ESPECIAL / AI5
Era
para ser só um show. E Nova
Jerusalém virou praça de guerraEstava tudo pronto.
Chico Buarque, Milton Nascimento,
Elizeth Cardoso, Paulinho da
Viola, MPB-4, grandes nomes da
música brasileira, com presença
confirmada. O show "É
Preciso Cantar" seria o
terceiro evento musical de porte
realizado pela Sociedade Teatral
de Nova Jerusalém. A cidade de
pedra já havia hospedado,
noutros tempos, dois Festivais de
Verão que consagraram Gal Costa,
lançaram Luiz Melodia e o
Quinteto Violado. O show de 1974
seria no 15 de novembro, dia de
eleição.
"Inventaram
uma história que Marcos Freire,
candidato a senador pelo MDB,
estaria no show para fazer
campanha e conversar com o amigo
Chico Buarque. O Exército nem
esperou para confirmar e proibiu
o espetáculo", conta hoje o
produtor de teatro José
Pimentel, responsável pelo show
que foi sem nunca ter sido.
"Fazenda Nova foi invadida.
Soldados armados cercaram o
teatro, initimidaram as pessoas,
invadiram casas, pintaram o
sete."
Dois dias antes
do show, que seria no sábado, o
diretor Plínio Pacheco foi
"convidado" a ir à
Polícia Federal, no Recife. No
DPF, Pacheco, depois de muito
argumentar, teve a promessa de
que o espetáculo estava
liberado. Apenas uma ressalva,
feita por um coronel de plantão:
o show não poderia virar
comício.
"A
"liberalidade" da
censura não resistiu ao raiar do
dia. Na manhã da sexta-feira,
uma mensagem de Pacheco, por
rádio - não havia telefone em
Fazenda Nova -, tentava dar o
alerta. Não deu tempo. A cidade
já estava sitiada e o show,
cancelado. "À imprensa, o
Exército jurou que fez o que fez
para combater um surto de
meningite no Agreste",
lembra Pimentel. (G.F.)