ESTADOS
UNIDOS II
Aritmética
é favorável ao presidenteA operação militar de
larga escala contra o Iraque, que
começou na noite de ontem, pode
ser usada tanto contra como a
favor no processo de impeachment
do presidente Clinton. A
realidade inescapável é que,
além de colocar uma mancha
indelével na biografia política
de Clinton e assegurar-lhe um
modestíssimo lugar na história,
a institucionalização do
processo de impeachment pode
levar a uma mudança da atitude
do público.
Pesquisa da
rede ABC e do Washington Post
mostrou, esta semana, que embora
mais de 60% dos americanos sejam
contrários ao impeachment, 58%
acham que o presidente deveria
deixar a Casa Branca se a Câmara
decidir pelo impeachment e
transformar Clinton apenas no
segundo líder da história do
país a ser alvo de um processo
constitucional de destituição.
O primeiro
ocorreu em 1868 contra o
presidente Andrew Johnson, o
sucessor de Abraham Lincoln,
depois que ele demitiu o ministro
da Guerra sem consultar o Senado.
Johnson sobreviveu por um voto,
depois de um julgamento de mais
de três meses, que estabeleceu
as regras a serem seguidas no
julgamento de Clinton - se se
chegar a isso.
O presidente
americano já disse que não
renunciará. A aritmética do
impeachment no Senado é
favorável a Clinton, pois são
necessários 67 senadores
dispostos a declará-lo
"culpado", ou dois
terços do total, para removê-lo
do poder. Os republicanos, que
devem aprovar o impeachment do
presidente na Câmara, por
maioria simples, num voto quase
que estritamente partidário, por
maioria simples, têm apenas 55
senadores. E nem todos estão
convencidos de que as acusações
que a Comissão de Justiça
arrolou contra Clinton chegam ao
nível dos "altos crimes e
delitos" que a
Constituição dos EUA prevê
como uma das justificativas para
destituir o presidente e anular o
votação popular que o colocou
na Casa Branca.
Segundo Norman
Ornstein, do Instituto Americano
de Empresas e um dos principais
estudiosos do Congresso, a
expectativa entre os deputados
republicanos moderados de que os
senadores encontrarão algum tipo
de solução de compromisso para
evitar a instalação do
julgamento de Clinton é uma das
razões pelas quais eles estariam
se decidindo pelo impeachment e
evitando desafiar a orientação
da liderança e da
extrema-direita do partido, que
querem a cabeça de Clinton na
bandeja.
O senador
democrata Joseph Lieberman disse
que o Senado não pode ignorar a
decisão da Câmara, se esta
aprovar o impeachment do
presidente. Mas pode fazer mais
ou menos o que bem entender com
ela.