- -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 17 de dezembro de 1998

GOLFO PÉRSICO II
Decisão sobre ataque foi unilateral

A França rompeu com seus aliados ocidentais, dissociando-se dos ataques aéreos liderados pelos EUA contra o Iraque.

"França deplora a escalada que levou aos ataques militares americanos contra o Iraque e as graves conseqüências humanas que eles podem ter para o povo iraquiano", enfatizava um comunicado emitido uma hora depois do início dos bombardeios.

O governo francês também lamentou que os dirigentes iraquianos não tenham dado provas de um espírito de completa cooperação.

Segundo a Rádio France Info, fontes próximas ao governo disseram que o presidente Jacques Chirac considera que o ataque ao Iraque não servirá para nada, pelo contrário, aumentárá o sofrimento da população iraquiana e tornará mais difícil a missão da Comissão Especial da ONU (Unscom).

SAINDO FORA - O governo israelense procurou deixar claro ontem que não é parte da guerra entre EUA e Iraque, mas vai defender-se se for arrastado para o conflito. Na Guerra do Golfo, em 1991, os iraquianos atacaram o país com mísseis Scud.

"Achamos que a possibilidade de um ataque iraquiano de mísseis a Israel, como resultado da ação americana no Iraque, está perto de zero, mas estamos preparados para qualquer eventualidade e tomaremos as medidas necessárias", disse o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

O porta-voz do governo israelense, Aviv Bushinsky, disse que antes de sua partida de Tel-Aviv, na terça-feira, Clinton discutiu com Netanyahu os preparativos para uma possível ação, mas o premiê só foi informado pela Casa Branca do atual ataque horas depois de iniciado. A televisão local informou que se espera que hoje (17) sejam distribuídas máscaras de gás para a população.

"Foi Saddam Hussein quem provocou esta crise", comentou o primeiro-ministro do Canadá, Jean Chretien, que acusou o presidente iraquiano de "seguir uma estratégia deliberada, com um grande custo para seu país".

O chanceler alemão, Gerhard Schroeder, salientou, por intermédio de seu porta-voz, que o governo iraquiano havia sido advertido de que a comunidade internacional não poderia fazer vistas grossas a seu fracasso em colaborar com os inspetores da ONU.

"É lamentável que se tenha chegado a tomar medidas militares", declarou a uma rádio alemã o porta-voz do governo, Uwe-Karsten Heye.

"O Japão apóia essa ação dos Estados Unidos e Grã-Bretanha", afirmou o chefe de gabinete do governo japonês, Hiromu Nonaka, segundo a agência de notícias Jiji. Já o presidente argentino, Carlos Menem, apoiou a decisão dos EUA, dizendo que o Iraque não cumpriu com as metas fixadas pelas Nações Unidas. Na Guerra do Golfo, Menem enviou ao Oriente Médio um contingente militar para integrar-se às forças multinacionais. A Argentina foi o único país latino-americano a integrar a coalizão aliada.

INDIGNAÇÃO - O Iraque começou a ser bombardeado ontem durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU - convocado pela França e Rússia para debater informalmente o relatório de Richard Butler, chefe dos inspetores internacionais de armas -, que, em conseqüência, acabou sendo bruscamente interrompida.

Indignados, os embaixadores da Rússia e da China protestaram, enquanto seus colegas de outros países membros do conselho postavam-se diante de aparelhos de televisão para acompanhar as imagens do bombardeio transmitidas diretamente de Bagdá pela CNN. Os trabalhos foram retomados minutos depois.

Tanto Moscou quanto Pequim e Paris defendem a tese de que qualquer ação militar internacional contra um país deve ser, antes, aprovada pelo Conselho de Segurança.

"Não havia nenhum motivo plausível nem pretexto para atacar o Iraque", reagiu o embaixador chinês, Quin Huasen, que se retirou da reunião. "O uso da força não só tem graves conseqüências para a aplicação das resoluções como também constitui uma ameaça para a estabilidade regional e internacional".


 
 

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