- -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 17 de dezembro de 1998

ESTADOS UNIDOS II
Aritmética é favorável ao presidente

A operação militar de larga escala contra o Iraque, que começou na noite de ontem, pode ser usada tanto contra como a favor no processo de impeachment do presidente Clinton. A realidade inescapável é que, além de colocar uma mancha indelével na biografia política de Clinton e assegurar-lhe um modestíssimo lugar na história, a institucionalização do processo de impeachment pode levar a uma mudança da atitude do público.

Pesquisa da rede ABC e do Washington Post mostrou, esta semana, que embora mais de 60% dos americanos sejam contrários ao impeachment, 58% acham que o presidente deveria deixar a Casa Branca se a Câmara decidir pelo impeachment e transformar Clinton apenas no segundo líder da história do país a ser alvo de um processo constitucional de destituição.

O primeiro ocorreu em 1868 contra o presidente Andrew Johnson, o sucessor de Abraham Lincoln, depois que ele demitiu o ministro da Guerra sem consultar o Senado. Johnson sobreviveu por um voto, depois de um julgamento de mais de três meses, que estabeleceu as regras a serem seguidas no julgamento de Clinton - se se chegar a isso.

O presidente americano já disse que não renunciará. A aritmética do impeachment no Senado é favorável a Clinton, pois são necessários 67 senadores dispostos a declará-lo "culpado", ou dois terços do total, para removê-lo do poder. Os republicanos, que devem aprovar o impeachment do presidente na Câmara, por maioria simples, num voto quase que estritamente partidário, por maioria simples, têm apenas 55 senadores. E nem todos estão convencidos de que as acusações que a Comissão de Justiça arrolou contra Clinton chegam ao nível dos "altos crimes e delitos" que a Constituição dos EUA prevê como uma das justificativas para destituir o presidente e anular o votação popular que o colocou na Casa Branca.

Segundo Norman Ornstein, do Instituto Americano de Empresas e um dos principais estudiosos do Congresso, a expectativa entre os deputados republicanos moderados de que os senadores encontrarão algum tipo de solução de compromisso para evitar a instalação do julgamento de Clinton é uma das razões pelas quais eles estariam se decidindo pelo impeachment e evitando desafiar a orientação da liderança e da extrema-direita do partido, que querem a cabeça de Clinton na bandeja.

O senador democrata Joseph Lieberman disse que o Senado não pode ignorar a decisão da Câmara, se esta aprovar o impeachment do presidente. Mas pode fazer mais ou menos o que bem entender com ela.


 
 

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