- -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 17 de dezembro de 1998

GOLFO PÉRSICO
Mísseis iluminam o céu de Bagdá

WASHINGTON - Os EUA e a Grã-Bretanha iniciaram ontem à noite o que descreveram como uma "forte e continuada" série de ataques aéreos contra alvos militares e de segurança do Iraque em represália pela não-cooperação total de Bagdá com os inspetores de armas da ONU.

A chamada "Operação Raposa do Deserto" incluiu ataques de gigantescos bombardeiros B-52 e o lançamento de mísseis de cruzeiro Tomahawk a partir do porta-aviões Enterprise.

Segundo testemunhas, vários mísseis atingiram prédios e ruas de Bagdá, um deles atingindo o maior palácio do presidente Saddam Hussein na capital, situado no bairro de Karada e outro atingindo a sede do partido Baath..

"A missão (das forças anglo-americanas) é atacar os programas de armas nucleares, químicas e biológicas do Iraque e sua capacidade militar para ameaçar os vizinhos", afirmou o presidente dos EUA, Bill Clinton, num pronunciamento pela TV.

"Seu objetivo é proteger os interesses nacionais dos EUA e das pessoas espalhadas pelo Oriente Médio e ao redor do mundo", acrescentou. "Não se pode permitir que Saddam ameace seus vizinhos com armas nucleares, gás venenoso ou armamento biológico", insistiu.

Em meio a suspeitas de que o ataque foi ordenado para forçar o adiamento da votação do impeachment contra ele pela Câmara, Clinton disse que agiu rapidamente para surpreender o regime iraquiano e evitar que o bombardeio coincidisse com o Ramadã - o mês sagrado muçulmano, que começa no sábado.

"Iniciar o ataque durante o Ramadã seria ofensivo para os muçulmanos e prejudicaria nossas relações com o mundo árabe", afirmou.

Especulou-se que o ataque pode durar três dias, mas o chefe do Pentágono, William Cohen, informou que não há prazo previsto e a ação terminará quando for alcançado o objetivo de degradar a capacidade militar iraquiana.

O anúncio do lançamento da "Operação Raposa do Deserto" foi feito pelo porta-voz da Casa Branca, Joe Lockhart, depois que a TV CNN já transmitira, à 0h49 de quinta-feira em Bagdá (19h49 de ontem em Brasília), imagens dos primeiros disparos das baterias antiaéreas iraquianas. Outras rodadas de explosões ocorreram por várias horsa.

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, afirmou que os aliados lançaram o ataque depois de esgotar todas as outras opções para tentar convencer Bagdá a permitir o trabalho irrestrito dos inspetores da Comissão Especial da ONU (Unscom).

Blair disse que o Iraque precisa ser "rebaixado e diminuído" pela força militar e acusou Saddam de "mentir constantemente, prevaricar e romper acertos", ressaltando: "Ele é um quebrador em série de promessas".

Lockhart disse que Clinton tomou a decisão de atacar o Iraque depois de examinar as conclusões do relatório que o chefe da Unscom, Richard Butler, apresentou terça-feira ao Conselho de Segurança da ONU.

No relatório, Butler afirma que o Iraque não cumpriu a promessa de cooperar totalmente com a Unscom, lembrando que Bagdá impediu os inspetores de entrar na sede do Partido Baath - onde, segundo ele, haveria "sólidas evidências da presença de materiais proibidos".


 
 

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