ESTADOS
UNIDOS
Câmara
de Representantes adia a
votação sobre o impeachmentpor PAULO SOTERO
Agência Estado
WASHINGTON -
O presidente Bill Clinton parecia
ter esgotado ontem todas as
chances de evitar a aprovação,
pela Câmara dos Representantes,
de pelo menos um dos quatro
artigos de impeachment que a
Comissão de Justiça recomendou
contra ele, na semana passada,
por causa das mentiras que contou
sob juramento para acobertar seu
"affair" com a
ex-estagiária na Casa Branca,
Mônica Lewinsky.
O agravamento
do confronto entre as Nações
Unidas e o Iraque, ontem, em
torno da inspeção de armas de
destruição de massas, levou
Clinton a reunir-se com seu
conselho de segurança e
reiniciar os ataques contra
Saddam Hussein.
Ainda é
incerto, no entanto, se a ordem
de ataque contra o Iraque por
forças americanas afetará a
decisão final da Câmara sobre o
impeachment ou o desfecho da
votação. A votação do
processo, que seria hoje, foi
adiada ontem pela Câmara dos
Representantes.
Ironicamente, o
fato de o presidente e o
executivo americanos mostrarem-se
capazes de continuar operando e
desencadear uma ação de guerra
em meio à mais grave crise
política no país em quase um
quarto de século esvazia um dos
argumentos do defensores de
Clinton, segundo o qual o
processo de impeachment
paralisaria os EUA.
De acordo com
um levantamento feito pela rede
ABC de televisão, na manhã de
ontem havia 196 deputados já
decididos a votar pelo
impeachment e outros 18
inclinados a fazê-lo,
totalizando 214, ou quatro menos
do que a maioria necessária para
aprovar os artigos de
impeachment.
Os opositores
firmes eram 192 e havia 13
deputados caminhando nessa
direção, somando 205. Com
apenas 16 indecisos, Clinton
recebeu dois deles ontem na Casa
Branca , os republicanos
moderados Christopher Shays, de
Connecticut, e Amo Houghton, de
Nova York, numa última e,
aparentemente, inútil tentativa
de conter a avalancha de
congressistas conservadores dos
estados da Nova Inglaterra que se
pronunciaram esta semana a favor
do impeachment.
"Estamos
abertos a alternativas, mas
estamos encontrando
obstáculos", admitiu Paul
Begala, o principal conselheiro
de Clinton, ontem pela manhã, no
programa Today, da rede NBC.
Uma aprovação
do impeachment por uma margem
confortável tende a aumentar a
pressão para Clinton deixar
voluntariamente o poder, antes de
o mesmo ser julgado pelo Senado,
a partir de janeiro.