GOLFO
PÉRSICO
Mísseis
iluminam o céu de BagdáWASHINGTON - Os
EUA e a Grã-Bretanha iniciaram
ontem à noite o que descreveram
como uma "forte e
continuada" série de
ataques aéreos contra alvos
militares e de segurança do
Iraque em represália pela
não-cooperação total de Bagdá
com os inspetores de armas da
ONU.
A chamada
"Operação Raposa do
Deserto" incluiu ataques de
gigantescos bombardeiros B-52 e o
lançamento de mísseis de
cruzeiro Tomahawk a partir do
porta-aviões Enterprise.
Segundo
testemunhas, vários mísseis
atingiram prédios e ruas de
Bagdá, um deles atingindo o
maior palácio do presidente
Saddam Hussein na capital,
situado no bairro de Karada e
outro atingindo a sede do partido
Baath..
"A missão
(das forças anglo-americanas) é
atacar os programas de armas
nucleares, químicas e
biológicas do Iraque e sua
capacidade militar para ameaçar
os vizinhos", afirmou o
presidente dos EUA, Bill Clinton,
num pronunciamento pela TV.
"Seu
objetivo é proteger os
interesses nacionais dos EUA e
das pessoas espalhadas pelo
Oriente Médio e ao redor do
mundo", acrescentou.
"Não se pode permitir que
Saddam ameace seus vizinhos com
armas nucleares, gás venenoso ou
armamento biológico",
insistiu.
Em meio a
suspeitas de que o ataque foi
ordenado para forçar o adiamento
da votação do impeachment
contra ele pela Câmara, Clinton
disse que agiu rapidamente para
surpreender o regime iraquiano e
evitar que o bombardeio
coincidisse com o Ramadã - o
mês sagrado muçulmano, que
começa no sábado.
"Iniciar o
ataque durante o Ramadã seria
ofensivo para os muçulmanos e
prejudicaria nossas relações
com o mundo árabe",
afirmou.
Especulou-se
que o ataque pode durar três
dias, mas o chefe do Pentágono,
William Cohen, informou que não
há prazo previsto e a ação
terminará quando for alcançado
o objetivo de degradar a
capacidade militar iraquiana.
O anúncio do
lançamento da "Operação
Raposa do Deserto" foi feito
pelo porta-voz da Casa Branca,
Joe Lockhart, depois que a TV CNN
já transmitira, à 0h49 de
quinta-feira em Bagdá (19h49 de
ontem em Brasília), imagens dos
primeiros disparos das baterias
antiaéreas iraquianas. Outras
rodadas de explosões ocorreram
por várias horsa.
O
primeiro-ministro britânico,
Tony Blair, afirmou que os
aliados lançaram o ataque depois
de esgotar todas as outras
opções para tentar convencer
Bagdá a permitir o trabalho
irrestrito dos inspetores da
Comissão Especial da ONU
(Unscom).
Blair disse que
o Iraque precisa ser
"rebaixado e
diminuído" pela força
militar e acusou Saddam de
"mentir constantemente,
prevaricar e romper
acertos", ressaltando:
"Ele é um quebrador em
série de promessas".
Lockhart disse
que Clinton tomou a decisão de
atacar o Iraque depois de
examinar as conclusões do
relatório que o chefe da Unscom,
Richard Butler, apresentou
terça-feira ao Conselho de
Segurança da ONU.
No relatório,
Butler afirma que o Iraque não
cumpriu a promessa de cooperar
totalmente com a Unscom,
lembrando que Bagdá impediu os
inspetores de entrar na sede do
Partido Baath - onde, segundo
ele, haveria "sólidas
evidências da presença de
materiais proibidos".