..............................................-Jornal do Commercio - Recife, 13 de dezembro de 1998

CALMA...
Receitas para a conquista do bem-estar

por ELISABETH ORSINI E MARCIA CEZIMBRA
Agência Globo

Dinheiro curto, medo de desemprego, mau humor no trabalho, problemas com os filhos, decepções amorosas, nervos à flor da pele. Isso é vida? A resposta do psicólogo americano, Richard Carlson, de 37 anos, é um sonoro não. Ele faz parte da simple generation, uma geração pós-yuppie que valoriza a simplificação da vida. E ganha cada vez mais adeptos: seu último livro Não faça tempestade em copo d'água... e tudo na vida são copos d'água (Editora Rocco) já vendeu seis milhões de exemplares nos Estados Unidos.

Carlson ensina caminhos simples para que a luta pela sobrevivência não atropele a própria existência. São regras para conviver melhor com os filhos, valorizando o lazer, a contemplação do mundo e de si mesmo. Um dos cem exercícios táticos para esta conquista do bem-estar é viver cada dia como se fosse o último. "Nossa tendência é reagir violentamente, superdimensionar os problemas e nos apegarmos demasiadamente às nossas posições. Passamos a vida destrinchando um problema atrás do outro. Temos justificativas sofisticadas para viver assim e empregamos a maior parte de nosso tempo e energia fazendo coisas que não são tão importantes", diz o psicólogo, para quem é fundamental aprender a desenvolver a contemplação e ter momentos diários de meditação.

SER PELO TER - Entre os pequenos truques de Carlson estão exercícios para tornar-se um ouvinte melhor e enxergar o que há por trás das ações das pessoas que nos rodeiam. Segundo o autor, a simplificação da vida é o antídoto para a ilusão contemporânea de que quanto mais coisas a pessoa tenha - bens de consumo, propriedades, altos rendimentos - maior a satisfação interior, o que provocou uma corrida consumista que anula a existência.

O sujeito deixa de existir para se tornar workaholic (maníaco por trabalho), fascinado por fama e dinheiro. "À medida que incorporamos esta prática de não fazer tempestade em copos d'água, e tudo na vida são copos d'água, construímos um ser humano mais pacífico e amoroso. A vida não deve ser levada tão a sério", sugere.

Longe dos sábios conselhos de Carlson, os brasileiros fazem o que podem para não estragarem a vida com bobagens, frescuras, coisas insignificantes. A pior crise econômica pode passar quase em branco para quem sabe viver. Que o diga a socialite Carmem Mayrink Veiga, cuja receita de bem-estar é não esquentar a cabeça. "Eu simplesmente me desligo e pronto. Se estou numa situação desagradável, imagino, por exemplo, que estou comprando uma motocicleta roxa. A única coisa que quase me tira do sério é a pontualidade. Mas, como não espero ninguém, não é grave. Se você marca comigo às 16h na porta de um cinema, não vai me encontrar lá às 16h05m. Já estarei vendo o filme", diz.

Nem todo mundo é Carmem Mayrink Veiga. A atriz Norma Bengell converteu-se ao budismo para aprender a não se destemperar. "Sempre tive pavio curto. Uma vez tive uma briga tão grande com o diretor Daniel Filho que acabei saindo da novela. Frescura! E me arrependo até hoje", lamenta.


     

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