ESPECIAL / AI5
Cavalcanti,
personagem da
"fechadura"Dos 23 ministros que
subscreveram o AI-5 na noite de
13 de dezembro de 1968, um -
José da Costa Cavalcanti, das
Minas e Energia - tinha raízes
políticas em Pernambuco.
Cearense de nascimento, ele era
coronel do Exército e
participara ativamente da
conspiração contra o presidente
João Goulart e o governador
Miguel Arraes.
Em 59, com a
vitória de Cid Sampaio para o
Governo de Pernambuco, o então
ministro da Guerra, general
Henrique Lott, indicou Costa
Cavalcanti para assumir a
Secretaria de Segurança pública
(SSP), da qual se utilizou
politicamente para se eleger
deputado federal pela UDN em
1962.
"Desde
aquela época, ele era conhecido
em Pernambuco como um dos
oficiais que tinham maiores
ligações com a linha dura do
Exército", recorda o
deputado federal Fernando Lyra
(PSB), que apoiou Cid Sampaio
naquela eleição.
Em 1966, quando
Paulo Guerra deixou o Governo
após concluir o mandato de
Miguel Arraes, cassado pelo Golpe
de 64, Costa Cavalcanti foi
reeleito com a segunda maior
votação de Pernambuco, mas não
chegou sequer a tomar posse. Em
março de 67 tomaria posse no
Ministério das Minas e Energia,
do presidente Costa e Silva,
tendo, nesta condição,
subscrito o Ato Institucional Nº
5. Permaneceu nessa mesma pasta
no Governo do general Médici,
tendo sido presidente da Itaipu e
da Eletrobrás no Governo do
general Ernesto Geisel.
Costa
Cavalcanti tentou ser governador
de Pernambuco em 1966, perdendo a
vaga para Nilo Coelho, e
posicionou-se contra a Anistia.
Já em novembro
de 81, quando o general
Figueiredo presidia o País, ele
se filiou ao PDS por Marco
Maciel, mas não tinha mais
pretensão política. Queria
apenas prestigiar esse novo
partido, segundo declarou na
ocasião, que, com a extinção
do bipartidarismo, fora o
sucedâneo da Arena, pela qual
ele se elegera para a Câmara
Federal em 1966.