GOLFO
PÉRSICO II
Decisão
sobre ataque foi unilateralA França rompeu com
seus aliados ocidentais,
dissociando-se dos ataques
aéreos liderados pelos EUA
contra o Iraque.
"França
deplora a escalada que levou aos
ataques militares americanos
contra o Iraque e as graves
conseqüências humanas que eles
podem ter para o povo
iraquiano", enfatizava um
comunicado emitido uma hora
depois do início dos
bombardeios.
O governo
francês também lamentou que os
dirigentes iraquianos não tenham
dado provas de um espírito de
completa cooperação.
Segundo a
Rádio France Info, fontes
próximas ao governo disseram que
o presidente Jacques Chirac
considera que o ataque ao Iraque
não servirá para nada, pelo
contrário, aumentárá o
sofrimento da população
iraquiana e tornará mais
difícil a missão da Comissão
Especial da ONU (Unscom).
SAINDO FORA -
O governo israelense procurou
deixar claro ontem que não é
parte da guerra entre EUA e
Iraque, mas vai defender-se se
for arrastado para o conflito. Na
Guerra do Golfo, em 1991, os
iraquianos atacaram o país com
mísseis Scud.
"Achamos
que a possibilidade de um ataque
iraquiano de mísseis a Israel,
como resultado da ação
americana no Iraque, está perto
de zero, mas estamos preparados
para qualquer eventualidade e
tomaremos as medidas
necessárias", disse o
primeiro-ministro israelense,
Benjamin Netanyahu.
O porta-voz do
governo israelense, Aviv
Bushinsky, disse que antes de sua
partida de Tel-Aviv, na
terça-feira, Clinton discutiu
com Netanyahu os preparativos
para uma possível ação, mas o
premiê só foi informado pela
Casa Branca do atual ataque horas
depois de iniciado. A televisão
local informou que se espera que
hoje (17) sejam distribuídas
máscaras de gás para a
população.
"Foi
Saddam Hussein quem provocou esta
crise", comentou o
primeiro-ministro do Canadá,
Jean Chretien, que acusou o
presidente iraquiano de
"seguir uma estratégia
deliberada, com um grande custo
para seu país".
O chanceler
alemão, Gerhard Schroeder,
salientou, por intermédio de seu
porta-voz, que o governo
iraquiano havia sido advertido de
que a comunidade internacional
não poderia fazer vistas grossas
a seu fracasso em colaborar com
os inspetores da ONU.
"É
lamentável que se tenha chegado
a tomar medidas militares",
declarou a uma rádio alemã o
porta-voz do governo, Uwe-Karsten
Heye.
"O Japão
apóia essa ação dos Estados
Unidos e Grã-Bretanha",
afirmou o chefe de gabinete do
governo japonês, Hiromu Nonaka,
segundo a agência de notícias
Jiji. Já o presidente argentino,
Carlos Menem, apoiou a decisão
dos EUA, dizendo que o Iraque
não cumpriu com as metas fixadas
pelas Nações Unidas. Na Guerra
do Golfo, Menem enviou ao Oriente
Médio um contingente militar
para integrar-se às forças
multinacionais. A Argentina foi o
único país latino-americano a
integrar a coalizão aliada.
INDIGNAÇÃO
- O Iraque começou a ser
bombardeado ontem durante uma
reunião do Conselho de
Segurança da ONU - convocado
pela França e Rússia para
debater informalmente o
relatório de Richard Butler,
chefe dos inspetores
internacionais de armas -, que,
em conseqüência, acabou sendo
bruscamente interrompida.
Indignados, os
embaixadores da Rússia e da
China protestaram, enquanto seus
colegas de outros países membros
do conselho postavam-se diante de
aparelhos de televisão para
acompanhar as imagens do
bombardeio transmitidas
diretamente de Bagdá pela CNN.
Os trabalhos foram retomados
minutos depois.
Tanto Moscou
quanto Pequim e Paris defendem a
tese de que qualquer ação
militar internacional contra um
país deve ser, antes, aprovada
pelo Conselho de Segurança.
"Não
havia nenhum motivo plausível
nem pretexto para atacar o
Iraque", reagiu o embaixador
chinês, Quin Huasen, que se
retirou da reunião. "O uso
da força não só tem graves
conseqüências para a
aplicação das resoluções como
também constitui uma ameaça
para a estabilidade regional e
internacional".