- -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 17 de dezembro de 1998

ESTADOS UNIDOS
Câmara de Representantes adia a votação sobre o impeachment

por PAULO SOTERO
Agência Estado

WASHINGTON - O presidente Bill Clinton parecia ter esgotado ontem todas as chances de evitar a aprovação, pela Câmara dos Representantes, de pelo menos um dos quatro artigos de impeachment que a Comissão de Justiça recomendou contra ele, na semana passada, por causa das mentiras que contou sob juramento para acobertar seu "affair" com a ex-estagiária na Casa Branca, Mônica Lewinsky.

O agravamento do confronto entre as Nações Unidas e o Iraque, ontem, em torno da inspeção de armas de destruição de massas, levou Clinton a reunir-se com seu conselho de segurança e reiniciar os ataques contra Saddam Hussein.

Ainda é incerto, no entanto, se a ordem de ataque contra o Iraque por forças americanas afetará a decisão final da Câmara sobre o impeachment ou o desfecho da votação. A votação do processo, que seria hoje, foi adiada ontem pela Câmara dos Representantes.

Ironicamente, o fato de o presidente e o executivo americanos mostrarem-se capazes de continuar operando e desencadear uma ação de guerra em meio à mais grave crise política no país em quase um quarto de século esvazia um dos argumentos do defensores de Clinton, segundo o qual o processo de impeachment paralisaria os EUA.

De acordo com um levantamento feito pela rede ABC de televisão, na manhã de ontem havia 196 deputados já decididos a votar pelo impeachment e outros 18 inclinados a fazê-lo, totalizando 214, ou quatro menos do que a maioria necessária para aprovar os artigos de impeachment.

Os opositores firmes eram 192 e havia 13 deputados caminhando nessa direção, somando 205. Com apenas 16 indecisos, Clinton recebeu dois deles ontem na Casa Branca , os republicanos moderados Christopher Shays, de Connecticut, e Amo Houghton, de Nova York, numa última e, aparentemente, inútil tentativa de conter a avalancha de congressistas conservadores dos estados da Nova Inglaterra que se pronunciaram esta semana a favor do impeachment.

"Estamos abertos a alternativas, mas estamos encontrando obstáculos", admitiu Paul Begala, o principal conselheiro de Clinton, ontem pela manhã, no programa Today, da rede NBC.

Uma aprovação do impeachment por uma margem confortável tende a aumentar a pressão para Clinton deixar voluntariamente o poder, antes de o mesmo ser julgado pelo Senado, a partir de janeiro.


 
 

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