi o presidente da União dos Estudantes de Pernambuco, Cândido Pinto. Após sofrer um atentado, em abril de 69, ficou paralítico. O AI-5 das universidades, o decreto 477 proibia qualquer participação política de estudantes, professores e funcionários.

Com base no 477, as universidade expulsaram alunos, cassaram professores. "O movimento passou a atuar na clandestinidade. Sem alternativa, os estudantes mais ativos foram empurradas para a luta armada", diz o vereador de Olinda, Marcelo Santa Cruz (PT), um dos cinco estudantes expulsos da Faculdade de Direito do Recife.

Militantes secundaristas e universitários, os estudantes dividiam-se, nas décadas de 60 e 70, entre o sonho de mudar o mundo fazendo a ditadura do proletariado e a luta para romper tabus. "Éramos guiados pela idéia fixa de revolução. Não percebíamos a dimensão das mudanças sociais em curso, como a defesa do amor livre", diz o futuro secretário de Planejamento do Estado, José Arlindo Soares, um dos estudantes expulsos da Universidade Federal do Ceará.

José Arlindo diz que os ortodoxos não percebiam o novo, representado pela luta em defesa da liberdade sexual, das minorias. "Éramos muito fechados, trogloditas", brinca. Não ortodoxo, Santa Cruz diz orgulhoso: "A nossa geração rompeu tabus, brigando pelo amor livre".

Em meio a divisão da base com relação a visão de mundo, as entidades estudantis foram esfaceladas pela repressão. A sede da UNE foi invadida, saqueada e queimada. Mesmo depois do fim do AI-5, o prédio foi demolido em 1980 e o terreno doado. Dano que só foi reparado em 1994, quando a UNE recebeu o terreno de volta.


     

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes